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Sobre a colectividade

A terciarização inerente às actividades colectivas, leva a que a responsabilidade individual dê origem a um código ético que se propõe a gerir toda a colectividade dos actos, decisões, comportamentos, ocorrências.
Fui despertado para o conceito num documentário onde se falava na forma como as empresas, devido a serem pessoas colectivas, como se designam, acabam por contornar muita coisa devido ao seu anonimato ou corporativismos.
Na altura o exemplo dado foi o de uma empresa do ramo petrolífero, cujo presidente foi alvo de manifestações ecologistas à porta da sua residência, devido a recentes decisões da empresa. O presidente convidou os activistas a tomarem um chá e começaram a conversar, do qual resultou o reconhecimento de que o presidente, enquanto pessoa singular, era contra a o prejuízo da natureza por parte da empresa a que presidida, mas que ele, enquanto presidente, não tinha como sentir-se mal por atentar contra esta, dado estar a caminhar no sentido do sucesso da empresa.
Ora, recorri a esta imagem que comigo retive, para chamar a atenção da quantidade de pessoas colectivas, quer sejam empresas, instituições, comunidades ou associações, que existem no mundo e que por força dessa colectividade, se consegue desprover as pessoas do seu sentido crítico e dos seus valores pessoais, unicamente porque se fantasia a passagem para o colectivo, uma existência desumanizada. Tal máquina serve os propósitos individuais de quem a gere, mas garante que os crimes não sejam cometidos por pessoas, além de ser um artifício psicológico para que se façam asneiras e não haja sentimento de culpa.
Não quero carimbar este texto como uma mensagem anti-empresarial ou anti-sociedade, gostava sim de trazê-la para um domínio mais largo, no qual também se verifica. Todos fazemos parte de comunidades, que embora não o sejam formalmente, acabam por ser pessoas colectivas, no qual se depositam as esperanças e as culpas, a meu ver com uma utopia desmedida. A culpa e o sucesso, é de homens e mulheres, a eles o mérito, a eles a responsabilidade, a eles a pena.
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About lists of contacts

Today I bring to discussion a fact that was object of my attention although seeming very obvious and simple.
Despite knowing that a catalogue or list is a product of human need to have an order of any kind that allow a quicker dealing with information, based in organization principles, it is however interesting to realise that people so different can be put together just because of name or birthday.
One such case of that can be found on cell phone contacts list. There, the danger of contacting the wrong person can be a question of an incorrect press. The list of contacts based on names do not include profoundly crucial things like the kind of relation the person has to you, so it has a consequence of allowing a random combination of family, friends and work contacts. Grandfather, girlfriend and your boss are one improbable but possible sequence combination. We have to remember that sometimes the names of contacts assume other words than the real names, what helps to develop a higher random predominance in our expectations.
The fantastic thing about that rather than the danger of wrong message sending or phone call try, is that we accept that order established by lists, because they seem to make sense according to names and designations, but if we experience reading them in sequence, our thoughts are conducted in such a path that some of them may be in opposite positions of your brain, according to feelings towards them.
In addition it is also funny to realise how a so diverse sort of people have a connection in particular list that serve as a criteria to join them together. A rule that means nothing in practical terms since those elements of the group may even be unknown to each other for a whole life.
More than a try to extract a conclusion this is a text of observation, aiming to bring up the fact from the cabinet of known but unthought things of human life.
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Sobre a televisão: legislação e regulação

