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Sobre a internet e as residências virtuais

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Fruto do poder cativador emergente que é, no seu todo, a internet, o cibernauta entra num mundo cujos estímulos são tanto mais fortes quanto for a sua capacidade de encontrar e pesquisar conteúdos que o fascinem.
Pela WEB se potencia e concretiza uma vontade de conhecer ideias, lugares, pessoas, de uma forma nunca antes vista. Debruçamo-nos cada vez com maior devoção e naturalidade nesta dimensão da civilização humana. Preferimos espreitar pelo computador o vizinho, do que sair de casa e ir espreitar como vai e com que anda entretido.
A nossa rua, aquela em que moramos, deixa cada vez mais de ser aquele por onde passamos momentos antes de entrar na garagem. Pouco ou nada tenderemos a saber sobre ela. A nossa rua é a internet. Entramos e cumprimentamos os vizinhos no MSN. Ao clique certo temos o estado do tempo, tal qual o sentiríamos na nossa rua real. Ao clique certo podemos ficar a saber onde trabalha, com quem se dá, para onde foi de férias, de que música gosta e o que pensa do governo qualquer vizinho na nossa rua virtual.
Vamos criando sites e perfis, que vão sendo as nossas residências no meio virtual. Muitos são os que investem tempo e trabalho na criação de aparências e padrões que em todo lembram o efeito desejado na jardinagem de uma residência.
Se faltar o pão, o leite, o jornal, roupa, móveis, periféricos, consumíveis vários, ao clique certo entraremos na loja  da nossa rua virtual, que nos possibilita a sua aquisição. A nossa rua física será apenas a ligação à realidade da qual dependerá a chegada física dos produtos à nossa posse.
Quem quiser amar ou conversar, ao clique certo encontra cafés nessa rua virtual, com gente disposta a dar-se a conhecer e desabafar.
Tudo convergirá numa vida híbrida. Ainda estamos longe da plenitude da virtualidade, mas aproximar-se-á o tempo em que talvez um ser humano nasça, viva e morra, absorto para a sua existência física, que nada valerá por não distar de um clique bem desferido. 

3 comentários:

  1. Em 1º lugar eu amei esse texto, tanto que vou por até no meu profile (se vc deixar ):P
    e 2º tenho q admitir que a net já deixou de ser aquele passa-tempo, apenas uma ferramenta de descontração para as horas de lazer, ou de auxilio para realizar um trabalho escolar. Hoje ela deixou de ser uma coadjuvante e já passou a um dos papéis principais em nossas vidas.
    Para todos os problemas na internet encontra-se uma solução.Se se esta só,encontra-se companhia, pessoas que pensam igual ou diferente a você. Se quer ouvir aquela música, aquela dos tempos remotos da sua juventude...a net toca pra vc.Se quer uma receita...tbm tem.Se quer ler jornal,
    revista, best-seller, mangá qualquer coisa vc encontra.Traduzir um texto em segundos.Ver episódios
    que perdeu na tv.Expor suas idéias, fotos, gostos.Serve até para definir o que somos ou gostaríamos de ser se assim desejarmos.
    Enfim, somos cada vez mais dependentes desta maquina. Tanto que outro dia assisti a uma entrevista onde a garota foi questionada qual escolheria para levar à uma ilha deserta:
    seu namorado ou seu laptop? Confesso que eu ficaria em dúvida... Mas outros, como a garota, já estão certos de que a melhor opção é o laptop!
    Não parece absurdo o fato de preferirmos à companhia de uma máquina a de um homem?
    Bem... hoje até que nem é tão absurdo assim. É até natural. :)

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  2. É isso aê meu velho, bom texto. Tem fundamento, mas tb poderíamos pensar nas causas disso, não apenas na consequêcia de uma evolução tecnológica que motiva o sujeito a fazer da net sua residência. Quais as causas sociais e psicológicas deste fato? Falow mano.

    http://minhaliteraturablog.blogspot.com

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  3. Diego Flyfish9:06 da tarde

    Ótima leitura. Vez por outra reflito sobre o assunto... É engraçado como hesitamos em entrar nesse meio virtual, e quando nos damos conta estamos tão submersos que fica impossível subir de volta à realidade crua. Olho meu quarto e vejo que metade das coisas eu adquiri através de lojas que nem existem fisicamente. Vejo meu pai fazendo cursos com professores que estão a quilômetros de distância pela internet... Até minha namorada eu conheci em foruns da web.

    Do jeito que as coisas andam, me impressiona saber que ainda sou feito de carne.

    Continue com o blog. Você escreve muito bem.

    Abraços!

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