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Sobre a igualdade parental

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Acompanhava há dias uma emissão radiofónica dedicada ao tema da igualdade parental, isto é, aos direitos que pais e mães detêm sobre as crianças e adolescentes em termos jurídicos. Não consegui evitar surpresa ao reparar que uma discussão que à partida podia ser tida abstractamente como consequência da evolução das mentalidades, estivesse sentenciada pela aura dos divórcios e do quanto esta questão afecta a vida de um casal desavindo.

É com este antecedente que me proponho a discutir a forma como os casais tantas vezes sonegam uma questão mais importante do que os próprios votos de fidelidade, arriscaria de dizer, que é a questão da responsabilidade (ou mesmo fidelidade) perante os filhos e a salvaguarda dos interesses destes.

Certamente que poucos desconhecerão a célebre afirmação pública de fidelidade por que passa a celebração do matrimónio, que termina com um “até que a morte nos separe”.

Este ritual dramático não só tende cada vez mais para um simbolismo ornamental como secundariza a responsabilidade perante a descendência directa que resulte desse matrimónio. Nesse particular, não são tão mediáticos os votos sobre os filhos gerados pelo casal, se é que de facto tais votos existem.

Para quem sortudamente está alheio ao fenómeno dos divórcios e da partilha dos filhos por parte dos progenitores, falar da parentalidade sob o prisma do litígio relacional é um pouco servir-se de uma discussão mais geral e concentrá-la num problema concreto que é marginal à mera gestão dos divórcios. Interessa hoje saber se os direitos dos pais podem ou devem ser igualados aos das mães, por força da emancipação da mulher e do esforço pela homogeneização cultural dos dois géneros. Esta é uma discussão à qual não nos devemos furtar, e que a meu ver não merece ser conduzida para os terrenos da querela familiar apenas para servir interesse sobre a tutela de menores.

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Sobre um exame muito singular

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Na sexta-feira passada, da parte da manhã, fui sujeito a uma inesperada prova de carácter, concretizada na forma de um exame universitário cuja supervisão por parte do docente foi subtraída ao acto da examinação.

Admitindo que a actividade escolar começa aos 6 anos, quando se chega aos 22 anos de idade totalizam-se 16 anos de escola, tempo suficiente para interiorizar as ideias-chave dos deveres do aluno e da lógica de funcionamento da instituição escola/universidade.

Encene-se mentalmente o episódio: o aluno prepara-se para o exame, chega à sala e é confrontado com um professor que frisa a idade e experiência dos alunos nestas andanças para que não seja preciso ficar alguém a fiscalizar as actividades na sala de exames. Após a saída do docente, a sala de exame virou palco de várias reacções: gente que se riu, gente que falou, gente que gesticulou mas também gente que procedeu exactamente como se procede no início de um exame, começando a ler o enunciado silenciosamente. A prova de carácter residiu na batalha entre a tentação e oportunismo de consultar os colegas ou apontamentos no sentido de responder às questões do exame, versus o respeito pelo código de conduta esperado num estudante digno e eticamente virtuoso. Muitos resistiram à cedência, mas acabaram por fraquejar devido à constatação do cedência plural do grupo, isto é, perderam o pudor devido à diluição da sua culpa no seio de uma maioria que sabia estar a desrespeitar as normas.

Houve quem não se apercebesse, por exemplo, que copiar é uma liberdade que lhe assiste, mas que daí a afirmar que o docente a isso levou, seja uma perversão da verdade. Houve também quem desconhecesse que corromper a conduta esperada é de facto uma liberdade individual, mas que se isso implicar ruído para os ouvidos dos que não o fizeram, talvez se esteja a mexer com os direitos ao silêncio dos outros.

Não esquecerei este exame: porque a matéria em causa até nem valia tanto para a avaliação final, o verdadeiro exame, se assim quiserem, foi de natureza moral, e nesse não chumbei.

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Sobre a ousadia social de um idoso que conheci

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Confesso-me um generoso admirador das apetências sociais de alguns portugueses já com a sua idade, gente que prima por uma postura pública que para mim é exemplar, fundamentalmente pela concretização oral das suas observações, uma fácil criação de conversa que se afigura inesperadamente natural e surpreendentemente prazerosa.

Foi nesse contexto pessoal que fui surpreendido pelo senhor Américo Silva, um idoso de boa dicção e cuja bagagem cultural eu pressupus mal o ouvi falar. Conheci-o hoje na sala de espera do Hospital de S.João. Com uma calma e naturalidade que eu não conseguiria ter na abordagem a um estranho, fitou-me enquanto lia O Ano da Morte de Ricardo Reis, e disse-me: “O senhor desculpe, por acaso está a ler o Caim?”. Este foi um ponto de partida para uma conversa que durou mais de hora e meia, e que me alheou por completo das demais pessoas, e do tempo si.

