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Sobre o balanço entre o esforço de (re)organização e o esforço de conviver com um mundo desorganizado, ornado por Primary Play (Power Boothe)


Primary Play - Power Boothe (2015)

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A braços no último mês com uma intensa e arrebatadora atividade de formatação e organização de textos diferentemente produzidos por centenas de pessoas apesar de terem todas elas recebido as mesmas instruções iniciais, sensibilizei-me com reforçado ânimo para a importância de se assegurar harmonia no mundo. Embora não costumemos ver assim as profissões, várias delas são específicamente centradas na organização, asseio, triagem, manutenção da ordem, enfim vocacionadas para o assegurar e responder à necessidade de tranquilizar e estabilizar a alma e a disposição emocional das comunidades envolvidas.

Porém, há um desgaste associado ao esforço de organizar as coisas, desde logo porque o mesmo não produz um prazer imediato que nos faça querer fazê-lo por ócio. Para além disso, sedentos como estamos da aparência de novidade, a organização das coisas é um processo de revisita e, como tal, nada aliciante para os mais sequiosos da sensação de novidade. Porém, vendo as coisas do outro lado da barricada, há um esforço (crescente) associado a ter de se conviver com a desorganização (crescente). A pessoa que caminha pelo mundo sem o organizar corre o risco de começar a sentir a passada mais lenta e custosa, enredando-se inesperadamente em pontas soltas e desarrumadas que lhe causam perdas de tempo, confusões, conflitos, etc. Podem surgem na forma de ideias, objetos, memórias, compromissos, emoções, sonhos.

Dito isto, a organização da vida, seja limpeza do espaço físico, formatação de documentos segundo um formato padrão (o meu caso no último mês), ou mesmo a arrumação mental das ideias é uma tarefa que pese embora o que custa, acaba por compensar. Para a fazer há que encarar o que está desalinhado e sujo e investir no reposicionamento criterioso desse elemento. A repetição desta atividade trará um cumulativo de paz interior. Talvez por isto os japoneses tenham inscrito na sua cultura rotinas diárias de limpeza de casa, espaço público ou local de trabalho.

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Sobre a alimentação ao serviço de disputas filosóficas, ambientais, religiosas, políticas, e outras, ornado com 'Natural selection' (Bo Bartlett)


Natural selection - Bo Bartlett

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De entre as necessidades fisiológicas do homem, a alimentação é porventura aquela que mais espelha a riqueza e heterogeneidade de entendimentos e comportamentos inerentes ao progresso da atividade humana enquanto civilização global. Os alimentos têm hoje conotações filosóficas, ambientais, religiosas, políticas, científicas, televisivas, e outras que tais. Por este motivo, aquilo que comemos é atualmente uma fonte de informação, que pode evidenciar com relativa clareza as convicções políticas, religiosas, industriais, etc; a falta delas; ou a incoerência entre elas.

Falemos da globalização (revolução digital). Esta escancarou a porta ao entretenimento dirigido ao nicho da gastronomia. Temos reality shows centrados na confeção multinacional de comida  temos programas de turismo centrados na divulgação do que se come em cada sítio, e estilos de vida altamente propensos à pontuação de restaurantes e ao culto ao empreendedorismo na vertente da oferta gastronómica das cidades. Temos o enraizamento de comida não-nativa como o novo normal.

Acrescem a tudo isto as interseções do tema da carne (tipo de animal, leite) com problemáticas como o aquecimento global ou o necessário diálogo e convívio inter-religioso. Ou a estranha lógica do rótulo bio ("saudável" porque minimiza o selo industrial) com os suplementos e comida tipo fármacos ("saudável" porque permite estrito controlo industrial sobre a composição nutricional e não só). E há ainda o vegetarianismo, o veganismo e a crescente disputa filosófica em torno da nova posição do homem face aos demais animais. Por tudo isto, a alimentação é hoje uma necessidade fisiológica ao serviço de necessidades não fisiológicas, com o risco de ser arma de arremesso ou escudo de defesa.

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Sobre o que se diz, pensa, ou expressa num clímax desportivo, a operacionalização subjectiva da justiça, e o álibi da discriminação pessoal




Oneness of space - Kishio Suga (2008)

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A recente polémica em torno de uma jogadora de ténis norte-americana de grande nomeada que fez uma birra perante uma sanção disciplinar invulgar do juiz (por sinal de nacionalidade portuguesa) impôs-se como uma enorme oportunidade mediática para discutir racismo, feminismo, desportivismo, conservadorismo, e outras causas que tal.


