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Sobre a permeabilidade aos outros

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A permeabilidade individua l aos assuntos , opiniões e ideias avançadas pelos outros depende não apenas das hipotéticas convicções que transportemos connosco, como também do locutor que as introduz e envolvência associada.

Um indivíduo sem créditos conhecidos sobre uma dada matéria corre o risco de ser indevidamente levado a sério, independentemente da pertinência e verdade de duas palavras ou ideias.

Temos uma apetência natural para abrir o flanco a locutores que respeitemos, reconheçamos notoriedade e sapiência, isto é, mais facilmente neutralizamos o filtro interno, às exposições externas, pelo respeito devotado ao orador.

Muitos comentadores da televisão dizem disparates sem que o público deixe de ser permeável e sem que se abalem as convicções para o fazer, do público que escuta. Existem, pois, evidências claras da existência de naturais argumentos de autoridade.

Há ainda outro prisma sobre o qual considerara a aceitação das considerações dos outros, este mais narcisista, no qual é legítimo pensar que a permeabilidade é concedida mediante a sintonia de personalidade, ideologias ou relacionamento, entre o locutor e o receptor. O narcisismo reside na eventual permeabilidade a pessoas que de alguma forma contenham traços personalísticos, ideológicos concordante com as nossas, ou com quem tenhamos um relacionamento privilegiando, levando por consequência a uma promoção dessas qualidades partilhadas, a qual no limite desemboca na auto-promoção.

Por gostar de escrever, quando escuto ou leio um colega que partilhe este interesse, poderei estar mais permeável ao que diz, podendo concordar com ele mais facilidade até, porque indirectamente estarei a promover alguém que contém elementos que me valorizam a mim, e como tal, alguém que me permite tirar proveitos pela confirmação do meu gosto, situação que extravasa o valor intrínseco de suas palavras e ideias.

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Sobre as explicações espontâneas

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Ressalvando as explicações que sejam dadas por pura cortesia e sensibilidade, quando o orador identifica as fraquezas do seu público e como tal explica melhor o que diz, passo a abordar de forma genérica os casos que não se enquadrem neste cenário.

Aquilo que me traz a um novo texto, foi ter-me apercebido do quão as explicações que damos, nem sempre de forma consciente no nosso discurso, indiciam o nosso desconhecimento ou fraco domínio das matérias em jogo no discurso.

Pelas explicações dadas por um orador que não seja solicitado no sentido de as fornecer, é possível supor com um razoável grau de confiança os conhecimentos que detém com certeza mas em particular aqueles que em que não consegue abordar com naturalidade suficiente para não achar que deve explicar. Nestes casos, não raro se assiste a uma simplificação do assunto, que é desconstruído em considerações e ideias mais simples e revela que só num patamar mais básico é que o orador se tranquiliza.

Um indivíduo que esteja a explicar um texto e que pare numa palavra em específico para explicar o seu significado, está a dar um sinal à sua plateia de que desconhecia ou conhecia tenuemente aquela palavra. Do mesmo modo, alguém que explica o que é fotossíntese quando refere um assunto que a implique mas que não incida especificamente no seu conceito, estará a mostrar aquilo que poderá ser uma fraqueza pessoal face àquele tema. Tendemos a pressupor nos outros as nossas fraquezas, o que leva a que achemos espontaneamente necessário explicar aos outros aquilo com que esbarramos, que não sabemos bem e precisamos de ajuda.

Isto levanta uma oportunidade, que surge em contracorrente ao sentido deste texto: pelo reconhecimento de que as explicações expõem possíveis fraquezas do orador perante a sua audiência, aquele que estiver consciente desta situação pode procurar controlar e contornar uma exposição que viria ser desgastante e desnecessária. Por esta via, o orador pode-se salvaguardar de uma inferiorização, dando melhor imagem de si.

