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Sobre o livro 'Ao Farol' (Virginia Woolf), e um manual de psicologia em formato literário centrado no lado implícito de cada pessoa



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Ao farol - da inglesa Virginia Woolf - é um livro de ficção que poderia muito bem ser um manual de psicologia. Centrada na casa de férias (junto a um farol) da família Ramsay, toda a história é um périplo pela perspectiva mental e opinião de cada personagem face aos demais, sejam eles da família Ramsay ou do núcleo de amigos que com ela priva na casa de férias.

O patriarca e a matriarca assumem os papéis principais, ele pela subtracção recorrente das cenas em prol da sua intelectualidade e jornadas de retiro mental para raciocínio, ela pelo calor humano e tacto com que gere o marido, os oito filhos e os convidados, cuidando que todos se sintam atendidos.

Woolf tem o mérito de enfatizar como as pessoas não são só o que explicitam, desde logo porque tudo o que está implícito em cada pessoa - sejam traços de personalidade, sentimentos, egos, ou  ideologias - condiciona silenciosamente as situações sociais (diálogos, decisões, iniciativas, preconceitos, hesitações) a ponto de poderem ter tanto ou mais interesse (literário) do que a descrição da ação e efemérides que as suscitam. A imagem de um farol, que tudo perscruta e ilumina, casa bem com a ideia-chave do livro.

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