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Sobre 'Harakiri' (3vial Art), e a diferença entre honra e a vergonha, ao som de 'A Way of Life' (Hans Zimmer)

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Harakiri - 3vial Art (2014)

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O Harakiri foi uma prática característica da cultura/nação em que o papel da honra mais significou (e significa) para a sociedade: a japonesa. À luz das sensibilidades atuais, pode parecer extremista, maluco, irracional, a ideia de acabar com a própria vida por motivos de desonra. Habituámo-nos a ter de sobreviver às desonras que nos fazem sofrer, e também a ser tolerantes face às desonras que outros cometem pontual ou repetidamente.

De há uns séculos para cá, e doravante ainda mais, temos vivido em sociedades em que a honra (e a desonra) fazem parte de um remoto ou inexistente léxico, qualquer coisa que se sabe que existe mas que não tem ascendente para regular por si só o que quer que seja. Substituímos o binómio honra/desonra pelo da vergonha/falta dela, e com isso acabamos muitas vezes clamando por vergonha na cara, ou reclamando que alguém se retracte e que peça desculpa. Um mero jogo emocional de egos.

Estou em crer que, em si mesma, a vergonha é uma consequência da falta ou perca de alguma coisa mais superior, e que como tal não substuí verdadeiramente a honra. A honra é um património humano, uma credibilidade do homem não pertante os outros mas perante si próprio, e como tal não é manipulável. E é muito possivelmente por ser um tesouro invidual e por implicar esta sinceridade absoluta entre o homem e a sua consciênci, que a desonra conduzia ao Harakiri no antigo Japão imperial. Hoje já nem é certo que conduza à demissão, ao retiro, ao sincero e frontal pedido de desculpas.

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