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Sobre as modas

É um pouco difícil resistir às modas e às tendências, cuja acção é redefinir periodicamente o conceito de actualidade e de trazer até cada um de nós uma modernidade que é o resultado da inovação do conhecimento humano. (A criatividade, quanto mim, também é uma forma de adquirir conhecimento, por mostrar mais um caminho para um fim).
Será mentira dizer que as modas nos fazem adeptos daquilo que não gostamos, pois aquilo de que gostamos nada mais é do que algo que vem de fora. Ainda que se conjugue com o nosso poder de decisão, a moda vem do meio cultural que nos banha e nos faz reconhecer uma comunidade como «a nossa». Por isso, se uma tendência surge na nossa comunidade aceitarmo-la é consequencial.
O ser humano vulgar não chega a atingir o patamar da linha da frente de uma tendência, na medida em que vive desfasado (como teria de ser para que as modas e sua adesão fossem rentáveis) do surgimento das coisas, facto que lhe permite transitar de moda para moda sem sofrer mudanças radicais de estilo.
No processo de adesão contínua às modas, o cidadão vulgar torna-se, portanto, estilista de si mesmo, tendo como incumbência conjugar da melhor forma a sua presença nos vários estilos aos quais a sua comunidade vai aderindo.
A explosão dos meios de comunicação tem provocado a abertura das comunidades umas às outras, criando uma «supra-comunidade» que não existe efectivamente mas que se nota pela linearidade que imprime a comunidades que se julgavam distintas. Com isso, a implementação de tendências passa pelo domínio da comunicação social, pelo poder do marketing onde a imagem se emancipa do resto. Estando nos países ricos o poder de fazer chegar à «supra-comunidade» o lançamento de novas modas, quer por motivos económicos quer pela detenção de capacidade de criar modernidade, calha de acontecer que as modas e tendências são factores de hierarquização social.
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Sobre o 3vial


Quando comecei a redigir textos autónomos, livres de regras formais que não as básicas para produzir escrita em português, achei-me perante um mundo novo que com o tempo passei a prezar e a querer viver em.
Escrevia então textos carregados de valor sentimental que me libertavam do peso que esses próprios sentimentos tinham em mim. Estava numa fase em que a escrita era uma terapia. Surpreendentemente foi o poder da terapia que me levou a escrever mais vezes e a derivar para outro tipo de utilização da escrita.
Deixei então o profundamente meu para falar sobre temas mais abstractos, onde aprendi a balancear argumentos de forma a tentar aprender sempre algo em cada intervenção escrita e em permitir que os outros aprendam com essa intervenção.
Notei, contudo, que por me servir da internet para partilhar a minha escrita, o super povoamento deste meio com sites de propósitos análogos torna os textos banais aos olhos de qualquer um que procure ler uma composição própria, pois é exactamente isso que me acontece quando quero ler coisas de outros.
Não quero de forma alguma afirmar que considero aquilo que escrevo textos desprovidos de valor, de sentido ou de pertinência, mas apenas que a oferta excessiva desvaloriza cada tentativa individual de intervenção.
As palavras são autênticos carimbos, marcam o que somos mas, mais importante ainda, pintam a nossa personalidade para os outros, trazendo-a para fora e colocando-a ao dispor de quem a quiser conhecer.
Escrevo de forma impulsiva, a maior parte do tempo, sendo comum criar intervenções com base em ideias dispersas e fugazes que tenho quando estou desocupado ou me concedo esse tipo de libertinagens.
Não me sinto bem sem produzir e orgulho-me de ser movido por tal força.
A quem me ler, um muito obrigado, desde já.
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