Ao fim de vários registos acercando a situação e retrato da actual televisão aberta, findo esta intervenção olhando não para um futuro ideal, mas para um presente ideal, possível de construir mediante a reflexão dos que fazem da televisão seu emprego mas também dos que a consomem amiúde.
Pode aparentar ser perda de tempo explorar o assunto da televisão na perspectiva do consumidor, mas acredito vivamente que só a acção conjunta de ambas as partes pode efectivamente acreditar a qualidade daquilo que nos chega aos ecrãs.
Para mim, e note-se que falo sempre por mim, daí estar este blogue sempre aberto a comentários, julgo que a televisão deveria assinar compromissos com o ministério da cultura, da mesma forma que existem regras para a venda dos produtos, também aquilo que é servido na televisão, deveria respeitar regras estabelecidas para garantir a qualidade dos produtos. Sei que, com isto, muitos poderão pensar que é um ataque à liberdade de expressão, mas devo dizer que não defendo a abolição de conteúdos da televisão, simplesmente a limitação de certos tipos de programação para um número máximo de horas por dia, semana ou mês. Não mais poderemos encolher os ombros à pobreza criativa das grelhas televisivas ou até aos jornalismos populistas, desinformativos ou medíocres em inovação. Se somos pobres quer na cabeça quer no bolso, também se deve isto a preterirmos debates televisivos a novelas cativantes, ou a evitarmos documentários pertinentes para ter sobredosagem desportiva.
Acredito vivamente que cabe ao Estado assumir a rédea de tamanho empreendimento na mesma medida em que reconheço à sociedade civil uma inércia para a mobilização, sinal talvez de um passado com familiaridade no silêncio e obediência, ou ainda de um fraco acreditar no poder individual e na necessidade da intervenção pública como vector para um espaço público coerente e saudável.
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Sobre a televisão: o dever moral social

O apuramento da técnica e indústria televisiva empolou a sua diáspora e implementação, tendo contribuído para a criação de um espaço televisivo privilegiado do ponto de vista de visibilidade e alcance.
Tal alcance tem um valor acrescentado enorme, como comprovam os preços da publicidade nas horas de maior afluência aos canais, pelo que os anunciantes se digladiam por tempos de antena de grande repercussão.
Acontece que tal como estes, a própria televisão confere a si mesma um tempo de antena de igual poder comunicacional, não devendo descurar portanto a importância de preciosos minutos em que a transmissão de informação atinge o seu auge. O dever moral social, que escolhi como título desde texto, refere-se exactamente a essa importância que a televisão permite a si própria, e que deve conduzir a um respeito pelos conteúdos e pela transversalidade de público que tem.
Não é moralmente correcto que se abdique de certos esforços por agradar a todos, tal como não é moralmente recomendável que se despenda o precioso tempo de antena com massivos programas sem qualquer intuito cultural que não o de ocupar o tempo. A título que sugestão, gostaria que fosse criado um algoritmo de classificação quantitativa de conteúdos, a fim de que o consumir mais esquisito pudesse de facto constatar a linha de programação de determinada antena, ou seleccionar a grelha televisiva do seu interesse com base em mais parâmetros do que as sinopses, que conferem mais um traço descritivo do que escalar.
Julgo que a existir, semelhante estrutura de classificação, poderia quer determinar os níveis da televisão dentro de fronteiras, quer comparar a nossa televisão com a estrangeira, podendo até vir a servir de barómetro para a evolução do universos programático da televisão, apresentando-se então como uma ferramenta de forte utilidade para quem se interesse pela análise do dever moral e social a cumprir.
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Sobre a televisão: a virtude da comunicação


Sendo a comunicação um imperativo da espécie humana, acabam por se suceder, ao longo da história, os esforços imaginativos e tecnológicos com vista à concretização do aumento de facilidade de comunicação. A electricidade propulsionou uma série de novos dispositivos, dos quais a televisão hoje se emancipa como uma indiscutível mais-valia para a humanidade.


O ritmo, frequência e abundância de informação revolucionaram o mundo, acabando por haver conseguido imprimir um hábito na cultura de distintas sociedades. Fácil é de concluir que a televisão garantiu a ampliação de cultura não apenas em pontos outrora remotos, mas também em locais antagónicos do mundo de práticas, hábitos e tradições desconhecidas que assim se viram enriquecidos.

De facto, não podemos excluir a noção de que a televisão garante um comodidade tremenda a quem procura saber o mundo, sem abdicar do seu lar. A virtuosidade de podermos saber o que mais preocupa uma nação de distante geografia ou explorar um matagal praticamente inacessível cheio de brutez natural, são simbólicos exemplos de como a televisão é uma aliada do homem.

Aproveitando o tónico das virtudes, como não apontar o cinema, como um dos rebentos mais notáveis da descoberta da televisão, capaz de ficcionar, reflectir ou espelhar, múltiplas preocupações, emoções ou pensamentos comuns a legiões de pessoas? Há quem aponte o dedo ao aprisionamento ao sofá que a televisão confere. Os ingleses, por exemplo, chamam-lhe caixa estúpida. 

