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Sobre a obra-prima que é La La Land, e a lição de que a música é o próprio amor, correspondido ou não

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Há filmes que estão ecrã certo, à hora em ponto, com a magia certa, e La La Land é esse filme. Narra uma tragédia com a beleza e as cores de quem, mais do que tudo, desfruta da vitalidade da vida e da musicalidade que assiste aos episódios que se desenrolam ao longo dela. Por ser um musical não é uma peça de cinema consensual, sobretudo porque a música, no grosso do cinema que ser produz na atualidade, há muito que foi despedida da nobre função de maestrina da ação, incluindo a divinal missão de comunicar uma ideia, mensagem ou sentimento através primeiramente de uma melodia e só depois de um texto.

La La Land comunga de Gatsby a ideia de “apostar toda a vida num só sonho”, jogada essa arriscada mas arrebatadoramente fascinante. De modo complementar, comunga de Matchpoint (do também fascinante Fitzgerald dos filmes - Woody Allen) a ideia de que há vários momentos na vida em que as coisas podem pender para um lado ou outro, com consequências inesperadamente boas ou más, e que esses momentos podem remeter-se a um só, tal como podem suceder-se numa improvável (mas possível) sucessão de desfechos negativos. 

Ficará para a história a harmoniosa mas sentimental melodia que é omnipresente à história, uma essência que convoca o requintado mistério da sentimentalidade amorosa, remetendo para o processo de descoberta desse canail, porventura numa juventude mais ou menos distante, dependendo da memória ou idade do espectador. Para mim, La La Land é obra-prima, não da técnica, mas da mensagem: a música liga as pessoas nas horas boas e nas más, e como tal é uma embaixadora da esperança humana. A música é o amor.

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