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Sobre a teoria e a prática no turismo

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Tendo por base o intenso turismo que tenho vindo a realizar na região central da Europa, vi-me na encruzilhada de estabelecer uma analogia quanto a mim interessante. De facto, quando se faz turismo é-nos apresentado o dilema filosófico sobre qual dos domínios se sobrepõe em primazia e importância, se o da teoria ou o da prática.

Quando se visita uma cidade, podem-se adoptar duas abordagens extremas: ler sobre os sítios dignos de visita para depois os visitar, ou visitar os sítios com base na descoberta ocasional e ficar motivado para saber mais a seu respeito posteriormente.

Ambas as abordagens são combináveis num abordagem mista de leitura prévia e conhecimento do terreno, mas não deixam de constituir um exemplo daquilo que muitas vezes se discute a respeito do ensino, da ciência e da forma de se ficar especialista no que quer que seja.

Note-se que quem faz turismo assente na mera descoberta ao acaso dos pontos de interesse corre o risco de nunca chegar a descobrir os principais focos de interesse. Por outro lado, este tipo de turismo é mais susceptível de encantamento sensorial, visto conduzir à surpresa de descobrir no terreno algo inesperado. Ora tal risco e tal surpresa têm muito que ver com o risco que se corre em nunca aprender os fundamentos das coisas e em só alcançar uma perspectiva limitada e simplista de uma cidade, de um trabalho ou de um assunto. Porém, engane-se quem pensar que são só desvantagens: descobrir pela via sensorial o que nos era desconhecido racionalmente pode ser mais marcante para nós do que qualquer actividade que resulte de uma preparação prévia. Afinal, quem é que não gosta de se surpreender e de ser surpreendido com e por algo completamente inesperado?

Por outro lado, estudar intensivamente cada ângulo e cada prisma de um assunto, pela via do planeamento ou da esquematização pode conduzir a um tédio equivalente ao de ter de explicar o que é brincar sem nunca chegar a brincar verdadeiramente. Há quem faça turismo levado ao limite do planeamento, em que cada passo é mais do que definido. De certeza que tudo o que é relevante é visitado e visto, mas sem dúvida que o turismo pode-se tornar irreversivelmente aborrecido seguindo intensivamente esta via.

Posto isto, chega-se ao corolário deste texto, o qual nada tem de surpreende salvo o facto de se inserir na típica recomendação para o ser humano: moderação e equilíbrio. E tem sido precisamente esta a máxima que tenho tentado seguir nas incursões turísticas realizadas recentemente, com a vantagem de poder afirmar convictamente que, dentro do planos estabelecidos, inúmeras surpresas têm surgido, e ainda bem...

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