Ressalvaria deste caso duas coisas que mostrama relatividade e diversidade cultural humana. Em primeiro lugar, no ténis parte-se recorrentemente a raquete em sinal de protesto, fúria ou simples descontentamento. Já no estilo musical rock parte-se não raras vezes a guitarra como forma de manifestação de clímax, derradeiro desfrute, transe de prazer. As emoções humanas socorrem-se do que está ao dispor e tomam controlo das pessoas sempre que a parada está alta, seja num concerto de rock ou num torneio de ténis. Tais momentos estão longe de ser aqueles em que um ser humano se encontra em recomendáveis condições de revelar sensatez, pelo que o melhor é não sobrevalorizar que neles se diz, pensa, ou expressa.

Em segundo lugar, do que entendo da justiça civil, sempre que um dado tipo de caso é julgado favoravelmente ou não favoravelmente pela primeira vez isso abre um precedente (jurisprudência), marcando as probabilidade futuras de que tal decisão se venha a repetir. No desporto não existe propriamente jurisprudência (creio) mas isso não invalida que possam existir momentos em que o juiz, dentro da sua subjetividade de interpretação da lei do jogo, possa abrir um precedente e penalizar o que habitualmente não levava a condenação. Não é recomendável que se confunda isso com formas de discriminação ou partidarismo.

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Sobre o livro 'Um Gentleman em Moscovo' (Amor Towles) e o Russian Dream de continuar a ser aquilo que à força a ideologia quer despojar




O livro Um Gentleman em Moscovo, do norte-americano Amor Towles, é uma longa história que orbita em torno da personagem Aleksandr Rostov, um aristocrata russo que se vê em prisão domiciliária no prestigiante e vasto Hotel Metropol por um período de nada mais menos do que metade da sua vida. A história ficcionada avança sincronizada com a história da Rússia no período narrado (começando em 1922), o que permite entrelaçar diferentes elementos sobre esse país: o valioso património cultural russo, as traços identitários e característicos da elite aristocrata da Rússia Imperial, e as mudanças sociais e económicas em curso na Rússia rumo à ditadura do proletariado.

Pessoalmente, muito apreciei a escrita ritmada, criativa, surpreendente do livro, mas considerei a história longa demais na segunda metade do livro. Em todo o caso, o final é convincente e muito bem gizado. Acresce ainda que a obra consegue intercalar de modo exemplar momentos de romance ficcional, com notas históricas e opiniões do autor sobre as mesmas, e ainda todas essas com informações de cultura geral. Tudo com uma linguagem rica e revigorante que torna a leitura prazerosa mesmo nas partes da história menos pujantes e aliciantes.

Como nota de reflexão, Um Gentleman em Moscovo apresenta uma proposta de vida erudita mas acessível, bem disposta mas firme, e assente na força dos princípios cavalheirescos para a personalidade, capazes de deslocar a realidade para contextos de respeito, apreço, fraternidade, e sorte. Rostov é um ser ao serviço da vontade de viver, e a vida acaba por premiá-lo de múltiplas formas por não se ter deixado derrotar pelas vicissitudes históricas desfavoráveis para uma pessoa com a sua genealogia. À sua maneira vive o Russian Dream: continuar a ser aquilo que à força a ideologia quer despojar.
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Sobre escolher o mundo ou ser-se escolhido por ele, ornado com 'Head' (Arshile Gorky) e ao som de 'Incompatible' (Beady Belle)

Head - Arshile Gorky (1931-1934)

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"O espírito de Palomar oscila entre dois impulsos contrastantes: aquele que tende para um conhecimento completo, exaustivo, e que apenas poderia ser satisfeito experimentando todas as qualidades de queijos; e o que tende para uma escolha absoluta, para a identificação do queijo que é o seu, um queijo que certamente não existe, mesmo que ele ainda não o saiba reconhecer (não saiba reconhecer-se nele).

Ou então, talvez não se trate de escolher o seu próprio queijo, mas sim de ser escolhido. Existe uma relação recíproca entre queijo e cliente: cada queijo espera o seu cliente, toma a atitude mais indicada para o atrair, com uma firmeza ou granulosidade um tanto ou quanto altivas. Ou, ao contrário, derretendo-se num abandono de quem se rende."

Palomar - Italo Calvino

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Sobre a floresta de Babel, e em como os incêndios são o exemplo da falta de concórdia em Portugal


Ampulheta - Isaque Pinheiro (2013)

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Os incêndios são a Torre de Babel portuguesa. Não só porque alcançam dimensões e escalas que alcançam os céus, mas também porque pura e simplesmente ninguém se entende. Lavra o fogo dias a fio num local e temos horas e horas de pontos situação, declarações políticas, debates com individualidades especialistas ou bem-falantes, e opiniões em direto de cidadãos indignados ou assustados.

