O Melhor dos Mundos é um filme português de ficção científica de 2024, realizado por Rita Nunes, com argumento da própria e de João Zacharias. A história orbita em torno de um putativo terramoto de grandes dimensões previsto por uma equipa de investigadores portugueses especialistas no tema, que poderá abranger a zona de Lisboa. A previsão baseia-se numa rede de sensores de monitorização submarina. No centro da ação está o dilema ético de alarmar ou não a população preventivamente — inclusive com a eventual imposição de evacuação da cidade de Lisboa — perante as contrapartidas reputacionais que um eventual falso alarme poderia trazer aos investigadores, ao ponto de lhes arruinar o futuro profissional.
O filme é relativamente curto, mas cativante e ficcionalmente competente. A personagem principal é a investigadora Marta (interpretada pela atriz Sara Leitão), que integra uma equipa de cientistas onde também figura Miguel (interpretado por Miguel Nunes), seu companheiro de vida. A efeméride da previsão do putativo terramoto apanha o casal numa crise amorosa resultante da estagnação da sua relação pessoal. A mistura de tensões profissionais — em que Miguel surge mais prudente e defensivo, enquanto Marta se revela mais corajosa e declarativa — faz com que a relação entre ambos seja igualmente atravessada por vários “terramotos” emocionais.
No cômputo geral, O Melhor dos Mundos é um filme honesto, divertido e moralmente desafiante para o espectador, preenchendo um espaço oportuno entre o drama e a ficção científica, um território que aparentemente não tem grande tradição nem concorrência em Portugal. Pessoalmente, sinto-me disponível para ver mais filmes como este — não porque repitam uma fórmula (ciência vs. catástrofe iminente vs. relação pessoal), mas porque permitem fazer brilhar o elenco e a técnica cinematográfica nacional sem recorrer a argumentos forçados ou incapazes de mobilizar a atenção do espectador.
Quando tal acontece, o visionamento deixa de exigir a disciplina de “aguentar por decoro” apenas para fechar — em entendimento e avaliação — aquilo que o filme se propôs abrir. O melhor dos mundos, num filme, é mesmo quando o balanço final se revela apelativamente positivo, sem tirar nem pôr.

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