Eu, porém, acredito nas valências e vantagens da televisão, apontando o dedo a quem dela se serve, isso sim, para deturpar o sentido, significado, motivação e interesse de comunicar. É a velha questão de culpar determinado conhecimento ao invés de culpar quem dele retira proveitos perniciosos ou meramente interesseiros e como tal afastados dos propósitos naturais e imediatos que dele se podem extrair e usufruir.
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Sobre a religião: a comercialização da fé

Os grandes propósitos espirituais das religiões, esbarram na impossibilidade de sobreviverem alheias ao mercado capital que confere poder de compra como via para a aquisição dos produtos pretendidos.
O obstáculo da dimensão material que a religião tem, pela via humana, faz com que esta tenha de se submeter à necessidade de gerar fundos de sustento do edifício religioso, e como tal, cria uma aura comercial em torno da religião.
No nosso país, acaba de ser inaugurado o novo santuário de Fátima, obra colossal, em grandeza e custo, constituindo a 4ª maior igreja do mundo. Saber que uma Igreja pregadora da pobreza decide pelos seus líderes edificar monumentos de culto de alto valor comercial e motivo de propaganda da fé, e que esta manobra é conseguida usando os fundos caritários dos crentes que no fundo ficaram, esses sim mais pobres para enriquecer a sua religião, só abona a favor desse paradoxo existente entre a crença e a realidade.
Toda a riqueza da Igreja poderia ser dispensada ao próximo, como de facto prega a sua doutrina. Necessitamos de um Vaticano, de um santuário ou de uma capela para que haja fé. Quem quiser trabalhar para a pureza da religião, pois que trate de descobrir formas de libertação material do dinheiro e dos bens imóveis sem sacrificar o  credo a esses elementos. A comercialização da religião só confere comodismo aos seus servos, porque elimina a necessidade de mostrarem como se pode praticar a religião da maneira mais perfeita: pela via da virtude. Quem não achar um escândalo, que visite então Santiago de Compostela, na Galiza, e repare como até já existe um aparelho para se ouvirem orações, mediante a introdução de uma moeda. Tudo isto dentro da igreja, supostamente local de culto e respeito pela fé nas escrituras. Que gente é esta, que aceita ver os pregadores em desrespeito ao que pregam e ainda assim se firma na sua crença de que tudo está bem e faz sentido de tal forma?
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Sobre a inutilidade das contas de e-mail

Embora surgidas com oportunismo e potencialidades notáveis, a verdade é que as contas de e-mail pessoais, longe de facilitar e ampliar o recurso à escrita que outrora passou pelas agora praticamente obsoletas cartas redigidas à mão, caíram num beco que as tem mutado para fins longínquos ao salutar exercício da escrita.
As mesmas, são hoje muito mais um bilhete de identidade virtual, cheio de limitações de segurança para o poder ser habilitadamente, do que uma ferramenta de real e popular utilidade no processo de comunicação escrita.
Excluo do âmbito desta intervenção, os exemplos de caixas de correio virtuais do tipo profissional ou que não dependam do livre arbítrio das vidas pessoais, pois aí a utilização atribuída é imaculada, não fossem as regras e práticas adoptadas.
Voltando àquelas do tipo pessoal, são hoje um reservatório de tudo o que não queremos, palhaçada em excesso, melodramas em excesso ou um sem fim de trafulhices em excesso. Qualquer um sabe dizer quase sem pestanejar quantas mensagens personalizadas recebeu no espaço de meses. A facilidade com que se mandam mensagens a grupos quase extinguiu a existência de remetentes singulares, dando lugar ao desrespeito pela individualidade de cada ser humano .
A partir do momento em que deixa de haver mensagens, devidamente habilitadas a tal designação, a circular, não faz sentido chamar correio à conta de e-mail, porque não funciona como tal, passa a ser qual montra virtual, no caso dos fins publicitários ou poltrona virtual, no caso dos assuntos recreativos mais diversos e maçadores.
Esta é talvez a maior das incoerências da Internet. Não havendo como rejeitar a conta pessoal e requisitar um alternativa mais decente, obrigam-nos a conviver com tamanho colosso da inutilidade para garantir todas as vertentes da net.
A todos os que me mandam mensagens com inutilidades eu peço que parem e que entendam que só estão a contribuir para uma vontade cada vez maior de vos ignorar.
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Sobre o tempo estereotipado