A complexidade do assunto dificulta que desse caudal de informação se consiga espremer um sumo coerente, inequívoco e certeiro, capaz de agradar ou tranquilizar a toda a gente. Reza a história da Torre de Babel que Deus terá deliberado que pessoas que falavam a mesma língua passassem a falar línguas distintas, o que desencadeou um enorme problema de entendimento e consenso entre os mesmos homens. A questão que se coloca é: não estaremos também nós, portugueses, a falar deliberadamente línguas distintas só porque não somos capazes de falar uma só?

Pela floresta portuguesa a mãe Natureza tem vindo a autoinfligir-se danos na sua epiderme, os quais são depois objeto das mais variadas e acaloradas discussões, desde a gestão das espécies vegetais à gestão das corporações de bombeiros, da eficácia dos meios aéreos à necessidade de assacar responsabilidades políticas e corporativas. Tal como a Torre apontava os homens ao céu - quando o seu lugar e enfoque natural é a Terra - também os fogos deslocam os homens para fora da concórdia e da cooperação sincera que cidadania partilhada lhes deveria incutir. Não é preciso queimar tudo e todos, sem apelo nem agravo, para se poupar a floresta do fogo. Talvez o desafio verdadeiro que o fogo nos suscita enquanto povo seja o desafio da concórdia.
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Sobre nobres razões não-monetárias para se manter um blogue, e a turbidez mental ocidental na utopia do lucro



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Na qualidade de blogger há mais de uma década, manifestei-me recentemente em fórum próprio contra uma forte tendência que leva inúmeras pessoas a quererem iniciar ou avaliar blogues tendo como principal mote a monetização dos mesmos e a propiciação de lucro com a atividade de publicar. O meu insurgimento resultou de me parecer haver uma autêntica avalanche de expectativas capitalistas e de começar a ser difícil preservar na memória colectiva que é possível e legítimo ter projetos editoriais pessoais sem que o sucesso ou continuidade destes tenha de ser afinado pelo diapasão dos retornos monetários.

Nessa mesma crítica, invoquei quatro missões não-monetárias passíveis de ser abraçadas em qualquer projecto pessoal, a saber: fazer trabalho voluntário; ser um educador/pedagogo; promover a cidadania ativa; e constituir uma fonte de inspiração para os outros. Apesar de poderem ser conciliadas com formas de monetização (fica ao cuidado e critério de cada um), a aposta numa ou várias destas quatro missões remete o esforço e a dedicação para domínios nobres e porventura intangíveis, capazes de tranquilizar aquele que publica relativamente ao seu contributo para a comunidade, e de o motivar a perseverar independentemente dos caudais de leitores e seguidores que granjeie.

É que na base desta distorção das coisas está uma febre por lucro que vamos encontrar hoje como esteio primordial do pensamento ocidental: uma espécie de simbiose capitalista e tecnológica, que se alimenta de progresso na busca do Santo Graal do sucesso económico enquanto sinónimo de felicidade. Nesse rumo, como que o sucesso económica nos salvará das maleitas mundanas, dos outros e seus planos, e de nós mesmos (emocional e intelectualmente falando). Pelo meio definham formas de estar nobres, sadias, e poderosas, que desde os primórdios da humanidade nos acompanham e fazem felizes, e que muito pouco têm que ver com o tilintar de moedas ou com o imprimir de extratos bancários.
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Sobre a monocultura e a policultura, e o denominador comum deste debate na agricultura, educação e cultura, ao som de 'Fields of Gold' (Sting)


Open Door - Helen Lundeberg (1964)

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Contactei recentemente de forma mais substancial com o embate ideológico existente em torno da visão para agricultura que opõe os defensores da policultura ao status quo industrial da monocultura. Excusando-me a desenvolver o que sei ou não sei sobre as diferenças técnicas, políticas e filósoficas de cada corrente, prefiro concentrar-me no paralelo legítimo que se pode traçar com os embates que outros travam em quadrantes diferentes da sociedade, como são o da educação e o da cultura.

É que quem defende as policulturas na agricultura, defende a liberdade de deixar nascer e crescer o que naturalmente (local e tempo, logo conjuntura) encontra condições para vingar. Falamos da chance de colher o que cada a época (cada geração, cada era) dá de melhor, e da chance de diferentes espécies cohabitarem e se autoprotegerem naturalmente pelo efeito de grupo, que previne pragas absolutas (leia-se de conhecimento e maleitas) e razias de desempenho (leia-se competências e ideologias). Veja-se então o que sucede na cultura e na educação (à falta de mais exemplos), e se muito do questionamento do status quo atual não incide também ele no combate à uniformização  (monocultura) excessiva dos métodos formativos ou na hegemonia e viralidade de uma cultura musical, cinematográfica, alimentar, estética (e outras) que aprisiona as preferências na estreiteza e especificidade que se permite e celebriza.

