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Sobre os blogues políticos

Espanta-me e preocupa-me a quantidade de blogues dedicados à política.
Se por um lado é de louvar que os cidadãos se interessem pela gestão pública e políticas para a nação, a verdade é que tantas vozes a falar por si, não se  confundem como perdem a sua personalidade.
Sai um notícia e logo todos a referem, todos opinam sobre ela, todos se acham dignos comentadores das mesmas. E depois entram numa linha de citação uns dos outros, que acaba por estabelecer pactos de sustentação das páginas uns dos outros, bem como da valorização das opiniões dos outros para que a nossa seja valorizada por eles também.
Não me acho no direito de abusar da crítica ao funcionamento dos blogues, já que estes destacam-se pela sua liberdade funcional, mas enquanto portador de opinião própria, acho que o sistema de citações acaba por retirar o valor intrínseco de um blog enquanto espaço de um autor, talhando-o mais como uma fatia de outros blogs, um remendo de vários blogs.
No que toca à política e aos que se cingem a ela nos seus blogues, sou levado a confidenciar que olho para alguns deles e noto um corporativismo ideológico que leva ao alinhamento e promoção das mesmas ideias em espaços distintos.
Esses blogues políticos agrupam-se um pouco com base na afinidade ideológica, tornando-se forças políticas no espaço virtual, com intuito de moldar as mentes dos que lêem suas publicações com base nas suas crenças partidárias, políticas, ideológicas.
A formatação dos blogues como reacções às notícias leva a que não haja qualquer tipo de interesse em ler e acompanhar múltiplos espaços desse tipo, visto que certamente o indivíduo se entediará perante tamanha repetição de palavras, frases, ideias.
E há ainda algo mais que me preocupa, factor que a meu ver contribui para um perda de valor dos blogues de carácter político, que se resume a uma falta de cuidado do tamanho dos textos. Há textos enormes que rodeiam as questões e que facilmente seriam substituídos por três ou quatro frases. Trata-se de demasiada retórica bloguística, por assim dizer. 
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Sobre a internet e as residências virtuais

Virtual Reality - Wich Chau (2022)



Fruto do poder cativador emergente que é, no seu todo, a internet, o cibernauta entra num mundo cujos estímulos são tanto mais fortes quanto for a sua capacidade de encontrar e pesquisar conteúdos que o fascinem.

Pela WEB se potencia e concretiza uma vontade de conhecer ideias, lugares, pessoas, de uma forma nunca antes vista. Debruçamo-nos cada vez com maior devoção e naturalidade nesta dimensão da civilização humana. Preferimos mais espreitar pelo computador o vizinho do que sair de casa e ir espreitar como vai e com que anda entretido.

A nossa rua, aquela em que moramos, deixa cada vez mais de ser aquele por onde passamos momentos antes de entrar na garagem. Pouco ou nada tenderemos a saber sobre ela. A nossa rua é a internet. Entramos e cumprimentamos os vizinhos no chat. Ao clique certo temos o estado do tempo, tal qual o sentiríamos na nossa rua real. Ao clique certo podemos ficar a saber onde trabalha, com quem se dá, para onde foi de férias, de que música gosta e o que pensa do governo qualquer vizinho na nossa rua virtual.

Vamos criando sites e perfis, que vão sendo as nossas residências no meio virtual. Muitos são os que investem tempo e trabalho na criação de aparências e padrões que em todo lembram o efeito desejado na jardinagem de uma residência.

Se faltar o pão, o leite, o jornal, roupa, móveis, periféricos, consumíveis vários, ao clique certo entraremos na loja da nossa rua virtual, que nos possibilita a sua aquisição. A nossa rua física será apenas a ligação à realidade da qual dependerá a chegada física dos produtos à nossa posse.

Quem quiser amar ou conversar, ao clique certo encontra cafés nessa rua virtual, com gente disposta a dar-se a conhecer e desabafar.

Tudo convergirá numa vida híbrida. Ainda estamos longe da plenitude da virtualidade, mas aproximar-se-á o tempo em que talvez um ser humano nasça, viva e morra, absorto para a sua existência física, que nada valerá por não distar de um clique bem desferido.