A materialização do tempo, concretizada pelos relógios,, cronómetros, cronógrafos ou temporizadores determina hoje, ainda início do século XXI, mais do que deveria.
Não encontro outra utilidade de saber permanentemente o tempo que não perante situações onde mais de um ser humano tenham de se sincronizar para garantir organização num qualquer evento que participem ou do qual estejam dependentes.
Espanta-me que passemos a maior parte do tempo sem perder a noção do tempo, como se a sua perda conduzisse à impossibilidade de vida.
O tempo tem hoje uma posição autoritária face às vidas humanas. Ele, que deveria servir somente a organização colectiva, dita comummente as regras da rotina individual. Fá-lo sempre que alguém decide com base no tempo em vez da vontade, como quando se decide almoçar pelo que diz o relógio e não pela fome, ou quando se manda alguém para a cama por serem horinhas. Há nisto um quê de escravidão, inexplicável do ponto de vista de quem olha para o tempo e pensa, por exemplo, porque motivo deve andar toda uma civilização atada a 24 horas diárias. Podendo estar a ser ignorante, neste ponto, não vejo motivos para acreditar que 24 horas são a medida horária correcta para um dia nos tempos modernos. Há muito neste mundo que precisa de algumas reformulações, o próprio tempo desajustou a validade e utilidade das actuais convenções de contagem do tempo.
A prova mor de que a escravidão do tempo existe foram os recentes ecos dados por alguém que não recordo, mas cuja mensagem era clara: mudar o fuso horário português para que houvesse mais sincronia no plano europeu. Em termos objectivos, porque não manter o sistema horário e simplesmente deslocar as rotinas de acordo com o interesse? A nossa fraqueza é desistir de certas metas, deixando para os vindouros ou para os vizinhos a aparente maçada de discutir assuntos que não poderiam ser de maior interesse geral. É mais fácil discutir assentos de autocarro.
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Sobre as relações de conceitos

Dificilmente somos confrontados com a ideia de que é necessário saber ligar conhecimentos para se chegar algum dia à sabedoria absoluta.
Um homem que conhecesse todos os aspectos do mundo em que vive, nunca poderia ser um homem absolutamente sábio na medida em que apenas constituía uma base de dados suficiente para ressuscitar, através de exercícios de memória, informações avulsas. Existe algo superior à catalogação de conhecimentos, que é a relação dos conhecimentos. Um relacionamento do total de conhecimentos passíveis de catalogação traria um rol infinito de novos conhecimentos, que, por sua vez, poderiam ser outra vez sujeitos a novo cruzamento por relações, de forma ciclicamente infinita.
A falta de entendimento da veracidade deste processo mostra de forma clara a nosso distanciamento da sabedoria absoluta. Tendemos a relacionar corriqueiramente de forma viciada, culminando cedo de mais em conclusões a que ousamos chamar de conhecimento. Se o mundo se resumisse ao peixe, ao tomate e às batatas ninguém seria sábio absoluto apenas por conhecer estes 3 dados base: faltaria pelo menos a noção de caldeirada.
Temos então sabedoria como um processo duplamente árduo, de catalogar as premissas do mundo, passo pelo qual ficamos quase sempre, e a etapa de relacionamento total para a obtenção do verdadeiro conhecimento racional, o único que faz a diferença, pelo potencial criativo e inovador.
Fico tentado, posto isto, a atestar que tendo, cada vez mais, a apreciar aqueles que são capazes de fazer asserções espontâneas de conceitos de menos óbvia conexão; em detrimentos dos que se revelam autênticas enciclopédias ambulantes. Farto do estereótipo de sabedoria actual, começo a procurar ser eficiente no relacionamento aleatório de conceitos, pois aí reside o verdadeiro desafio da natureza humana.
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Sobre a pirataria musical

