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Sobre pessoas do tipo baleia que ora respiram à tona da realidade ora desaparecem para as profundezas de si mesmas

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Constellation of the Whale - Shay Bredimus (2014)

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Seja por motivos astrológicos, por expressão fenotípico ou por condicionamento cultural, há personalidades que exibem um funcionamento para com os assuntos e pessoas que em tudo lembra as baleias. E Lembram cetáceos num aspeto muito específico, que é o modo como a sua existência é facilmente comprovada quando vêm à superfície das águas respirar, e dificilmente comprovada enquanto permanecem sob apneia no fundo dos oceanos.

Há pessoas que desaparecem subitamente dos assuntos e da esfera social, deixando órfãos de companhia aqueles que com eles interagiam na condução, acompanhamento ou elaboração de ações. Esta prática injeta desconfiança e desnorte nos processos em que pessoas com tais personalidades estão envolvidas. A constância é uma qualidade que escasseia para tais personalidades. E o silêncio e ausência que sucedem após os seus momentos de respiração à superfície, suscitam nos outros a preocupação, a frustração, perdas de tempo, resoluções alternativas, ou então inação ou cancelamento. O preço a pagar é deixar de ligar tanto, é relativizar e respeitar, ou afastar tais pessoas de determinados assuntos ou círculos.

E por fim, a semelhança com as baleias incide ainda sobre um aspeto adicional: a periodicidade com que as vindas à superfície e posteriores desaparecimentos de cena ocorrem. Por lhes ser natural, esta forma de proceder é cíclica, incida ela sobre os mesmos assuntos e pessoas ou não. Sabemos que irá repetir-se mas não sabemos bem quando nem onde, o que faz prevalecer incertezas ainda que o conhecimento antecipado sobre o modus operandi já se afigure familiar.

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