O senhor Américo deve ser daquelas pessoas que viveram uma vida habituados ao contacto pessoal, familiarizado com a abordagem directa a pessoas: notei isso pela forma respeitosa como encarou as minhas opiniões, e como foi conquistando a minha confiança pela valorização do que lhe dizia. Hoje em dia estudam-se técnicas de comunicação, saber como falar numa entrevista de emprego, como falar em público, e eis que tive eu uma aula dessa natureza gratuitamente. Falámos privilegiadamente de religião, mas também de ciência, da vida, de Portugal e do mundo.

Eu olhava para a sala de espera do Hospital e pensava o que estariam a pensar as outras pessoas, gente que certamente aguardava a alta de familiares ou notícias que poderiam até nem ser positivas. Pois bem, eis que me rendi ao Senhor Américo com toda a sua vontade de comunicar comigo, e me abri com ele falando do que pensava sobre as matérias que o mesmo ia levantando. Acredito que ambos aprendemos, como de resto é esperado que acontece quando um jovem e um velho comunicam abertamente e honestamente. Bem haja, Senhor Américo, pela sua ousadia social.

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Sobre a blogo-amizade*

* Fareleira Gomes escreveu um texto na qualidade de Amigo do 3vial e é o oitavo participante desta iniciativa:

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A internet á a expressão máxima do poder criativo e inventivo do homem. Nunca nenhuma ferramenta por si criada atingiu a dimensão que a internet alcança, não só pela capacidade de armazenamento de informação que contém, mas principalmente pelo poder de comunicação que permite à humanidade.

Muito embora tenha resistido, durante muito tempo, à adesão a esta poderosa criação da mente humana, talvez inibido pelo descomunal alcance que lhe adivinhava, pois a minha geração fez-se gente na limitação das coisas pequenas, por influência dos meus dois filhos acabei por ir descobrindo a net, lentamente, passo a passo, cuidadosamente, como quem caminha por um terreno minado, desconfiado, parando a cada canto, observando minuciosamente cada pormenor.

E muito embora continue a ser um mero aprendiz, crente em que nunca ascenderei a um patamar superior, descobri a blogosfera.

Nesta incomensurável multidão de páginas virtuais, navegando por ela, de vez em quando deparamo-nos com tristes blogues bolorentos, abandonados pela mente que os criou, agarrados avidamente à última mensagem que ali foi escrita, como se dela dependa a sua vida. Mas outros existem, e aos milhares, muitos milhares, que explodem de vida e criatividade. Neste oceano imenso é impossível a qualquer um chegar a todo o lado. Assim, dentro deste quase infinito universo, vão-se criando uma espécie de sistemas solares (vazios de estrelas), em que um grupo de blogues coabita, formando uma pequena comunidade, mesmo quer fisicamente se encontrem a dezenas de quilómetros, centenas, milhares, um oceano inteiro a separá-los.

E é fascinante vermos pessoas com os nomes mais esquisitos que se possam imaginar, e outros chamando-se a si próprios nomes de gente (restando saber se são os seus verdadeiros nomes), trocando ideias, comunicando sentimentos e experiências, dentro desse exíguo sistema solar, cimentando amizades, que por vezes têm mais substância do aquelas que , realmente, comungam connosco o quotidiano. A dado momento começamos a sentir necessidade de abrirmos a janela da nossa nave espacial, o computador, e colocarmo-nos em comunicação com os outros planetas que perto de nós gravitam, mesmo que estejam num outro continente - os nossos amigos, que nunca vimos, que provavelmente nunca chegaremos a conhecer, mas que, fabulosamente, preenchem um pouco da nossa vida, fazem um pouco parte dela.

Esta é a magia da blogo-amizade. Sendo virtual, enriquece a realidade.

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Sobre uma possível nuance no ensino

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Desde o início do desenvolvimento do meu espírito crítico, que me sirvo da experiência pessoal no percurso escolar para problematizar aquilo que é o ensino e o que lhe está no cerne. Foi portanto no seguimento deste trajecto que vislumbrei um pequeno detalhe do processo de ensino escolar, aplicável também à aprendizagem quotidiana não escolar, e que porventura será menos árduo de explicar recorrendo exactamente a esse campo de aplicação não académico ou escolar. Vejamos: se inquirimos um indivíduo menos erudito relativamente à apreciação de uma composição de música clássica ou de uma pintura de surrealista, será previsível expectar uma resposta pouco fluida e trôpega no assumir-se de uma perspectiva sobre o assunto. Convenhamos que é natural que assim seja.