Ouvi na semana passada dizer, e bem, que os portugueses não são sensíveis aos direitos musicais de autor, achando normal a colectivização de produções particulares.
Já me bati diversas ocasiões pelo cessar da pirataria junto dos que me são próximos. Muitas vezes fui confrontado com argumentos diversos, como o excessivo preço cobrado na aquisição de qualquer álbum lançado, ou aquele mais anárquico que assenta da ideia de que: se todos fazem porque serei diferente?
E eu vou respondendo com a chamada de atenção, para o que é do foro particular, do trabalho criativo de cada um, que tem o seu valor e deve ser cobrado. No limite apelo à relação sentimental que o ouvinte tem para com o artista, alegando que é no mínimo uma falta de respeito para com alguém que a pessoa pode até venerar. Não faz sentido ser-se fiel a uma artista mantendo cópias piratas na gaveta das suas colectâneas.
Esta conversa só faz sentido porque há alternativas. Não é preciso gastar dinheiro na compra para ouvir o que se gosta. Basta abdicar do selvagem desejo de posse.
Numa altura em que os computadores tendem cada vez mais para um estado de constante ligação à rede, porque não optar pela execução das faixas desejadas na própria rede, sem haver lugar a uma por vezes problemática ocupação do disco pessoal? O tempo perdido a sacar obras inteiras poderia ser dedicado à pesquisa na rede de sites dispostos a pagar os tais direitos negligenciados por muitos em troca de visitantes famintos de música. Os mesmos sites até se dão ao trabalho de tocar géneros, permitindo descobrir novos artistas de estilo idêntico.
Torna-se esquizofrénico recorrer à pirataria neste cenário.
Deixo-vos 4 sites, dos quais me sirvo recorrentemente com a felicidade de me sentir legal e de bem com aqueles de quem sou fã.

www.1club.fm ; http://www.videocodezone.com/ ; http://www.last.fm/ ; http://www.hotget.com/
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Sobre a fragilidade do conhecimento

Qualquer abordagem visando a temática do conhecimento traz consigo a árdua tarefa de definir o conhecimento, de o qualificar enquanto fenómeno ou processo cognitivo. Conhecer, reconhecer, lembrar, saber, distinguir, definir ou explicar são todos termos que se tocam e que comungam de muito entre si. Haveria lugar a incontáveis correcções caso me propusesse lançar a minha versão sobre todos eles. Aquilo que sugiro, no entanto, é mais simples. Atentemo-nos na enorme massa de conhecimento que sustenta as nossa civilizações, e pensemos bem nos riscos que corremos cada vez mais ao adoptar o modelo virtual de armazenamento. Por várias vezes já me descobri na pensar na hipotética eventualidade de um desastre incomensurável e nas implicações que o mesmo teria na organização e sustentação das sociedades no campo do conhecimento. As novas tecnologias promulgam o conhecimento, dão-lhe acessibilidade contribuindo para uma menor necessidade de interiorização. No cenário que tracei, imagine-se a total abdicação da electricidade, por colapso. Como iríamos gerir a repentina perda de conhecimento que isso implicaria? Que dimensão teria o retrocesso civilizacional directamente associado à dissolução das fontes do saber dependentes da energia? Penso nisto não com o intuito lúdico de iludir-me do actual presente, mas com vista à reflexão sobre a forma como se processa o conhecimento e como se devem salvaguardar alguns aspectos que o impermeabilizem de percalços improváveis mas ainda assim possíveis. O conhecimento flui pelas teias de relacionamentos profissionais, amorosos, familiares ou amizades, mas em momento algum, sobre ele incide a posse alheia. Temos em nossas mãos o poder de gerar mais conhecimento em menor tempo útil, mas as mesmas ferramentas que são usadas para a obtenção dessas metas, podem apadrinhar, um dia num cenário desfavorável, uma inversão dessa tendência.
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Sobre a ética na ciência

