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Sobre a greve dos motoristas de mercadorias perigosas, e a cada vez maior importância de pessoas e profissões simples e banais para a ordem e equilíbrio geral das coisas

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A recente greve dos motoristas de mercadores perigosas lançou o caos em Portugal, expondo a todos uma verdade importante: num mundo cada vez mais interligado, as pessoas e profissões mais insuspeitas são inesperadamente importantes para a ordem e equilíbrio geral das coisas. É como se o barco da globalização, uma vez posto em marcha, não permita que os que estão em andamento abandonem as suas funções nesse veículo, quaisquer que sejam. Fica este alerta.

É pois com espanto que verificamos que gente tão vital para a garantia da normalidade funcional de um país possa estar refém de condições de trabalho precárias ou ardilosas, incluindo a inexistência de um seguro de vida (e saúde) para quem transporta diariamente material explosivo, cancerígeno, etc. É discutível se a imposição à força da greve obedece aos mais adequados pressupostos éticos, mas convenhamos também que é saudável ver grupos de pessoas reunirem-se para fazer valer os seus direitos quando essa tarefa é pertinente, e sobretudo quando o fazem sem a orquestração política que os sindicatos e seus maestros políticos promovem, desvirtuando a legitimidade e inocência das reinvindicações.

Por outro lado, é extraordinário como estamos dispostos a pagar principescamente a quem se destaque e entusiasme numa atividade (ex.: desporto) ou a quem conduza os destinos de uma enorme corporação; e ainda assim somos parcos em dotar de condições todos aqueles que, justamente, exerçam funções simples e banais mas vitais para o estilo de vida que levamos. As pessoas não deveriam ser levadas ao seu limite (de greve) para que lhes seja feita justiça, sobretudo quando convivem num mesmo país realidades onde há margem para aumentos sistemáticos de condições, e quando estas estão na dependência de profissões e profissionais que ao longo dos anos vêem a sua realidade estagnada e em progressiva precariedade.

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