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Sobre as reivindicações sindicais

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Geralmente as batalhas por direitos são alocadas a sindicatos, que pretendem salvaguardar os interesses das classes que representam, fazendo-se ouvir nesse sentido.

Raras são as manifestações intensas e paralizadoras que não tenham fins laborais ou económicos atrelados. Tivemo-las há pouco tempo pelo encerramento de centros de saúde, ainda que de certa forma partilhem o cariz interesseiro que faz com que os manifestantes não estejam mobilizados pelo bem comum do país.

Os cidadãos poderiam juntar-se e reinvindicar melhores condições em áreas como a saúde, a educação, a cultura ou a justiça. Reivindicar a mediocridade de muitos serviços públicos, pelo único objectivo de fazer os políticos atentar ao assunto.

Porque não acontecem então, tais reivindicações? Pela simples razão de que o espírito interesseiro reina entre nós. Fazemos barulho se nos vierem chatear ou à nossa classe, mas nunca como produto de uma autónoma análise da realidade e respectivas necessidades. Os sindicatos não conseguem avançar com propostas que visem melhorar o campo profissional em que se inserem sem que seja para se trabalhar menos ou ganhar mais, eis o seu cancro.

E quando insisto nas carências nacionais para a prática da reflexão, proclamando-as nos meus textos, falo também disto, da incapacidade para as pessoas se sentirem mobilizadas para participar civicamente na melhoria das coisas enquanto portugueses que querem contribuir para o sucesso da sua nação. Contribuintes não deveria ser a designação exclusiva dos que pagam impostos, mas também dos que contribuem para o bem comum de formas não monetárias. Não basta pagar os impostos.

No ramo que me toca, os alunos somam à incapacidade nacional a imaturidade que os faz vítimas do sistema de ensino, na medida em que não têm capacidade de se afirmarem sequer da forma como os sindicatos fazem, quanto mais de forma construtiva para o bem comum.

Os alunos partilham com os utentes da justiça, da saúde ou da segurança social, o benefício de conhecerem empiricamente o sistema, o que corre bem e o que falha, pelo que esbanjam diariamente a possibilidade de contribuir para as reformas, que depois criticam nos governos, pela susceptibilidade de ferir os seus interesses. Mas aí já é matéria para sindicatos.

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