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Sobre o querer e a satisfação

Comparar aquilo que vislumbro como possível de ser feito quando estou ocupado e aquilo que efectivamente considero fazer quando tenho tempo livre, é um exercício vital para se justificar muito do comportamento humano.
Mais que uma vez tive este conversa para comigo: se o dinheiro é o que move e motiva as pessoas a não se confortarem com o que têm e ambicionarem mais, porque motivo estes milionários da vida não se mudam para um local remoto e paradisíaco e vivem suas vidas na plena das tranquilidades, longe dos problemas e desgastes?
Na busca de uma resposta para isto, consigo chegar a algumas pistas. Então se eu não consigo fazer aquilo que pretendo fazer, sobretudo quando não posso, porque no momento em que posso parece que pretendo fazer é outras coisas, talvez assim seja com essas pessoas e com todos nós, aliás.
Pergunto-me se, de facto, alguém se mudasse para um desses locais remotos, quanto tempo demoraria a mudar a sua forma de pensar, a dizer: mas afinal é esta a minha contribuição para o mundo?
Só tendo noção de que precisamos de um sentido que nos faça justificar a nossa acção ou falta dela, é que podemos apreciar a vida que temos e os esforços que se nos levantam. Eu posso chegar a casa e decidir que vou passar quanto tempo quiser sentado numa poltrona a sentir o tempo passar, olhando para as paredes e pensando no rumo da minha vida. Mas se o fizer, se facto conseguir chegar a este ponto, que, diga-se, seria uma superação, mais minuto menos minuto, a mente processaria ideias de forma diferente e aquilo que antes fazia sentido, o sentar-me na poltrona, como disse, passa a não fazer. O ser humano é inconstante no seu querer. Quero isto mas quando tenho isto, isto não me chega, quero novamente aquilo que tinha antes disto, ou então algo novo. E isto já nada tem que ver com o dinheiro, isto é a natureza humana a predominar, o vício da constante mudança e da constante insatisfação. 
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Sobre as oportunidades de diferenciação

Passamos pelas oportunidades de marcar e mudar radicalmente a nossa vida todos os dias. Temos ao nosso dispor esse poder de decidir em que tipo de coisas investir, se naquelas que já conhecemos e nos conferem tranquilidade, se nas que nos são estranhas e podem diferenciar o rumo, conteúdo e signiicado da nossa vida.
Consegui introduzir uma forte diferenciação da minha vida este fim-de-semana, integrando uma equipa de formandos e formadores que condensou em três dias uma actividade colectiva notável, um esforço conjunto de superação notável.
Mudei radicalmente a minha vida ao integrar espontaneamente e conscientemente este grupo, basta pensar quantos não foram os que tiveram apenas mais um fim-de-semana e que ganharam em tranquilidade aquilo que consegui obter em diferenciação.
Discutia muito recentemente isto num círculo de colegas, o facto de a juventude crescer em demasia assente no conceito de estabilidade do que no conceito de diferenciação. É lógico que o medo de investir e optar por algo que nos é novo e suscita dúvidas existe. Mas a existir existe para todos. Os meus colegas não podem esperar que as suas vidas se resolvam favoravelmente por si, sem que sejam donos dos seus destinos.
Pela mesma mesa onde parei, me informei e esclareci minhas dúvidas, muitos outros passaram sem prestar qualquer atenção ou mesmo reparar que poderiam marcar e mudar radicalmente suas vidas caso respondessem à oportunidade que aquela mesa representava para o futuro do que poderão ser enquanto pessoas e profissionais.
A vida faz-se de constantes oportunidades e inoportunidades, cabendo-nos passar por elas e mergulhar nas que nos suscitem compatibilidade com os nossos objectivos.
Não podemos garantir à partida o local de chegada a que cada oportunidade nos levará, mas podemos apontar genericamente para um caminho e esperar e que a oportunidade faça a sua parte. Num mundo tão repleto de gente interligada só pela diferenciação nos fazemos notar, mas para isso, à segurança da tranquilidade temos de dizer “até já”. 
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Sobre os actuais locais de instrospecção

