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Sobre as explicações espontâneas

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Ressalvando as explicações que sejam dadas por pura cortesia e sensibilidade, quando o orador identifica as fraquezas do seu público e como tal explica melhor o que diz, passo a abordar de forma genérica os casos que não se enquadrem neste cenário.

Aquilo que me traz a um novo texto, foi ter-me apercebido do quão as explicações que damos, nem sempre de forma consciente no nosso discurso, indiciam o nosso desconhecimento ou fraco domínio das matérias em jogo no discurso.

Pelas explicações dadas por um orador que não seja solicitado no sentido de as fornecer, é possível supor com um razoável grau de confiança os conhecimentos que detém com certeza mas em particular aqueles que em que não consegue abordar com naturalidade suficiente para não achar que deve explicar. Nestes casos, não raro se assiste a uma simplificação do assunto, que é desconstruído em considerações e ideias mais simples e revela que só num patamar mais básico é que o orador se tranquiliza.

Um indivíduo que esteja a explicar um texto e que pare numa palavra em específico para explicar o seu significado, está a dar um sinal à sua plateia de que desconhecia ou conhecia tenuemente aquela palavra. Do mesmo modo, alguém que explica o que é fotossíntese quando refere um assunto que a implique mas que não incida especificamente no seu conceito, estará a mostrar aquilo que poderá ser uma fraqueza pessoal face àquele tema. Tendemos a pressupor nos outros as nossas fraquezas, o que leva a que achemos espontaneamente necessário explicar aos outros aquilo com que esbarramos, que não sabemos bem e precisamos de ajuda.

Isto levanta uma oportunidade, que surge em contracorrente ao sentido deste texto: pelo reconhecimento de que as explicações expõem possíveis fraquezas do orador perante a sua audiência, aquele que estiver consciente desta situação pode procurar controlar e contornar uma exposição que viria ser desgastante e desnecessária. Por esta via, o orador pode-se salvaguardar de uma inferiorização, dando melhor imagem de si.

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Sobre a pornografia literária


A estrondosa e avassaladora oferta que hoje se encontra no mercado livreiro, impõe um natural respeito, porque a comercialização de um livro estende-se muito para além do valor intrínseco da obra. Hoje há massificação de temas e há que ter bem presente que uma mesma coisa escrita por outro autor vale menos do que uma outra coisa escrita pelo mesmo autor.
O fenómeno literário que se vive hoje, perdoem-me por usar as palavras que vou usar, pode ser enquadrado numa certa forma de pornografia literária, que difunde a banalização do valor das produções, pela adulteração do sentido de singularidade, ou seja, pela forma como se desrespeita o que é conceber e delinear um livro, em detrimento de um sobrepovoamento de publicações nas prateleiras.
Como consequência dessa pornografia literária temos a explícita comercialização das obras como vector a considerar e até principal para a viabilidade de edição das mesmas. Aliás, diversos autores atingem uma profissionalização fácil devido a incorrerem na escrita mediática, totalmente voltada para o populismo e para o alcance da escala comercial.
A minha ambição de poder vir a escrever um livro, choca com estes conceitos, porque pego num livro para ler e penso no quão difícil possa ser chegar a um produto final, fechado, pronto. Imaginar a escrita de um livro como sendo algo não tão díspar quanto isso de um pegar num moldes e fazer réplicas sucessivas, não se me desmotiva como me aborrece e entristece. Há um esoterismo muito próprio que identifico no processo de conclusão de um livro, o qual não gostaria de ver perdido nem de ver chacinado da forma como as garras comerciais têm andado a fazer.
Hoje os nóbeis e notáveis do ponto de vista da matriz da Literatura, aqueles que serão estudados como cânones do nosso tempo, perdem espaço para pornógrafos literários que escrevem com cifrões e se refugiam neles para se afirmar como autores.
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Sobre os blogues políticos