Veja-se também o modo como o embate da monocultura vs. policultura tem, no universo agrícola, a mesma dificuldade em afirmar-se que a educação ou a cultura têm no questionamento dos respetivos status quo. Os argumentos da rentabilidade económica imediatista e da utilidade objetiva  superam expectativas de ganhos imateriais a médio ou longo prazo, e as discussões perdem-se na utopia de um futuro melhor vs. no pragmatismo de um curto prazo mais eficiente e lucrativo. A multidisciplinaridade técnica e específica destes diferentes domínios e áreas societais não consegue ocultar que a batalha é a mesma, e que há sempre quem não deixe de imaginar um mundo menos ditatorial e mais respeitador da multiplicidade de forma e conteúdo, balizado pelo respeito ao próximo e à natureza/universo. Só assim o mundo pula e avança.

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Sobre o documentário 'Wild Wild Country', o guru Osho e o seu projeto de Rajneeshpuram, ao som de 'Land of Hope and Dreams' (Bruce Springsteen)



Os reinos da espirtualidade, tipicamente traduzidos na forma de religiões ou de associações catalogadas como seitas ou bandos, deparam-se invariavelmente com problemas de coerência decorrentes do desafio da plasmação prática dos preceitos espirituais que preconizam. É que a operacionalização de uma fé, doutrina ou ideologia implica o alargamento da teia de relações e causalidade à complexidade do mundo real, mundo esse que carece de uma leitura e interpretação (ou seja, construção de perspetivas) unívoca, cenário que se torna pródigo em erros de posicionamento e impossibilidades de consensualidade.

Esta convicção foi particularmente bem cristalizada após visionar o documentário Wild Wild Country, em torno a comuna norte-americana Rajneeshpuram, construída de raiz para albergar o guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh (Osho) e seus seguidores, e fundada numa remota localidade do estado do Oregon. Naquela que foi algures chamada de experiência social com vista a provocar um despertar de consciência nos EUA, esta comunidade cresceu sobre regras morais próprias e numa lógica de autonomia e sustentabilidade, mas rapidamente colidiu com a envolvência - as comunidades locais - que não partilhavam os mesmo valores e que a viu como empecilho.

Da paz à guerra é uma questão de muito pouco tempo, e nem aqueles que tentam plasmar na Terra preceitos espirituais pacifistas conseguem, em verdade, fugir à inevitabilidade de que a Terra é por norma palco da imperfeição e das consequências dessa imperfeição. Osho e a experiência de Rajneeshpuram, pese embora os vários erros cometidos, ficam para a história como uma bem sucedida experiência social centrada na partilha ideológica da espiritualidade, que mostrou como uma comunidade consegue sentir-se livre mesmo não estando sempre em democracia, desde que os ideais fundacionais sejam genuínos e prevaleçam na maior parte do que se pense, diga ou faça. O resto é ruído, política, e luta de egos.


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Sobre haver cepos e cepos, e não ser claro o que pode significar, afinal, "ser-se um como um cepo"


Collision of Accumulated Progression - Kishio Suga (2009)

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A palavra "cepa" está associada a raízes grossas (sobretudo de videira). Já "cepo" remete para troncos cortados transversalmente, que se mantêm ligados à terra e ao sistema de raízes mas que não possuem o fulgor vertical característico dos ramos e ramagem. Apesar ser sinónimo de estagnação e ausência de consequência, a vida só não é possível com oposto do cepo, ou seja, estruturas vegetais que se mantenham vivas só com um bocado de tronco mais o sistema de ramagem (sem raízes). Posto isto, a vida é melhor preservada na forma de "cepo" do que no seu oposto. Claro que no meio, e preferível, é poder contar com a estrutura completa: raízes, tronco e ramos com folhagem.

Acontece que a vida e as estações do ano não permitem que a folhagem, floração, e frutificação se aguentem permanentemente nas plantas (tal como em todos nós), conduzindo a períodos em que o tronco e a raíz prevaleçam (e eventualmente alguns ramos), e aguentem a planta. Acresce a isto a invenção funcional da poda, que reduz o desperdício de recursos da planta (e do homem) e que permite reorganizar as energias para pontos de desenvolvimento mais estratégicos. Há árvores que depois de podadas ficam "cepos" autênticos, mas isso não quer dizer que não voltem a ramificar, ganhar folhagem e frutificar. Estão apenas em transição. 

Postas estas considerações, não é assim tão óbvio que a associação de alguém à imagem de um "cepo" seja de todo um desprestígio. Cepos há que são exemplos de eficiência na manutenção da vida, crescendo com menos ambição e mais tino, expandido-se apenas dentro do razoável e necessário, e preservando na sua moderação um sábio sentido de vida pouco assente na competição desmedida pela exuberância e pela grandeza. 
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