Os grande projectos científicos, englobam, no seio dos investimentos que representam, estudos e pareceres legais e éticos sobre os assuntos em que se inserem, buscando estabelecer raios de intervenção cerceadores.
Seria um desgoverno completo avançar progressivamente para aprimoramentos do conhecimento sem que se fizesse sentir ou impor o freio resultante de reflexões racionais sobre os proveitos directos de cada pedaço de conhecimento face aos riscos a ele associados ou ao despoletar de focos potenciais de risco.
A psicologia alerta, porém, para um fenómeno muito comum nas actividades humanas, cuja descrição se identifica pela tendência humana para a projecção de expectativas em situações onde se exige neutralidade e ausência de emotividade.
Ainda que leigo na matéria, preocupa-me essa simultaneidade e dependência entre quem quer retirar proveitos das investigações que sustentam os projectos e quem tem de emitir um parecer ético e meramente racional sobre a mesma investigação.
Torna-se claro que a extrema complexidade e requisitos, que são e exigem, respectivamente, a ciência actual, conduzem a cenários onde o parecer ético mais consistente deveria chegar por parte do próprio cientista que investiga, pois só ele, por dedicar todo o seu tempo e atenção, conhece os meandros reais do seu trabalho. Este, porém, carrega em si a vontade de saber mais, o desafio de chegar mais longe, e como tal balanceia a ética do seu estudo com a vontade de que é portador, correndo o risco de eclipsar o propósito maior da ética, que é impedir o alcance de paradigmas que ameacem a natureza e o sentido de humanidade.
Dada a conjuntura em que nos encontramos, fértil na crise de valores, o maior desafio de quem faz ciência, a meu ver, é conciliar a obtenção de mérito científico com o reconhecimento da insustentabilidade de certas opções, pois não há mérito maior do que evitar o mal pela abdicação da descoberta da maldade.
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Sobre o uso da mente


O enorme esforço que o ser humano tem de despender para conferir elasticidade e profundidade à actividade do seu cérebro leva-me a perguntar se não será a actividade mental uma mais valia evolutiva cuja consolidação ainda inexiste.


A preguiça que se ergue quando é necessário estudar, aprender ou explorar mais, motiva esta hipótese que aqui levanto. Ela ganha, aliás, alguma força, se for tido em de linha de conta o facto de que o esforço intelectual paga-se melhor, em termos profissionais, do que as exigências físicas. Isto frequentemente não é muito bem compreendido por quem não conhece a problemática de ter de pensar obrigatoriamente todos os dias, no lugar de cumprir tarefas árduas do ponto de vista físico.

As empresas sabem que dependem de ideias para inovar, para ambicionar ou para projectar, daí se rodearem de peritos que nem sempre são bons profissionais, mas que surpreendem de quando em vez com construções teóricas que, após modeladas, permitem lançar trunfos no mercado e criar riqueza.

Se pensar não fosse um esforço ou desgaste, talvez não houvesse grande vantagem em estudar mais uns anos, em acumular graduações e formações, pois não haveria, em termos de mercado de trabalho, qualquer tipo de vantagem ou aliciante profissional que motivasse essa exigência adicional. Todavia, sobre a hipótese de ser uma vantagem evolutiva não consolidada, isso detém-se exactamente no obstáculo que é pensar. Uma espécie consolidada do ponto de vista intelectual não seria tão reticente em aproveitar o recurso que lhe confere superioridade evolutiva.

Um dos sinais de que todos temos em nós esse respeito pelo esforço de pensar está no reconhecer enorme utilidade a todas as ferramentas tecnológicas que se servem de cômputos, o que não deixa de ser sintomático de que poderemos andar ambicionar superar a não consolidação da mente pela via da tecnologia.
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Sobre o vício da novidade

Em tempos onde a produção escasseava, onde não havia essa coisa das prateleiras cheias de produtos para venda, nenhuma outra opção se impunha que não a de resignação perante a ausência de novidades ou uma derivação da busca por novidades para outros campos que não os da comercialização de produtos.
Nos dias de hoje, bem como de forma ascensora no futuro, a busca pelas novidades, facilitada pelos pólos e galerias comerciais que conjugam diversidade com quantidade e até com preço reduzido, permitem ao ser humano desfrutar da sensação de saciedade e preenchimento com uma frequência elevada.
As crianças recebem e querem cordilheiras de brinquedos quer pela curiosidade quer pela alegria de posse, de ter propriedade sobre mais um objecto.
As pessoas ouvem músicas que não têm problemas em repetir-se, diferindo quase nada às vezes, partilhando o tema de acção, retratando coisas idênticas com variações mínimas, como se o importante fosse o ouvir sempre o novo, aquilo que apesar de já existir, é lançado novamente no mercado.
Os filmes nem sempre têm dignos motivos para ser lançados, pois acrescentam nada, mas ainda sim são visionados, o mesmo acontecendo com as novelas, que esgotam enredos por serem tantas, e que são literalmente devoradas pelas pessoas.
As livrarias estão repletas de autores que descobrem uma fórmula (ou será forma?) mágica de produzir obras em série, repetindo ganhos nessa busca desenfreada das pessoas por um novidade que só o é no acto de comprar o que é lançado no momento, mas que pouco ou nada tem de criativo para ser considerado novo a esse nível.
A monotonia do dia-a-dia cresce na mesma proporção em que se perde o pudor de chamar novo ao que é uma repetição, ao que só é novo por não ter estreado, mas que não resulta de inspiração superior àquela necessária para copiar ou que tem um grau de complexidade perfeitamente acessível a qualquer pessoa com tempo.
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Sobre os perfis virtuais