Espanta-me e preocupa-me a quantidade de blogues dedicados à política.
Se por um lado é de louvar que os cidadãos se interessem pela gestão pública e políticas para a nação, a verdade é que tantas vozes a falar por si, não se  confundem como perdem a sua personalidade.
Sai um notícia e logo todos a referem, todos opinam sobre ela, todos se acham dignos comentadores das mesmas. E depois entram numa linha de citação uns dos outros, que acaba por estabelecer pactos de sustentação das páginas uns dos outros, bem como da valorização das opiniões dos outros para que a nossa seja valorizada por eles também.
Não me acho no direito de abusar da crítica ao funcionamento dos blogues, já que estes destacam-se pela sua liberdade funcional, mas enquanto portador de opinião própria, acho que o sistema de citações acaba por retirar o valor intrínseco de um blog enquanto espaço de um autor, talhando-o mais como uma fatia de outros blogs, um remendo de vários blogs.
No que toca à política e aos que se cingem a ela nos seus blogues, sou levado a confidenciar que olho para alguns deles e noto um corporativismo ideológico que leva ao alinhamento e promoção das mesmas ideias em espaços distintos.
Esses blogues políticos agrupam-se um pouco com base na afinidade ideológica, tornando-se forças políticas no espaço virtual, com intuito de moldar as mentes dos que lêem suas publicações com base nas suas crenças partidárias, políticas, ideológicas.
A formatação dos blogues como reacções às notícias leva a que não haja qualquer tipo de interesse em ler e acompanhar múltiplos espaços desse tipo, visto que certamente o indivíduo se entediará perante tamanha repetição de palavras, frases, ideias.
E há ainda algo mais que me preocupa, factor que a meu ver contribui para um perda de valor dos blogues de carácter político, que se resume a uma falta de cuidado do tamanho dos textos. Há textos enormes que rodeiam as questões e que facilmente seriam substituídos por três ou quatro frases. Trata-se de demasiada retórica bloguística, por assim dizer. 
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Sobre a excepcionalidade

Hoje em dia existe uma grande sede na sociedade de pessoas brilhantes numa dada área de intervenção, gente que possa apresentar-se e criar impacto publicamente como excepcional.
O critério pelo qual se fixa o que se entende por excepcionalidade dos seres humanos deve ser devidamente debatido, sob pena de vivermos num mundo demasiado pré-formatado para um modelo único de selecção de talentos.
Custa-me bastante ver a forma como se desperdiça muitas vezes capital humano apenas porque se denota de difícil enquadramento no perfil de atributos criado colectivamente em sociedade como forma de distinguir as pessoas ditas notáveis.
A competitividade conduz a uma agudização do valor dos notáveis, pois leva a que se crie a noção de que o sucesso é para os melhores e que os demais sentirão certamente dificuldades porque não terão hipóteses.
Acontece que, como ouvi há relativamente pouco tempo, o mundo tem de estar preparado para todos os que não são notáveis, pelo menos no sentido aceite em sociedade, e como tal devem haver soluções para estes que não as de papel coadjuvante de fraca reputação.
As pessoas podem revelar-se notáveis de várias maneiras sem ter de valer em exclusivo pelos seus dotes naturais. O empenho, a motivação, a capacidade de trabalhar em equipa ou a facilidade de se colocar na posição de outrem para daí equacionar os problemas, são também algumas valências que certamente não constam no actual cânone da excepcionalidade, mas que acrescentam valor aos que as detêm.
O maior paradoxo disto tudo é que quando se passa da colectividade para a singularidade, qualquer sujeito é capaz de concordar ou mesmo sofrer com os efeitos do cultivo de um conceito de valor humano pouco real, dado que não tem em conta a pluralidade e diversidade das pessoas. Os excepcionais não são os que estão mais bem adaptados, são simplesmente aqueles a quem o modelo vigente, com as suas falhas e préstimos, confere uma notoriedade que chega a roçar o estatuto e peca por ser falseado pelo poder da imagem.
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Sobre o comentário nos meios de comunicação social

Revistas, semanários, diários, gazetas, folhas, telejornais, colunas, blogues, as erupções do comentário ombreiam com a própria informação, criando espaço nos meios de comunicação para uma etapa póstuma à da informação, que é a digestão, maturação, ampliação e clarificação das notícias e coberturas que vão surgindo.
Geralmente são chamados a comentar senhores e senhoras que reúnam proveitos experienciais vários oriundo de formações curriculares ímpares ou cargos de notoriedade. Esta é a principal razão pela qual se dá tanta atenção às pessoas que comentam. Em seguida vem o que dizem, mas só depois, para então nos dar-mos à absorção daquilo que tais pessoas dizem ou escrevem. Muito se aprende, diga-se, com a comunhão das considerações que gente instruída e experiente possa apresentar às comunidades, mas julgo começar a escassear espaço para tanta gente a comentar, sobretudo porque a certa altura são tantos os comentadores que os factos passam a ser escassos, e como tal satura-se a paciência para ler tanto do mesmo em comentadores tão diferentes, podendo até dar-se a efeméride de se assistir ao comentar dos comentários uns dos outros.
Mais do que retratar este panorama, o que me faz escrever sobre este assunto é que no meio de tanta acumulação de comentadores, extensível até a gente anónima nos tantos fóruns de discussão públicos, os frequentadores vorazes desses meios acabam por se tornar numa comunidade que é daltónica para a sua passividade e que acaba por ser altamente condenável por isso. Por muito boas que as ideias dos comentadores possam ser, nunca substituirão a actividade a que se referem, e como tal nunca perderão o seu cariz passivo de observação. Mais, por muito crispado ou indignado que possa ser o tom de quem comenta, só essa cegueira de satisfazer a vontade de comentar é que impede o comentador de ver que quem tem tanto interesse, tanto a dizer, a elogiar, a contestar, a problematizar deveria estar na linha da frente para contribuir para as situações abordadas com tudo aquilo que teria a dizer no comentário. O engarrafamento de comentadores pode ser um vício, parte dos problemas até.
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Sobre o desiquilíbrio das áreas do conhecimento

