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Sobre o filme "Hector e a Procura da Felicidade", e um almanaque sobre a felicidade na forma de comédia despreocupada

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Hector e a Procura da Felicidade, direção Peter Chelsom, é um filme de comédia disfarçado de drama, montado sobre uma questão filosófica intemporal: a definição de felicidade. Por ter sido por mim visionado na aproximação à chegada de um novo ano civil, com o que tal implica em predisposição reflexiva, a experiência de o assistir pontuou muito acima daquilo que os fóruns da especialidade lhe reconhecem enquanto mérito cinematográfico. Isso e ter polpa metafísica, que é invariavelmente o que procuro encontrar na sétima arte.

O filme tem mérito no resgatar a ideia de que fazer uma grande viagem pode ser tomado como uma ferramenta de esclarecimento existencial, e fá-lo explorando nuances culturais da Ásia, África e América do Norte. Por compreender um psiquiatra em crise existencial, a personagem Hector (por Simon Pegg) vai anotando ilações tiradas durante a viagem, e acaba por destilar um conjunto de preceitos sobre a felicidade que vale a pena ler sequencialmente:

  • Comparar-se constantemente com os outros diminui a felicidade.
  • Muitas pessoas não sabem o que as torna verdadeiramente felizes.
  • Sentir-se útil ou valorizado contribui para a felicidade.
  • Trabalhar em algo que não se gosta é fonte de infelicidade.
  • A felicidade está ligada à liberdade de escolha.
  • O amor é uma das formas mais consistentes de felicidade.
  • O medo de ser infeliz pode impedir a felicidade.
  • Procurar obsessivamente a felicidade pode afastá-la.
  • A felicidade inclui aceitar que a vida envolve sofrimento.
  • Viver no presente favorece a felicidade.
  • Aceitar quem se é contribui para a felicidade.
  • Muitas vezes a felicidade já está presente, mas passa despercebida.

Não há vergonha no explicitarmos uns com os outros que somos movidos pela procura da felicidade. Por tímido que se seja no assumir de tal desígnio essa é a missão de todos os seres humanos na Terra, pois só isso dá a serenidade e uma derradeira economia de sentido para os recursos emocionais, energéticos e materiais que transacionamos.

O cinema de comédia não costuma veicular tantas ideias com cunho pensante de uma só vez, e Hector parece um filme que procurou também algo diferente, ser feliz a contar uma história simples e despreocupada onde, sem qualquer presunção, diverte o leitor enquanto lhe deposita convites subtis para que reflita ele próprio, qual o Hector, sobre o percurso que tem seguido para a sua vida.

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