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Sobre as concepções estéticas

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Imagem: Sacré corps III 2/5 - Anthony Mirial

Quando se fala sobre o assunto, muitas pessoas dão conta da enome irrealidade que paira nas concepções estéticas que se consegue identificar como cânones dos tempos modernos.

Surge depois uma certa confusão sempre que se procura afirmar que só uma minoria de pessoas tem os atributos realçados por essa linha mestra que rege o conceito de belo e perfeito, e que, por conseguinte, não se percebe porque motivo é o mundo governado por tais padrões.

Desarmados e despreocupados, aí estaremos nós algum tempo depois a olhar para actrizes, modelos, cantoras, entre outras, apreciando a beleza que emana da sua presença em nós. Esta inconsistência denuncia a nossa incapacidade de inverter a estrutura divinização estética.

Acontece que é exactamente o facto de a maioria das pessoas não ser assim que torna atractivo o conceito estético vigente. O facto de serem minoria representa por excelência a condição necessária para o estrelato, para o gaúdio generalizado.

As pessoas, contudo, não estão presas irremediavelmente a essa teia. Mediante o recurso propositado aos poderosos meios ao dispôr, os mesmos que promovem os padrões estéticos que vigoram, é possível criar alternativas, fomentar concepções díspares. Produções cinematográficas que cuidadosamente procuram heróis condizentes com aquilo que se pode entender por pessoas normais, como me parece ser comum no cinema francês, são de saudar.

Também no universo musical, o exemplo recente de um cantor que popularizou um refrão apologista da beleza das meninas gordas, permite inferir que estão mobilizados no terreno mentes que sabem o que é preciso fazer para acabar com este monopólio estético.

Para bem da saúde mental das pessoas, seria importante permitir o crescimento das alternativas estéticas, para que as pessoas deixem este regime de exclusividade que as faz suspirar por princesas e príncipes encantados irreais e insustentáveis fora do plano conceptual. A maior parte de nós, senão a totalidade, acabará por ser uma pessoa normal, a forma como nos vemos será de uma pessoa normal, mesmo que alcancemos algum dia o estrelato.

É esta normalidade que temos de começar a saber apreciar também, pois ela esconde um mar de outras belezas e perfeições que por ora andam eclipsadas

Publicação original: 26-01-2009 
Revisão: 14-08-2016

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