As áreas do conhecimento estão longe de possuir idênticos níveis de apuramento e tal facto reflecte-se de uma forma nem sempre imediatamente perceptível no ensino, desde o básico ao superior.
De facto, os fracassos a matemática e a física, que fazem muitos alunos adquirirem anticorpos contra as disciplinas em si, são reflexo da impreparação dos alunos mas devem ser ressalvados salientando que essas áreas do conhecimento não são equiparáveis às outras, na medida em que embora sejam englobadas num mesmo ciclo de estudos, não significa isso que partilhem igualmente o desafio e o grau de dificuldade.
Não tenho dúvidas de que se o ramo do Português, da Biologia ou da Psicologia alcançassem semelhantes patamares de desafio intelectual devido à matéria em si mesmo exposta, os resultados da Matemática encontrariam irmandade nos das outras disciplinas. Não se trata de menosprezar a dificuldade das outras áreas do conhecimento, antes de honrar devidamente o facto de que nas ditas ciências exactas, o esforço de superação alcança expoentes máximos que só poderiam ser equilibrados ou por uma suavização das mesmas disciplinas ou então por um elevar da fasquia nas restantes, mas nunca pela sua simplista comparação que acaba por ser discriminatória.
Seria bom que se pensasse também neste tipo de questões, porque poderão ser eventualmente menosprezadas face à ilusão das estatísticas mas que na sua raiz poderá potenciar a desacreditação das ciências exactas como passaporte para o ensino superior, unicamente porque desmotiva os alunos devido à sua mais apurada complexidade, que exige dos alunos a aprendizagem de ferramentas desafiadoras mais cedo que outras disciplinas. Há que tratar da saúde à desigualdade injusta dos ramos de conhecimento a ministrar nas escolas, para que a saúde não se apodere das perspectivas de estudos todas devido à sua aliciante potenciação de resultados.
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About abstract skills and their worth

For some people it might be a bit incomprehensible the importance of developing abstract skills. One question I used to make while in high school was about the pertinence of learning some subjects, since I couldn’t find any practical use for that information. Once at university, I have discovered a text containing an explanation for my doubt: the practical relevance of some matters is not the potential applicability, the goal is achieving the mental elasticity that allow you to deal with that questions, a mental path that once discovered and improved can increase the power of the mind towards more complex thinking.
Keeping this present on my memory for a while, I return now to add something new. Some proofs of this lack of abstract skills are becoming very obvious to me when I reflect about people that need sensible stimulus to be touched by some questions of life. Knowing previously that the reasons are not only the ones I will mention, I can not avoid saying a part of our insensitiveness about the world, particularly about violence, poorness, hungriness or pollution and planet warming come from this absence of virtue concerning to abstract thoughts. A big slice of population need a documentary like “An inconvenient truth” or a strongly televised campaign about people suffering around the world to turning on the solidarity existing somewhere inside. The floods in Indonesia, that killed thousand of people were other evident example of such need to contextualize the problems.
The physical distance to problems, that let us primitively believe the problems are not of our concern, is the same mental distance that I used to question when dealing with some abstract surveys: if people do not develop mental tools to solve problems that may or may not have a connection to personal reality and context of life, this only will make that people even more dependent of external stimulus in order to correct the lack of abstract touch about problems existence.
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About quotations and their use

My attention was caught in the realisation that some people abuse of bringing into their conversation the quotations of distinct known personalities.
After thinking about it, my thoughts hold in the idea that the habit of overusing quotations can be understood by some different perspectives.
It is possible to have a person that in the same way his friends use to repeat specific words or expressions, develop a tendency to bring to conversations parts of discourses from known people that he or she have read or listened to. In this case, that practice is not offensive, despite a considerable period of time being needed to realise it perfectly.
Other possibility is seeing the habit as a subtle and opportunist way that may be assumed by someone to create an impression of knowledge and erudition. If true this is the malefic use of quotations, since it can be seen rather than a respect for author rights, a use of their own words, sometimes work, not to praise them but for personal attributes.
Finally, a last understanding can be taken to consider cases in which the feeling of inferiority encourages the recurrence to quotations. To be clear, this practice might be use in a dinner where a guest feels his audience is richer in terms of culture, so that expressing own ideas can be dangerous to pride and imprudent. By abusing the references of famous people’s words, the technical problem of sharing own ideas can be hided and the conversations will not be a serious problem.
Personally, I do not use quotations often, despite seeing it as good tool for some moments that those specific words or expressions of quotations seem to match perfectly in the meaning and clarity wanted. As mentioned, only time of interaction with a person allow the perception of the kind of use given to quotations. However, a trivial idea can fill as conclusion: moderation is the key for a good use of it.
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Sobre a televisão: a qualidade da notícia