A nuance que despertou em mim algum desvelo consiste na consideração do que acontece quando a esse mesmo indivíduo é apresentada não uma mas duas composições distintas de música clássica ou duas pinturas surrealistas distintas. Neste novo cenário o indivíduo terá provavelmente menos hesitação e embaraço no comentar as matérias em causa. E porquê? Exactamente porque no segundo caso a questão é trazida para os terrenos da relatividade. Quando somos confrontados com o absoluto a mente dispersa e perde-se o norte que a guie com agilidade.

Dito isto importa realçar como no processo de ensino certas disciplinas se servem desta nuance sobre o relativo, repetidamente, enquanto outras apenas raramente perdem a sua focalização no absoluto. A questão não tem a ver com a natureza das disciplinas ou matérias, antes com a estrutura de ensino, a forma como se estruturam os conteúdos. É ridiculamente mais fácil falar sobre os peixes contrapondo-os aos mamíferos, do que declarar o que estes são sem transportar a questão para terrenos da relatividade.

Para mim esta matéria explica em parte porque motivo certas disciplinas provocam problemas aos alunos e outras não: é contra natura viver no absoluto, eles sabem-no.

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Sobre a utilização de expressões religiosas

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Tendo-me transformado num indivíduo nada crente na existência de um deus, pelo menos na acepção religiosa da palavra, tropeço por vezes na utilização de expressões religiosas culturalmente incutidas no leque discursivo dos portugueses, e costumo indagar-me quanto à legitimidade e justificação da sua utilização.

Duas dessas expressões são as comuns “valha-me deus” e “deus me livre”. O problema destas forças de expressão não está tanto na referência ao divino, antes na implicação de quem as enuncia com o divino. Como pode valer deus a quem não acredita que ele exista? Como poderá deus livrar alguém do que quer que seja se esse alguém admite a inexistência da dimensão deífica?

Ora é com esta trama argumentativa que surge a confusão de se ser apanhado a utilizar expressões como as referidas. Se é verdade que desconfio que o meu interlocutor geralmente não se apercebe da minha reticência sobre a utilização, também o é que quaisquer que sejam as suas convicções religiosas, o objectivo semântico da formulação é atingido sem dubiedades de assinalar.

Aquilo que num registo mais distante nos poderá convocar para discussão é a tese que aquando da utilização destas expressões, a referência a deus está lacrada em termos de conexão com a crença religiosa. No fundo, quer isto dizer que nos valemos destas interjeições concentrados na manifestação de ânimo em contraposição das implicações identitárias com a significância da expressão.

Já falara antes da dificuldade em anular os indícios religiosos no estado, mas o caso exposto revela que, em termos culturais, também na sociedade está patente uma dimensão religiosa que ganha visibilidade quando no uso da língua há o cuidado de espelhar as convicções e os ideais de um indivíduo.

Ainda não encontrei resposta para esta questão, porque o desconforto de proferir expressões falsas para mim é acalmado pela sensação de objectividade na transmissão do discurso.

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Sobre a escrita e a perda de carácter de escritor

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Identifico em mim uma certa tendência para criticar, no campo intelectual, a perversão que costuma ocorrer em certas matérias que são alvo de comercialização, as mesmas que, acredito eu, têm responsabilidades que deveriam ser salvaguardadas a qualquer custo.

A escrita é uma delas, quando passa a ser comercial destroça-se, perde-se.

Ressalvando desde já as assinaláveis diferenças entre a escrita de livros e a escrita meramente em sede da blogosfera, refira-se que, no mundo dos blogues, pela ferramenta que contabiliza os visitantes, os textos do blogue que foram visitados e o tipo de pesquisa que se efectou nos motores de busca, pode haver um tendência para a perversão da elaboração espontânea dos textos, no sentido de ir ao encontro dos leitores.

Poder-se-á alegar que não é de todo malévolo adequar o discurso ao público, e que se trata unicamente de uma vontade de fazer a coincidir a oferta com a procura, fazendo todos felizes, alegação essa que eu respeito embora coloque as minhas reservas.

A partir do momento em que uma cadeia de escrita é invertida na sua lógica de publicação através da escrita e publicação de textos que agradam ao público mas que não reflectem de todo o querer e os estímulos daquele que se dedica à redacção, algo está irremediavelmente perdido: o carácter do escritor. Estou certo que poderei ser invectivado no sentido de se me fazer notar que é perfeitamente possível que o autor afine o seu querer temático e passe a conciliá-lo com o do seu público, mas será apenas jogar com parte do baralho. Exemplos há, no universo dos livros, de autores que ao encontrar como que a fôrma de bolos do sucesso, dentro da qual elaboram os seus livros, não mais a largam ora por vício ora por medo. Eles sabem que é dela que o público gosta pelo que perdem a ousadia de se revelarem conforme são.

