Pages - Menu

Sobre a improbabilidade humana de ganhar ou perder em toda a linha por falta de raízes comuns atando as diversas frentes de vida

Alignment map - Atrine Hildebrandt Hussey (2017)


* * *


Em jeito de balanço do ano de 2021, mas falando muito para lá da experiência e espaço temporal por ele contidos, concluo que nunca se ganha em toda a linha e nunca se perde em toda a linha. Esta ideia tem viajado comigo e tem-me feito refletir sobre a topografia do tabuleiro em cima do qual os eventos de vida se desenrolam. A ideia tende a ser verdadeira porque é improvável vários acontecimentos decorrerem num só sentido quando não obedecem a raízes comuns que os forcem a ter que ver uns com os outros.

Aquilo que somos a cada momento representa algo diferente nos diversos domínios da nossa intervenção diária: casa, família, trabalho, amigos, psique própria. Em cada momento da vida somos não necessariamente a mesma coisa para a família, para o trabalho, para as amizades, para a sociedade com que nos relacionamos, e perante aquilo que nos achamos quando nos olhamos e pensamos ao espelho. 

Em geral essas formas que assumimos nos diferentes domínios não são função apenas do nosso pensar e sentir, são também o produto do contexto em que nos interessamos e intersectamos com eles. Este mecanismo comunga das boas práticas do investimento financeiro, que postulam a diversificação como forma de atenuar o risco de perder em toda a linha (evitar ter os ovos todos guardados na mesma cesta). Também se aplica aos humanos, sendo portanto um supressor de derrocadas ou sortes grandes absolutas, por tornar improvável a coocorrência de desfechos só bons ou só maus.

Sem comentários:

Enviar um comentário