A qualidade de uma notícia é um tema altamente susceptível de divergências na prática, embora seja acessível do ponto de vista dos princípios e pressupostos.
O mais fácil a dizer, acercando este assunto, é formalizar em palavras aquilo que sucede no dia-a-dia. Aí talvez seja oportuno dizer que o processo de análise da qualidade das notícias é profundamente subjectivo devido às convicções de cada pessoa, que sendo variáveis em intensidade e alcance, constituem quer por presença quer por ausência um ruído notório o suficiente para perturbar a análise.
As pessoas dão com elas a acreditar que as notícias do partido que apoiam são mais oportunas e meritórias de divulgação, ou que os seus clubes de futebol são prejudicados pelas notícias, ou ausência delas. De facto, basta não haverem opiniões ou posições no assunto da notícia para que se perca motivação para a receber, conduzindo isto a um possível acusar de fraca qualidade a uma notícia em que a ausência de qualidade está unicamente no receptor que desconhece o assunto. Tal facto é verificável se atentarmos um pouco ao que se passa com o serviço meteorológico ou de trânsito.
Não parece difícil, então, que semelhantes retratos levem a dúvidas sobre se a qualidade da notícia é intrínseca à mesma ou se haverá fracção de legitimidade para a qualidade no receptor, sem o qual a notícia não faz sentido.
Ao não haver resolução deste critério, poderemos assistir a uma de duas situações. A primeira é ao populismo televisivo, não totalmente desconhecido na actualidade, no qual as notícias de qualidade são as que o receptor gostaria de receber, pois acompanham o seu estado de espírito, anímico e ideológico. A segunda, presente de alguma forma também na programação de um canal nacional, é identificarmos uma cadeia transmissora de sinal que elege qualidade sem procurar encontrar-se com o receptor, e que vive transmitindo um conceito de qualidade diverso do citado primeiramente. Tais mundos não são comparáveis, embora sejam alternativos



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Sobre a televisão: a contradição e a indeterminação

Por muito pacífica e conciliadora que queira ser, a televisão não pode adoptar sistemática e permanentemente uma postura de total conformidade e sintonia pelas crenças, expectativas e fraquezas do grande público a que se destina. Isto serve quer para a televisão que tende a privilegiar o populismo, fazendo grandes investidas contra os governos e dando antena de sobra aos sindicatos e sindicalistas; mas também se destina a outra estações privadas, que quase representam uma força política em si, dado que se envolvem em tanta perícia que cultivam uma linha política própria. A partir do momento que temos uma televisão que longe de apelar a um contraditório capaz de lapidar os elementos factuais das notícias, promove antes um aprisionamento ideológico e metodológico que faz com que cada notícia se encaixe numa postura propositada e como tal previsível, acho que a televisão encerra o mal para os seus problemas.
Talvez este apuramento posicional da televisão, que a faz acrescentar muito mais à notícia do que desejável, seja uma consequência do modelo determinista em que vive e reproduz. Se não houvesse tanta energia gasta no isolamento, compreensão e justificação daquilo que se quer noticiar, talvez o espectador fosse deixado na sóbria e recomendável situação de procurar justificar, explicar e isolar a notícia, ficando quem noticia alheio a esses elementos, que são precisamente aqueles que conferem interferência e distorção da notícia. Apelo portanto a uma maior indeterminação noticiosa, centrada mais nos factos do que nos pareceres que conduzem à procura de factos específicos e que depois não se fazem acompanhar pela integridade da notícia, ficando esses recortes sob o jugo de alguém que lhe chama notícia mas que já mais do que notícia, é curta-metragem. Reconheço que seja difícil de concretizar tal inversão de paradigma, pois esta intencionalidade é proveitosa para as cadeias. A peça informativa é transmissora, nunca emissora.
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Sobre a televisão: a decadência de valores