Também eu, neste espaço onde escrevo, tenho a noção de quais são os temas que mais promovem as visitas de leitores, basta-me consultar diariamente as estatísticas, mas abdico de perverter a minha escrita e assim perder o meu carácter.

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Sobre a poligamia e as relações actuais

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A entrada no novo ano lançou-me na perseguição da explicação para a forma como as pessoas actualmente se relacionam amorosamente umas com as outras, e quase estupefacto fiquei quando me apercebi de que existe uma via argumentativa que se me afigura agora plausível mas que é inédita nas minhas investidas sobre o tema.

Tomando em consideração a existência de uma tendência para múltiplas relações curtas, entendendo por curtas um espaço temporal que não transcenda um lustro de anos, pergunto-me se esta não é senão uma via esteticamente encapotada de se instituir informalmente uma variante moderna da poligamia.

Cheguei a esta ideia porque me dei conta de que é errado falar-se numa incapacidade actual para aguentar as relações. Abordar a questão nesta perspectiva certamente invoca os factores culturais da sociedade, a evolução dos valores, os ritmos de vida moderna, mas retira de cena o papel activo dos intervenientes das relações, com particular ênfase naquilo que será a vontade de cada um deles.

O meu acidental esbarrar no conceito de “variante moderna de poligamia” resulta do crescente acreditar na existência de uma vontade generalizada de poupar paciência e energia com alguém que começa a conflituar ou gerar atritos connosco, ou que pura e simplesmente deixa de nos arrebatar hormonalmente falando.

Assim, ao invés de se andar na senda da extraconjugalidade, prática que imperou clandestinamente durante séculos – arrisco dizer - porventura como a forma de concretização do desejo de poligamia, os dias de hoje são outros e uma nova prática está na moda. Considerando o assunto nesta perspectiva, a qual certamente está condicionada a um lado da moeda apenas, talvez o crescente número de divórcios possa em alguns casos representar o reconhecimento de que o modelo antigo de casamento e extraconjugalidade não mais granjeia adeptos. Para esses, nada melhor do que não trair um cônjuge para satisfazer a sede de poligamia, antes ir traindo à vez, vez após outra.

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Sobre a pobreza temática na (nova) produção de música ligeira



Koi in four seasons - Adrien Brody (2016)

* * * 

A música é talvez a expressão artística mais presente na vivência diária, embora na maioria dos casos surja como complemento ou mesmo suplemento de outras actividades e não como actividade principal sobre a qual recaia a nossa atenção em exclusivo.

Aquilo que motiva este texto, foi o ter-me apercebido que no universo da música cada vez mais se identifica uma escassez de diversidade temática e uma tendência para o afunilamento no sentido de coisas óbvias e fáceis.

Se na pintura, escultura, cinema, fotografia, etc, é comum encontrar artistas que se dedicaram a temas e assuntos variados e distintos, a música parece resistir à globalização temática e orbitar esterilmente em temas como o amor, a paixão, os relacionamentos, os quais por esta altura estão mais do que gastos devido à excessiva exploração e insistência.

De certa forma, a muitos cantores de hoje falta personalidade ou distinção. Os seus trabalhos acabam por parecer todos feitos da mesma essência, o que os solda a um padrão musical indiferenciado, um lugar comum musical.

Pode-se também especular se esta homogeneização temática não é culpa da voracidade comercial das editoras e/ou outros agentes com algo a ganhar, que acabam por exigir aos cantores uma determinada estética métrica nos seus trabalhos, que certamente mata a criatividade temática. Independentemente da proporção de distribuição de culpas sobre esta questão, a verdade é que a preponderância da exposição pública à música, comparativamente com as demais artes, tende a traduzir-se numa percepção privilegiada sobre a deterioração desta forma artística.

O ouvinte é habituado a um fast-food musical que o satisfaz a curtíssimo-prazo, mas que por força da pobreza temática ou lexical logo cansa e carece de substituição, transformando o universo musical numa selvagem luta pelos píncaros do sucesso à conta de tudo menos da qualidade.Talvez um dia ressurja a noção de que um artista musical pode ser comercialmente bombástico cantando sobre algo único, em vez de insistir mecanimetne no que está puído.

Publicação Original: 05/01/2010
Revisão: 28/11/2016
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