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Sobre a concessão de irracionalidade

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227903UACY_w Confesso-me apologista da racionalidade. Preocupam-me as implicações desta convicção, na medida em que reflicto regularmente sobre o significado desta apologia e a sua tangência na vida que levo e na consistência que a que procuro apossar-me.

Concretizando, cheguei à ilação de que se pode alcançar uma concessão de espaço à irracionalidade, pela rédea do que poderemos chamar de instinto, através da lógica. Sim, é possível pensar e concluir que é bom ser irracional de vez em quando, constituindo isto aquilo a que gostaria de chamar uma irracionalidade racional. Honra seja feita a este género de irracionalidade, visto que provém da actividade de um centro de problematização constante, como é o pensamento, pelo que aquele que chega à irracionalidade como conclusão da sua própria racionalidade, estará em bom caminho para não sentir remorsos sempre que se permita ser irracional.

O futebol representa cada vez mais a válvula de escape pela qual a tensão se esvai e por fim gritamos, explodimos em uivos. Aquele que é racional, poderia negar-se a esta festa de espasmos e suores reaccionais, mas se de facto conseguir perceber a importância do mesmo para a aliviação de tensões acumuladas e cuja saída possa estar a ser negada por outras vias, talvez seja possível conceber e como tal conceder momentos de irracionalidade conscientes.

Importa frisar que o elemento racional reside nessa consciência de que se está a ser irracional. Aquele que é irracional mas nem se apercebe disso, aquele que reage como sempre reagiu e nunca parou para pensar nisso, ou por não conseguir ou por não querer, esse não se insere no caminho racional.

No amor como nas artes, a irracionalidade tem o seu papel de motivação e manutenção de originalidade, atracção, paixão, ligação física, pelo não pode ser condenada racionalmente. Ao invés, saudemos essa janela, tornemo-la consciente, para que o edifício da racionalidade possa apresentar-se como o esplêndido produto da natureza.

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