Não é muito claro para mim o grau de interfluência a apontar a televisão e sociedade, sobretudo prever até que ponto é que uma consegue sobrepor-se à outra e influenciá-la significativamente. Vivendo nós numa era pouco credível do ponto de vista moral , aproveito para perguntar se, no campo televisivo, a decadência de valores encontrada é apenas espelho do rumo da nossa sociedade ou se é uma forma de a nossa televisão conduzir os espectadores para um campo vantajoso de manter do ponto de vista económico e altamente viciante, como é o da conversa rasteira, decadência social, fofoca pura e propagandas emocionais.
Não me atrevo a sentenciar quem é o responsável pela decadência de valores, sirvo-me ao invés para revelar que quer seja a sociedade quer seja a televisão, é angustiante verificar que nos horários semanais do pós jantar, não haja mais opções do que novelas, novelas e alguns programas do foro educacional, que ainda assim se esgotam comummente no modelo e formato.
Talvez aquilo que me orgulharia ver na televisão pública, fosse algo pouco fácil de mostrar a quem nunca viu por exemplo programas como Brainiac ou Caçadores de Mitos (exibidos nos canais Discovery) ou como o Fantástico (TV Globo). Perante isto talvez alguns se possam interrogar porque motivo não vejo eu esses programas e me calo resumindo-me ao meu prazer de os assistir. Eu respondo: aquilo que me preocupa na televisão ao ponto de querer escrever sobre ela, não é tanto o acomodamento da minha vontade àquilo que me interessa de entre tanta diversidade a que tenho acesso, é antes o reflectir sobre os conteúdos que temos em antena aberta, para todos o que não podem escolher de entre tantos canais e grelhas possíves. Precisamos de evitar o fomento da decadência de valores na televisão, nem que seja copiando os modelos certeiros feitos lá fora, para fim da pobreza cultural.
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Sobre a televisão: educando pelo écran

Já reparei várias vezes que quando tento vender a ideia de que na diversão televisiva se pode e deve aprender alguma coisa, como no visionamento de um filme, sou confrontado com a posição de que o objectivo da diversão que se busca pode não ser compatível com essa tal aprendizagem. Isto tem muito a ver com a associação cultural dada à aprendizagem, como sendo algo maçudo, cansativo e entediante.
Ora sendo o meio televisivo uma via altamente especializada na comunicação sensível altamente aliciante, acho não é muito difícil estimular as aprendizagens pela via televisiva. Não será necessário explicar, antes referir, que a televisão é de facto uma peça privilegiada na transmissão de mensagens pelo que a sua utilização pedagógica é altamente valorizável. A título do que já existe, devo confessar que as telenovelas já conseguem introduzir mensagens pedagógicas e estimular aprendizagens pela inclusão de temas complicados como a droga ou os abortos, apresentando-os de forma nada aborrecida, no decorrer do enredo, sem penalização do espectador. Também nos filmes isso acontece de forma constante, com eventuais reflexões e estimulações de eventos históricos como guerras ou crises. Ao contrário de textos anteriores, não serve este para mostrar aquilo que está mal a meu ver. Ao invés disso, sirvo-me desta intervenção para louvar esse estilo pedagógico no universos televisivo, e para fazer votos publicamente para que mais tempo de antena e privilégio seja dado e conferido aos que procuram fazer da diversão um ramo possível para o conhecimento.
Um reparo final apenas para evitar confusões: quando me refiro a conhecimento, que não se pense, também, que estou apenas a incentivar programação do género de concursos de cultura geral, uma vez que o conhecimento a que me refiro, é sobretudo todo o conhecimento que não seja tanto na arte de catalogar e resgatar memória, mas sim o que se insere no âmbito do saber pensar e no que pensar.
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Sobre a televisão: o poder de informar

No contacto diário com as pessoas, nem sempre nos apercebemos da forma emotiva com que temperamos as informações que cedemos. Este facto, que confere tanto mais subjectividade quanto mais sentirmos aquilo que pretendamos comunicar, é de tal forma intrínseco ao ser humano que adquire dimensões um pouco mais sérias quando é transportado para a imparcialidade pretendida no contexto televisivo, onde o objectivo mor é informar sem contaminar a informação quer no seu entendimento como também na emotividade e estrutura com que esta é divulgada.

As cadeias televisivas são mais, ou menos parciais, mas nunca imparciais de todo. Num ápice, por força de qualquer agudização de sensacionalismo, frieza ou repetição, por exemplo, dá-se o fenómeno da desinformação por  aposta na radicalidade da informação. Ao nível nacional, as produções informativas resumem-se excessivamente aos noticiários, reservatórios óbvios da actualidade informativa.

Os escassos e ocasionais documentários portugueses, tendem a ser mais imparciais do que os noticiários em si, ficando no ar a questão de saber se, afinal, são tão escassos e tímidos exactamente por força dessa maior imparcialidade garantida.

