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Sobre o documentário Happy People: A Year in the Taiga, e a primorosa sabedoria dos caçadores da Sibéria

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A vida pode ser muito diferente quando a tentamos decifrar fora da esfera da nossa vivência direta. O documentário Happy People: A Year in the Taiga propõe-se a forçar essa saída do palco sobre o qual nos debruçamos diariamente, abrindo espaço a perceber o que pode significar a vida no contexto específico de um vila Siberiana do norte da Rússia em que as temperaturas atingem -50 graus negativos no pico do Inverno e 20 horas de luz no pico do Verão, e em que o emprego mais empolgante é o de caçar zibelinas na floresta (Taiga), atividade para a qual os caçadores se isolam em cabanas solitárias apenas com um cão. Estas práticas encerram toda uma arte de viver e uma sabedoria na forma estar no mundo, implicando todo um ano de preparação e comunhão com a Natureza.

Os caçadores da Sibéria narrados neste documentário são pessoas que trabalham muito e que se queixam pouco. Vivem a vida pela vida, assumem as necessidades como prioridades, e porventura não fazem ideia do que é ter preguiça. Na remota aldeia de Bakhtia, a agressividade das condições climatéricas parece forçar cada pessoa a concentrar-se na sua função, solitária ou social, e a perceber melhor que para cada pessoa há uma missão. As pessoas não ousam passar a perna à Natureza, e enternecem-se de sentir que fazer parte de um grande plano que esta traça e no qual eles se inscrevem.

Estas simples mas valorosas pessoas não sabem falar de inovação, e no entanto transformam formas primitivas de conhecimento em valor acrescentado para si e para os seus, mas apenas em proporção à sua necessidade, e em respeito por uma Natureza que não tentam dominar e silenciar. Sabem que lucro maior é lucrar na medida do que necessitam a cada ano, sem nunca esquecer que para tudo há um esforço associado. Um dos melhores documentários que já assisti.


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