Publicação original: 07/2008
Revisão: 02/2026
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About lists of contacts

Today I bring to discussion a fact that was object of my attention although seeming very obvious and simple.
Despite knowing that a catalogue or list is a product of human need to have an order of any kind that allow a quicker dealing with information, based in organization principles, it is however interesting to realise that people so different can be put together just because of name or birthday.
One such case of that can be found on cell phone contacts list. There, the danger of contacting the wrong person can be a question of an incorrect press. The list of contacts based on names do not include profoundly crucial things like the kind of relation the person has to you, so it has a consequence of allowing a random combination of family, friends and work contacts. Grandfather, girlfriend and your boss are one improbable but possible sequence combination. We have to remember that sometimes the names of contacts assume other words than the real names, what helps to develop a higher random predominance in our expectations.
The fantastic thing about that rather than the danger of wrong message sending or phone call try, is that we accept that order established by lists, because they seem to make sense according to names and designations, but if we experience reading them in sequence, our thoughts are conducted in such a path that some of them may be in opposite positions of your brain, according to feelings towards them.
In addition it is also funny to realise how a so diverse sort of people have a connection in particular list that serve as a criteria to join them together. A rule that means nothing in practical terms since those elements of the group may even be unknown to each other for a whole life.
More than a try to extract a conclusion this is a text of observation, aiming to bring up the fact from the cabinet of known but unthought things of human life.
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About being a citizen of the world

When I started writing in this blog, I was trying to keep feeding my writing skills so that my ideas could be well organized and become public in the structured way I was intending to express them.
After many posts where I had opportunity to explore very different aspects and perspectives of either abstract or concrete subjects, I decided that it might be doubly interesting to open my words to the whole world, meaning this to start writing in English. This option, for a student of English as I am, is worthy to achieve higher levels of vocabulary and written expression.
The aim of choosing this title was to emphasize that my attitude is just an example of the globalization effects. In fact, my feeling of opening doors to world by writing in English is a proof that our minds, nowadays, are becoming more global and less restrict to our countries, cities or neighbourhoods. Of course that internet plays a fundamental role in all this changing.
I hope now more people can access this blog and be in touch with a perspective of a 20 year-old-chemical-engineering student, that far from wanting to impose his ideas has just an interest to share them with people searching for open discussions. Please feel free to comment and to criticize, I don’t feel comfortable when the answers are often favourable to my ideas.
I’ll try to keep with the diversity of subjects like I’ve tried to do while writing in Portuguese. For my readers in Portuguese language, my sincere wishes are that this structural changing in this blog don’t promote your disinterest. Feel serene, I will not stop Portuguese language. You’ve been good readers!
My final words are dedicated to my future errors. As mentioned, I’m just a student of English language, so mistakes are a consequence of my effort to improve and reach an acceptable quality.
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Sobre a inutilidade das contas de e-mail

Embora surgidas com oportunismo e potencialidades notáveis, a verdade é que as contas de e-mail pessoais, longe de facilitar e ampliar o recurso à escrita que outrora passou pelas agora praticamente obsoletas cartas redigidas à mão, caíram num beco que as tem mutado para fins longínquos ao salutar exercício da escrita.
As mesmas, são hoje muito mais um bilhete de identidade virtual, cheio de limitações de segurança para o poder ser habilitadamente, do que uma ferramenta de real e popular utilidade no processo de comunicação escrita.
Excluo do âmbito desta intervenção, os exemplos de caixas de correio virtuais do tipo profissional ou que não dependam do livre arbítrio das vidas pessoais, pois aí a utilização atribuída é imaculada, não fossem as regras e práticas adoptadas.
Voltando àquelas do tipo pessoal, são hoje um reservatório de tudo o que não queremos, palhaçada em excesso, melodramas em excesso ou um sem fim de trafulhices em excesso. Qualquer um sabe dizer quase sem pestanejar quantas mensagens personalizadas recebeu no espaço de meses. A facilidade com que se mandam mensagens a grupos quase extinguiu a existência de remetentes singulares, dando lugar ao desrespeito pela individualidade de cada ser humano .
A partir do momento em que deixa de haver mensagens, devidamente habilitadas a tal designação, a circular, não faz sentido chamar correio à conta de e-mail, porque não funciona como tal, passa a ser qual montra virtual, no caso dos fins publicitários ou poltrona virtual, no caso dos assuntos recreativos mais diversos e maçadores.
Esta é talvez a maior das incoerências da Internet. Não havendo como rejeitar a conta pessoal e requisitar um alternativa mais decente, obrigam-nos a conviver com tamanho colosso da inutilidade para garantir todas as vertentes da net.
A todos os que me mandam mensagens com inutilidades eu peço que parem e que entendam que só estão a contribuir para uma vontade cada vez maior de vos ignorar.
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Sobre a pirataria musical

