Take Care Of My Pet - Saleh Abu Shindi- (1986)
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Há mais pessoas protetores dos animais do que pessoas protetoras do bom estado dos jardins públicos. Deixa-me contrariado saber de espaços verdes urbanos ou particulares a serem reiteradamente sobrecarregados de dejetos de animais apadrinhados ou adonados por concidadãos. Uma vez visitados pelos animais esses espaços deixam de poder ser livremente pisados, sentados, deitados por adultos, crianças ou bebés, sob pena de contactos indesejados e repugnantes com restos de urina e fezes.
Associo as pessoas que apreciam animais a gente com sensibilidades reforçadas, mas surpreende-me muito que tantas não entendam como os seus prezados animais podem arruinar espaços verdes pensados para conferir beleza e fruição da natureza vegetal a humanos. O que pensarão os cuidadores de jardins, sejam os profissionais ou os ocasionais de fim de semana, da ameaça que os animais domésticos representam às terras sob seus cuidados? Não entenderão os infratores que se dirigem de boa vontade para os jardins precisamente por serem espaços simpáticos e cativantes pensados por e para humanos?
Suspeito que a opinião pública, sob a força da maioria, tome hoje uma posição de bonomia face aos danos que os animais de estimação criam diariamente nos espaços verdes. Esses danos expropriam os humanos de espaços pensados para si. Pode um dono de animal sensato achar que um jardim e um espaço mais legítimo para o seu cão ou gato, do que para uma criança brincar ou adulto dormitar ao sol? Que folga de critério é esta que permite aos amigos de quatro patas uma suspensão de regras sobre direitos e deveres associados à convivência sadia em sociedade?
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