A Internet é hoje um veículo extraordinário para um fenómeno que talvez outrora ocorresse em moldes similares, mas recorrendo à via postal, e que acredito ser apetecível do ponto de vista da reflexão.
Por este mundo da WEB fora, deixamos de encontrar seres humanos que respondem ao seu nome próprio, para constatar-se a existência de um leque colossal de identidades ocultas, dadas a conhecer por nomes vagos, místicos , exóticos ou indecifráveis. Torna-se clara a existência de uma moda para o disfarce, para o uso de identidades potenciadoras de curiosidade, cujo papel maior é esconder a pessoa que lhe dá uso e inocentar ou desavergonhar esse ser na sua expressão voluntária.
São do conhecimento geral os perigos de se falar com desconhecidos pela net, muito pela facilidade com que se simulam perfis e ludibriam conversas.
Por desconhecidos, ninguém alude às pessoas que se conhece, melhor ou pior, no mundo físico, pois essas, pelo contacto sensorial directo, permitem-nos um sentimento de segurança. Aquilo que dei conta e que é o cerne de toda esta intervenção, vai para a existência de pessoas que nos são à partida conhecidas no mundo físico, mas que parecem estranhos quando encontrados no mundo virtual. Noto isso em pessoas pouco expansivas no dia-a-dia, seres aparentemente curtos do ponto de vista intelectual, que demonstram perfis muito mais artilhados no meio virtual do aqueles que se verificam na realidade, para confusão minha.
Sei que, tal como disse ao começar, a net é vector de liberdade, que permite a revelação ilimitada da polpa de cada um, mas é deveras estranho desconhecer um conhecido e não saber qual perfil é o perfil real.
Assiste-se hoje à versão moderna do admirador secreto que enviava cartas revelando-se e declarando o seu ser, sem nunca revelar quem era; sinal de que há práticas de interesse intrínseco ao ser humano e não à sua época.
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Sobre o acesso à tecnologia

Muito mal seria eliminado do mundo se o acesso à tecnologia não ocorresse de uma forma deliberada e nada restritiva.
Tanto no Portugal como no mundo de hoje não raro acontece de se constatar que alguma tecnologia tende a ir parar a mãos de pessoas que não fazem respectivos usos da forma mais desejável.
Ao me servi deste modo para retratar o fenómeno, recordo-me logo das situações mais berrantes, que são aquelas em que tecnologias bélicas chegam às mãos de quem não tem ferramentas intelectuais e morais suficientemente amplas e sólidas para saber ponderar com respeito a recorrência à sua utilização. Estes são casos mais graves, que têm colocado enormes reticências na busca da paz mundial.
Contudo, acho que o exemplo mais corriqueiro passa pelos telemóveis e internet. Se nos telemóveis se assiste a uma competição pelo estatuto social que supera o reconhecimento da sua utilidade e quase a substitui; já a Internet tem sido usada de forma prevaricadora por todos os que prezam mais consumir uma música (não só música, filmes, jogos, etc.) do que respeitar o trabalho de quem a criou, recorrendo à pirataria descarada.
Parece-me, portanto, óbvio, que antes do acesso à tecnologia está o acesso à educação necessária para tornar a mente receptiva às novidades tecnológicas de maneira a que um indivíduo saiba servir-se da tecnologia para resolver problemas ou melhorar a sua condiçção, mas nunca para ameaçar os outros, criar conflitos ou alicerçar ganas de cariz anárquico que sublevem aquilo que precisa de existir no código moral e ético de um humano moderno.
Perante tais acontecimentos não preciso de muito para concluir que enquanto não se tentar partilhar a educação pelas gentes com a mesma facilidade com que se divulga a tecnologia, corremos o risco de poder viver melhor sem contudo o fazermos.
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