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Sobre a rastreabilidade de cada cidadão

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À medida que as tecnologias assim o permitem, o homem reconhece progressivamente o interesse de acompanhar o impacto das suas acções e decisões para lá do imediato e óbvio. Com isto surge a vontade do controlo em tempo real de praticamente tudo. As empresas sabem onde está a sua frota via GPS, as pessoas estão constantemente a perguntar-se via telemóvel “onde estás?”, os animais de estimação têm chips, e por aqui se vê a panaceia de segurança que isto gera.

Os ingleses têm uma expressão idiomática apropriada para designar esta maluqueira pelo controlo, que é o “keep track”. O desafio do homem está em perceber até que ponto deve ir nesta filosofia do controlo, isto porque nem tudo deve ser controlado apesar de o poder ser do ponto de vista tecnológico. Vem isto a respeito da recente discussão em torno da putativa obrigatoriedade de se instalarem chips nos veículos dos cidadãos para desse modo facilitar a cobrança de portagens.

Eu pergunto-me onde parará, dentro de algumas décadas, a liberdade de cada um querer ou não manter sigilo sobre a sua vida. Repare-se que um fulano que tenha telemóvel, tenha cartão de crédito ou débito, vá a locais públicos ou lojas que tenham câmaras de segurança ou use um computador com ligação à internet, vê a sua liberdade cerceada brutalmente na medida em que fica à mão de quem o quiser rastrear. Convenhamos que a vida de uma pessoa transcende aquilo que um extracto bancário ou uma portagem podem informar, mas não se pode negar que saber onde se gasta o dinheiro ou aonde e quando se vai é um enorme entrave à privacidade.

A minha preocupação a este respeito resulta mormente na cegueira que cada um tem a respeito do estado da sua privacidade, visto que não há como controlarmos o nosso próprio “keep track”. As informações ficam retidas em bases de dados alheias, sujeita a uma segurança que nem sequer conhecemos. Em algo como correio convencional poder-se-ia verificar se a correspondência foi violada, mas assim fica difícil.

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