Também em língua portuguesa, os brasileiros, dão cartas na arte de documentar, sobressaindo nesse campo através da denúncia pela divulgação de realidades, sendo exemplos que recomendaria vivamente para o panorama televisivo nacional.

Intrínseca às premissas de como informar, surge a reflexão relativa ao que informar, visto existir um jogo de forças no qual a pertinência de cada notícia deve ser cuidadosamente avaliada com base na sua importância conjuntural.

A título de crítica, diria que vivemos com um meio televisivo que no campo da informação, tende a fundir informar com factos, com informar por opiniões, de que são prova as constantes presenças de comentaristas ocupando o espaço televisivo destinado às notícias, tornando-o um amplo fórum de debates camuflado.
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Sobre a televisão: a virtude da comunicação


Sendo a comunicação um imperativo da espécie humana, acabam por se suceder, ao longo da história, os esforços imaginativos e tecnológicos com vista à concretização do aumento de facilidade de comunicação. A electricidade propulsionou uma série de novos dispositivos, dos quais a televisão hoje se emancipa como uma indiscutível mais-valia para a humanidade.


O ritmo, frequência e abundância de informação revolucionaram o mundo, acabando por haver conseguido imprimir um hábito na cultura de distintas sociedades. Fácil é de concluir que a televisão garantiu a ampliação de cultura não apenas em pontos outrora remotos, mas também em locais antagónicos do mundo de práticas, hábitos e tradições desconhecidas que assim se viram enriquecidos.

De facto, não podemos excluir a noção de que a televisão garante um comodidade tremenda a quem procura saber o mundo, sem abdicar do seu lar. A virtuosidade de podermos saber o que mais preocupa uma nação de distante geografia ou explorar um matagal praticamente inacessível cheio de brutez natural, são simbólicos exemplos de como a televisão é uma aliada do homem.

Aproveitando o tónico das virtudes, como não apontar o cinema, como um dos rebentos mais notáveis da descoberta da televisão, capaz de ficcionar, reflectir ou espelhar, múltiplas preocupações, emoções ou pensamentos comuns a legiões de pessoas? Há quem aponte o dedo ao aprisionamento ao sofá que a televisão confere. Os ingleses, por exemplo, chamam-lhe caixa estúpida. 

Eu, porém, acredito nas valências e vantagens da televisão, apontando o dedo a quem dela se serve, isso sim, para deturpar o sentido, significado, motivação e interesse de comunicar. É a velha questão de culpar determinado conhecimento ao invés de culpar quem dele retira proveitos perniciosos ou meramente interesseiros e como tal afastados dos propósitos naturais e imediatos que dele se podem extrair e usufruir.
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Sobre a religião: o ateísmo


Sirvo-me deste texto final para dar protagonismo ao ateísmo, como decisão de quem não se sente confortável com o leque de paradoxos e contra censos que é capaz de detectar nas premissas da religião e que portanto se vê na obrigação de se emancipar voluntariamente.


Julgo que nem sempre se tornam claros os motivos factuais que levam alguém a ser ateu, tal como nem sempre claras são as respostas às indagações dos outros sobre os motivos de tal assunção, por se tratarem questões de fundo, incomportáveis com respostas breves de conversa rápida. 

A pessoa que adere ao ateísmo tem, em relação à que não o faz, uma vantagem, que é pela decisão tomada comprovar que já reflectiu sobre o assunto da religião. O grupo dos crentes, não inclui unicamente aqueles cujo resultado de semelhante reflexão conduziu à crença (ou não ateísmo), mas também o conjunto de pessoas que nunca se questionou ou preocupou em reflectir com isso, mas que se deixou levar no inquestionável roteiro cultural da religião, que se embarca logo à nascença e que vai fazendo parte do contexto diário, sem grande esforço para o conseguir.

Não é função deste texto vender o ateísmo aos outros, dado ser o produto de uma conjunção de factores demasiado específica para que se deva querer generalizar.O ateísmo surge neste texto na tentativa simbólica de espevitar a atenção dos que o lerem para a necessidade de terem opinião sobre os assuntos pertinentes, de que a religião está longe de se excluir. Os textos que precederam a este, sobre o mesmo assunto, estão impregnados de uma perspectiva ateísta e mesmo acusatória da forma como vejo a religião, sobretudo os seus pontos negros. Há muito que ambicionava gastar algum tempo a esclarecer-me e expor a todos, com a clareza que só a escrita permite. Cesso deste modo este tema, escolhendo o ateísmo no fim, simbolizando o comum traço de nascer religioso e poder derivar para a descrença.
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Sobre a religião: a obstrução do livre pensamento

