É um pouco difícil resistir às modas e às tendências, cuja acção é redefinir periodicamente o conceito de actualidade e de trazer até cada um de nós uma modernidade que é o resultado da inovação do conhecimento humano. (A criatividade, quanto mim, também é uma forma de adquirir conhecimento, por mostrar mais um caminho para um fim).Será mentira dizer que as modas nos fazem adeptos daquilo que não gostamos, pois aquilo de que gostamos nada mais é do que algo que vem de fora. Ainda que se conjugue com o nosso poder de decisão, a moda vem do meio cultural que nos banha e nos faz reconhecer uma comunidade como «a nossa». Por isso, se uma tendência surge na nossa comunidade aceitarmo-la é consequencial.
O ser humano vulgar não chega a atingir o patamar da linha da frente de uma tendência, na medida em que vive desfasado (como teria de ser para que as modas e sua adesão fossem rentáveis) do surgimento das coisas, facto que lhe permite transitar de moda para moda sem sofrer mudanças radicais de estilo.
No processo de adesão contínua às modas, o cidadão vulgar torna-se, portanto, estilista de si mesmo, tendo como incumbência conjugar da melhor forma a sua presença nos vários estilos aos quais a sua comunidade vai aderindo.
A explosão dos meios de comunicação tem provocado a abertura das comunidades umas às outras, criando uma «supra-comunidade» que não existe efectivamente mas que se nota pela linearidade que imprime a comunidades que se julgavam distintas. Com isso, a implementação de tendências passa pelo domínio da comunicação social, pelo poder do marketing onde a imagem se emancipa do resto. Estando nos países ricos o poder de fazer chegar à «supra-comunidade» o lançamento de novas modas, quer por motivos económicos quer pela detenção de capacidade de criar modernidade, calha de acontecer que as modas e tendências são factores de hierarquização social.
