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Sobre a competitividade laboral dos portugueses

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Tem sido atirado à cara dos portugueses que precisam de ser laboralmente mais competitivos para poder preservar postos de trabalho e salvaguardar a saúde da economia nacional. Reconhecendo que do diagnóstico às medidas concretas podem surgir entraves de maior, sugiro que se contemple a relação dos portugueses com o futebol, especialmente na óptica da sua forma de viver os clubes de que são adeptos, para que se constate que na grande maioria dos mesmos existem níveis de competitividade altíssimos.

Ao que parece, as pessoas compreendem bem a competitividade no contexto desportivo, sabem bem o que é fazer mais e com mais eficiência, o que é trabalhar do prol do grupo ou o que é ter método de trabalho e táctica. É estrondoso como podemos ser acusados de falta de competitividade no trabalho e simultaneamente parecemos compreender tão bem a teoria que lhe subjaz mas também a sua aplicação no contexto desportivo. Qualquer indivíduo minimamente próximo do futebol, arrisco dizer do desporto em geral, sabe que se não houver preparação prévia e implementação de uma estratégia de contemple as melhores soluções para os desafios que surgem, as hipóteses de singrar no desporto são nulas. Muitas vezes o sucesso e a competitividade passam pela definição de objectivos mais arrojados do que os dos demais concorrentes.

No desporto, ao contrário do que se verifica no discurso dos sindicatos laborais, as pessoas compreendem quando a culpa é do jogador (trabalhador) e não do treinador (administrador), ou vice-versa. Existem portanto vantagens implícitas na adaptação da esfera desportiva ao mundo empresarial, sobretudo à classe operária tendencialmente menos bem formada e necessitada, como tal, de discurso simples.

Serve este texto abordar a questão das necessidades de melhoria do tecido laboral português segundo uma política de incremento de atitude e não tanto do clássico e estéril discurso da formação. A formação, perdoem-me dar a minha opinião, não deve funcionar como um mecanismo de acção imediata, porque a sua vocação não é propriamente de curto-prazo. Não é de todo sensato esperar que a formação resolva problemas do amanhã nem que seja o objecto final ou único de uma política de qualificação de pessoas. Nesta linha de entendimento, sugiro àqueles que estejam com dificuldades em fazer passar a mensagem da competitividade que se que se fale ao trabalhador numa linguagem futebolística, e se testem as sinergias formativas dessa adaptação. O conhecimento é transversal e por vezes trocar um substantivo numa mesma lógica já compreendida previamente é uma boa metáfora para outro universo, sem qualquer prejuízo de compreensão, antes pelo contrário, com ganhos de clareza, objectividade e motivação.

1 comentário:

  1. Meu caro Marcelo Melo
    O trabalhador português é competente e competitivo. Agora, pode é o potencial produtivo não estar a ser devidamente aproveitado. E eu sei do que estou a falar. O meu amigo vá a uma qualquer fábrica de administração portuguesa e observe-a e anote o que vê. Depois faça uma visita à fábrica de rolamentos Rol, nas Caldas da Rainha, onde se fabricam rolamentos da marca FAG (alemã)observe-a, faça as suas anotações, e de certeza que vai perceber porque razão os trabalhadores portugueses, que laboram em fábricas totalmente portuguesas, são menos competitivos do que os portugueses que trabalham em multinacionais. É que, numa multinacional, a figura do engenheiro existe para enriquecer a produção. Numa fábrica portuguesa a produção existe para fazer enriquecer o ego do senhor engenheiro.
    Com um abraço.

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