Não concordo com as religiões porque elas restringem o entendimento e barram o livre pensar pela imposição de esteios com vista à demarcação de um caminho.
Mais grave que isso, não gosto delas pela forma como se apoderam da verdade, a presunção com que se julgam fadadas a conduzir as vidas das pessoas, pronunciando-se para além dos seus propósitos. Lembro-me dos tempos de infância que o discurso de freiras e catequistas era de uma obstinação tremenda, vagueando por conceitos que quando misturados produziam cápsulas de confusão capazes de circunscrever o entendimento e de aturdir tudo e todos. Milénios de história mostram-nos que a qualidade de vida de hoje se deve mais à exploração de novas ideias e perspectivas, do que ao retraimento de espírito constante. Não são conhecidos os esforços da religião por educar, mas por ministrar as suas crenças e julgá-las alimento suficiente. Reparemos que durante séculos a igreja nunca fez nada para que o povo se instruísse. Se hoje a educação está na agenda da religião, que se diga também que não é subsidiada por ela, mas como forma de negócio, sempre alicerçada pelo condicionamento do pensamento dos discente às suas fés e práticas.
A minha experiência pessoal mostrou-me que a educação ministrada através da religião peca pelo bloqueio de alternativas, pela anulação do espírito curioso e pela mistura da catequese com o mundo real, domesticando a natureza à dubiedade e subjectividade das escrituras.
Como não notar que a religião é um estorvo ao futuro? Ela esforça-se por refrear sempre os ânimos, ela presta-se ao passado e fixa-se à única temporalidade impossível de comprovação intelectual: a que nos precedeu.
Por negar em mim o bloqueio às minhas conclusões, às minhas críticas, às minhas teorias e às minhas dúvidas, repudiei a religião da minha vida. Tenho a porta aberta para ser deus da minha vida, para responder por mim, para acreditar em mim.
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Sobre o planeta em risco

Vende-se por todo o lado a ideia de que vivemos num mundo pior, cheio de desastres ambientais, naturais, ideológicos, éticos ou culturais contra a integridade do planeta. Tal avalanche, vista a olho nu, parece credível e rapidamente lhe sucede a desacreditação da qualidade do nosso planeta.
Tenho momentos de maior susceptibilidade a estas fés pessimistas, mas tento ao máximo comedir-me para não comprometer a racionalidade.
Ouvi já dizer que a razão deste sentimento de piora é resultado directo do aumento e rapidez do fluxo informativo. Arrisco dizer que é consequência disso e dos medos que cada evento gera, pois noto que depois de qualquer catástrofe ou notícia mais perniciosa, o foco de quem noticia volta-se para situações homólogas, criando um aura de presença do problema.
Cabe-me a mim dizer, talvez, que isto de se crer num mundo pior ou melhor, é uma empresa de humanos para humanos. O mundo nem está pior, nem melhor, o mundo abarca os homens e tudo o resto, logo o mundo é produto de tudo. Isto para recordar, apenas, que quando falamos no estado do mundo, frequentemente lhe atribuímos vontade e existência humana, vendendo depois a noção de que está em sofrimento.
Quem sofre e se desgasta com o estado do mundo, somos nós e apenas nós. Sugiro que se passe a falar mais nós, sempre que se trata de assuntos afectos ao mundo, dado que assim a perspectiva muda de figura, já que todo o egoísta se toca quando lhe passam o estandarte de primeira pessoa.
Isto de acharmos o mundo uma entidade, cria uma impessoalidade crítica, e faz-nos sofrer em no lugar de incitar à participação: parece que choramos a dor dos outros, quando no fundo, só com uma perspectiva nada condizente com a inteligência, não vemos que o ataque é pessoal, e que urge, portanto, um contragolpe à altura.
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Sobre a recorrência à comparação

O ser humano, talvez porque se transformou num ser corrupto ou porque sempre o foi e simplesmente tornou mais profícua tal capacidade, cerceia-se em sociedade da necessidade de comparações para assegurar que cumpre os deveres assumidos.
O conceito de mercado, aplicado a humanos, parece incutir a necessidade de indicadores, avaliações parametrizadas às vertentes diversas de cada um.
A serventia concreta das avaliações é dar notoriedade a alguns mais dotados nos parâmetros passíveis de analise analítica, sempre subjectivos dado que feito por humanos para humanos. Todos os que se desfasam dos tópicos avaliados vivem nos subúrbios do ideal, ficando à partida limitados de oportunidade.
Poder-me-ão dizer que tudo isso, essa dinâmica de gestão, é natural e inevitável, podendo eu concordar até certo ponto. No mais direi apenas que é falta de respeito pela liberdade de perspectivas criar mecanismos formais que estigmatizem todos os que não são os melhores em dadas funções, mecanismos esses que em nada acrescentam valor aos próprios mecanismos naturais, muito à imagem da teoria de Darwin sobre sobrevivência dos mais bem adaptados.
Não me espanta a rivalidade cerrada e permanente da actualidade em que situações escolares, profissionais, económicas ou de aceitação social sejam focadas continuamente e analisadas até à exaustão gerando neuroses nem sempre óbvias.
Não se pode falar em liberdade enquanto as actividade de estudo, emprego ou vida íntima estejam umbilicalmente ligadas à necessidade de situar os desempenhos pessoais e de conviver com a noção do valor atribuído a cada um pelos indicadores que a sociedade tão pacificamente vai criando para permitir o tratamento das pessoas na base do que é feito no comércio mobiliário.
Muito do buraco negro moral a que chegamos, parte e termina na competição constante que nos mina a vontade de ter ideias diferentes e opções originais.
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Sobre os prazos para aprender

