Procurar:

Sobre o livro 'Confissão' (Leo Tolstoi) e o absurdo de se escrever um livro em desespero metafísico de causa

Share it Please
 It's not getting worse its a loop - Geoff Mcfetridge (2018

* * * 

"Confissão", do russo Leo Tolstoi, foi a minha estreia com o autor, e não posso dizer que tenha sido satisfatória e apaziguada. O livro não é de ficção, sendo antes um ancoradouro de pensamentos, perspetivas e aprendizagens que o escritor narra em torno do mistério do sentido da vida. Após ter experimentado o sucesso profissional e uma vida pessoal de privilégio, Tolstoi desespera por uma resposta convicente que o tranquilize e permita viver sem ter de ponderar o suicídio como inevitável.

De um livro espero sempre alguns requisitos base, e um deles é a organização. Quem escreve tem por antecipação todo o tempo do mundo para resolver conflitos e dúvidas que manchem a grande ideia que justifica a publicação do livro. Tolstoi escreveu "Confissão" sob angústia, desnorte, e vertigem de desistência. Procura aclarar os mistérios da vida agarrando-se inutilmente ao que sobrevive ao seu crivo racional, desde logo a fé e a vida assente no dogma, mas nem essas.

É possível que o mérito de um livro seja a problematização e uma enchurrada de arrasos a vários caminhos de falsa partida para processos de resposta. Porém, creio que Tolstoi deveria ter abortado a publicação deste livro, porque não chegou a lado algum com ele, e roubar o tempo de leitores para chafurdar no seu ziguezague emocional e anímico, é deveras espúrio. O voyerismo está longe de ser um farol para respostas de índole metafísica, mas é único prémio veiculado ao leitor nesta experiência de leitura.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...