Os grande projectos científicos, englobam, no seio dos investimentos que representam, estudos e pareceres legais e éticos sobre os assuntos em que se inserem, buscando estabelecer raios de intervenção cerceadores.Seria um desgoverno completo avançar progressivamente para aprimoramentos do conhecimento sem que se fizesse sentir ou impor o freio resultante de reflexões racionais sobre os proveitos directos de cada pedaço de conhecimento face aos riscos a ele associados ou ao despoletar de focos potenciais de risco.
A psicologia alerta, porém, para um fenómeno muito comum nas actividades humanas, cuja descrição se identifica pela tendência humana para a projecção de expectativas em situações onde se exige neutralidade e ausência de emotividade.
Ainda que leigo na matéria, preocupa-me essa simultaneidade e dependência entre quem quer retirar proveitos das investigações que sustentam os projectos e quem tem de emitir um parecer ético e meramente racional sobre a mesma investigação.
Torna-se claro que a extrema complexidade e requisitos, que são e exigem, respectivamente, a ciência actual, conduzem a cenários onde o parecer ético mais consistente deveria chegar por parte do próprio cientista que investiga, pois só ele, por dedicar todo o seu tempo e atenção, conhece os meandros reais do seu trabalho. Este, porém, carrega em si a vontade de saber mais, o desafio de chegar mais longe, e como tal balanceia a ética do seu estudo com a vontade de que é portador, correndo o risco de eclipsar o propósito maior da ética, que é impedir o alcance de paradigmas que ameacem a natureza e o sentido de humanidade.
Dada a conjuntura em que nos encontramos, fértil na crise de valores, o maior desafio de quem faz ciência, a meu ver, é conciliar a obtenção de mérito científico com o reconhecimento da insustentabilidade de certas opções, pois não há mérito maior do que evitar o mal pela abdicação da descoberta da maldade.
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