Atento hoje a escrite para um erro, que surge da infeliz avaliação de que uma matéria só é avaliada pela sua complexidade técnica, descurando o factor tempo como elemento tão ou mais decisivo que esta.
Dá-se muitas vezes, em conversas entre pares, a discussão das dificuldades de certos assuntos no que toca ao seu estudo, de onde surgem sempre desacordos ou mesmo auto promoções de determinados intervenientes face ao à vontade, quase sempre exagerado, com que dominam as matérias.
Calha de se cair na tentação de achar que as matérias, e consequentemente os resultados das avaliações a elas, devem ser consideradas de forma descontextualizada. Não há dúvidas de que há duas formas de se complicar a vida a um estudante: ou leccionar assuntos complicados, ou dar-lhe tão pouco tempo para adquirir o conhecimento que a matéria se torna complicada indepentemente do resto.
Nem sempre está claro para todos a questão da temporização, pois quando se avaliam as matérias no seu desafio intelectual, dificilmente se considera o factor relógio, e como tal cai-se no erro de tornar injustas certas afirmações.
Estando este mundo repleto de informações, com tendências para agudizar cada vez mais a situação, o grande desafio do estudante deixa de ser o ideal de adquirir o conhecimento sem achar preocupado com prazos, e passa a ser conciliar o processo de aprendizagem com toda a estruturação de calendário que lhe é dada para o conseguir de forma regular.
Não deixo de me perguntar de que forma a inclusão deste agreste perturbador do espaço temporal necessário à sedimentação de conhecimentos, a calendarização apertada, não terá efeitos já hoje nas formações ministradas. Não se compreende qual é a pressa, qual o frenesim de leccionar tanta coisa de forma mecanizada e pouco saudável. Pois que se aprenda menos então, já que os prazos diminuem sempre.
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Sobre a febre dos currículos

Os currículos de hoje estão repletos de certificados e comprovativos de formação, entre outros diplomas e atestados, funcionando os mesmos como comprovativos de formação e de qualidade, ainda que aqui seja preciso um dose de calma.
Apesar de ser obrigado a ressalvar a serventia de tais documentos, pois a época actual não é dada a palavras de honra, julgo que há uma mentalidade para a busca e sobrevalorização incessante destes documentos. A sua sobrevalorização acarreta muitas vezes um esforço desmedido no sentido de obter, por meios lícitos ou não, classificações honrosas, o que, quando não controlado, deixa de ser salutar e de ser manifestamente compatível com os propósitos de qualquer curso: a aprendizagem.
Quando não se aproveitam os cursos com naturalidade, trabalhando o melhor possível dentro das regras do jogo, qualquer resultado final injusto e desequilibrado.
A concorrência é a grande matriarca dos caçadores de certificados, pois age como repelente mental da normalidade, criando estados de tensão que desencadeiam respostas de natureza atípica e anormal. Claro está que na busca de um emprego, por muito que não se deseje, o currículo constitui peça fundamental de análise, mas a questão, do ponto de vista de quem pretende empregar-se, deve ser lançada de outro miradouro. Falei algumas vezes a amigos, e passo a partilhar: não será preferível levar uma vida correcta e normal, obtendo resultados justos face às capacidades, os quais podem nem sempre chegar a excelentes, mas correr o risco de ser admitido e superar as expectativas? Assim evitar-se-ia o tombo sofrido por muitos pajens dos certificados, que são integrados nas empresas como autênticos supra-sumos da sabedoria técnica, e que depois fraquejam porque não reúnem valias ao nível da presença relacional entre os colegas ou se retraem quando são chamados a momentos da verdade. É preciso aprender a conviver com as limitações sem frustrações e aproveitar as devidas ocasiões para contraria-las, nunca o contrário.
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