Ouvi na semana passada dizer, e bem, que os portugueses não são sensíveis aos direitos musicais de autor, achando normal a colectivização de produções particulares.
Já me bati diversas ocasiões pelo cessar da pirataria junto dos que me são próximos. Muitas vezes fui confrontado com argumentos diversos, como o excessivo preço cobrado na aquisição de qualquer álbum lançado, ou aquele mais anárquico que assenta da ideia de que: se todos fazem porque serei diferente?
E eu vou respondendo com a chamada de atenção, para o que é do foro particular, do trabalho criativo de cada um, que tem o seu valor e deve ser cobrado. No limite apelo à relação sentimental que o ouvinte tem para com o artista, alegando que é no mínimo uma falta de respeito para com alguém que a pessoa pode até venerar. Não faz sentido ser-se fiel a uma artista mantendo cópias piratas na gaveta das suas colectâneas.
Esta conversa só faz sentido porque há alternativas. Não é preciso gastar dinheiro na compra para ouvir o que se gosta. Basta abdicar do selvagem desejo de posse.
Numa altura em que os computadores tendem cada vez mais para um estado de constante ligação à rede, porque não optar pela execução das faixas desejadas na própria rede, sem haver lugar a uma por vezes problemática ocupação do disco pessoal? O tempo perdido a sacar obras inteiras poderia ser dedicado à pesquisa na rede de sites dispostos a pagar os tais direitos negligenciados por muitos em troca de visitantes famintos de música. Os mesmos sites até se dão ao trabalho de tocar géneros, permitindo descobrir novos artistas de estilo idêntico.
Torna-se esquizofrénico recorrer à pirataria neste cenário.
Deixo-vos 4 sites, dos quais me sirvo recorrentemente com a felicidade de me sentir legal e de bem com aqueles de quem sou fã.

www.1club.fm ; http://www.videocodezone.com/ ; http://www.last.fm/ ; http://www.hotget.com/
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Sobre os perfis virtuais

A Internet é hoje um veículo extraordinário para um fenómeno que talvez outrora ocorresse em moldes similares, mas recorrendo à via postal, e que acredito ser apetecível do ponto de vista da reflexão.
Por este mundo da WEB fora, deixamos de encontrar seres humanos que respondem ao seu nome próprio, para constatar-se a existência de um leque colossal de identidades ocultas, dadas a conhecer por nomes vagos, místicos , exóticos ou indecifráveis. Torna-se clara a existência de uma moda para o disfarce, para o uso de identidades potenciadoras de curiosidade, cujo papel maior é esconder a pessoa que lhe dá uso e inocentar ou desavergonhar esse ser na sua expressão voluntária.
São do conhecimento geral os perigos de se falar com desconhecidos pela net, muito pela facilidade com que se simulam perfis e ludibriam conversas.
Por desconhecidos, ninguém alude às pessoas que se conhece, melhor ou pior, no mundo físico, pois essas, pelo contacto sensorial directo, permitem-nos um sentimento de segurança. Aquilo que dei conta e que é o cerne de toda esta intervenção, vai para a existência de pessoas que nos são à partida conhecidas no mundo físico, mas que parecem estranhos quando encontrados no mundo virtual. Noto isso em pessoas pouco expansivas no dia-a-dia, seres aparentemente curtos do ponto de vista intelectual, que demonstram perfis muito mais artilhados no meio virtual do aqueles que se verificam na realidade, para confusão minha.
Sei que, tal como disse ao começar, a net é vector de liberdade, que permite a revelação ilimitada da polpa de cada um, mas é deveras estranho desconhecer um conhecido e não saber qual perfil é o perfil real.
Assiste-se hoje à versão moderna do admirador secreto que enviava cartas revelando-se e declarando o seu ser, sem nunca revelar quem era; sinal de que há práticas de interesse intrínseco ao ser humano e não à sua época.
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