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Sobre as raízes culturais do medo no imaginário individual e colectivo

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Blue AK, 2013 - Christopher Schulz (2013)

Enquanto sociedade possuímos em nosso redor um vasto conjunto de objetos, fenómenos naturais e ideias, que nutrem negativamente as raízes do imaginário de cada pessoa, sendo igualmente os primordiais agentes de contenção dos cidadãos, por ventilarem permanentemente medo para a cabeça destes.

A que me refiro? Falo de cancro e de sida, de tubarões e crocodilos, de adamastores e lobos maus, de tremores de terra e tsunamis, de armas químicas a armas nucleares, enfim de tudo o que, por ser associado à dor e à morte, anestesia as pessoas por antecipação (em graus diferentes, claro está). Não são estes também os temas fortes de qualquer jornalismo (escrito, televisivo ou da rede) que se propõe reportar o que de mais premente há a dizer sobre a realidade e a sociedade? Quão relevante e necessário viver nesta construção de perceção? Sentimos efectivamente no dia-a-dia todos este problemas a desabar sobre nós? Devemos sentir? Então porque motivo se fala tanto deles?

Parece exigente de mais esperar que a sociedade, na pessoa de cada cidadão, perceba que existe a possibilidade de se aceitar que as doenças, os predadores, os vilões das histórias e os desastres, são tão naturais como qualquer outra coisa e portanto merecem tanta importância como qualquer outra coisa do mundo. O que ganhamos em contar quantos foram colhidos por um terramoto? Ou quantas pessoas faleceram com cancro? Ou quantas pessoas fora feridas no ano passado devido a tubarões? O que é que essa informação pode dizer sobre quem somos e para onde vamos? Não incutirá sub-reptícia e culturalmente um tremendo medo de viver, um incapacitante medo do amanhã? Porque é que esse medo tem de existir? Ele é bem-vindo para quem?

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