Atendendo à irrefutável carência de tempo que já se pode considerar uma característica da era em que vivemos, a introspecção tem vindo a perder o seu carácter de rotina estabelecida na vida das pessoas, para se espremer e encaixar algures num momento em que seja menos desconfortável e inoportuna.
Os locais de culto estão tornar-se inadequados porque as pessoas não têm tempo para ir a um desses sítios pensar na vida e no mundo que as rodeia.
Ao invés, nota-se cada vez mais que os grandes locais de culto das pessoas surgem pura e simplesmente aonde tenham de parar ou quedar-se por algum tempo. O trânsito é o principal responsável pela introspecção diária que se vai fazendo. Julgo que as pessoas, aprisionadas em filas perturbantes de veículos sem ter para onde ir, acabam por se ver reféns daquele embaraço logístico e como tal são obrigadas a fazer uma coisa que começa a ser contranatura: parar. Uma vez paradas, podem então fazer as suas introspecções. Os meios de transporte são, portanto, o principal local de culto dos tempos de hoje. Em verdade, uma larga fatia dos textos deste blogue corresponde a ideias que foram desencadeadas por introspecções nos transportes públicos.
As viagens são o grande aliado das pessoas para que consigam ter alguma apetência para se pensarem e se reflectirem cabalmente.
É que a chegada a casa é sinónimo de um rol de estímulos e tarefas a executar que levam ao adiamento por tempo indeterminado da introspecção caseira, e o que dizer da introspecção em locais de culto.
Permanece no entanto uma dúvida, que é a de se esclarecer se as pessoas estão tão introspectivas como dantes, quando tinham na sua rotina a ida aos locais de culto.
Talvez agora se assista a uma introspecção mais auto-didacta e menos orientada para determinados caminhos, o que é um voto de confiança na autonomia individual, mas que consiste num enorme desafio de coerência, imparcialidade e persistência. 
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Sobre o investimento público

Quando se pensa em investir, ocorre-me pensar em algo abstracto, devido à significância da palavra ”investir”. Penso em investir como sendo a aquisição de competências, um curso de fotografia, de línguas, ou então como sendo movimentações financeiras.
Por outro lado, quando se adiciona um complemento e se chega à expressão “investimento público” tudo muda de figura. Entendo por investimento público uma coisa: construção civil. Infra-estruturas grandiosas ou construções locais para as comunidades, a saber hospitais, centros de saúdes, escolas, estradas, pontes.
Chamo a atenção para estas diferenças enormes que impedem, pelo menos a mim, de olhar para aquilo a que se chama investimento público e esperar que contemple investimento em formação, em novas aprendizagens, em abertura de perspectivas, em aquisição de métodos de trabalho e formas de pensar amplas e modernas.
Tudo isto me faz alguma confusão, sobretudo porque acho que o dinheiro vai demasiadas vezes para edificações, as quais não nego valor, mas das quais não dependemos tanto como o fazemos do capital humano.
Em tempo de escassez de emprego, investimento público é ajudar a resolver os problemas directos dos cidadãos, que não passam por uma ponte nova, um comboio rápido, ou um nova auto-estrada. As pessoas precisam que o estado invista nelas, dando-lhes formação para superarem as suas lacunas, e incentivando-as com programas de ensino e acção no sentido de avançarem para negócios alternativos, para criarem as sua pequenas empresas assentes em ideias específicas que possam ter, dando-lhes emprego por essa via e fazendo com que a economia não desmorone com o pessimismo generalizado e epidémico que de outro modo se gera.
Todos sabemos que as obras dão mais votos que outra coisa qualquer, essencialmente porque são comprovações físicas do trabalho e empenho dos governantes, mas o país precisa que se acorde para o novo investimento público, mais centrado no cidadão e não no betão.
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Sobre a excepcionalidade

Hoje em dia existe uma grande sede na sociedade de pessoas brilhantes numa dada área de intervenção, gente que possa apresentar-se e criar impacto publicamente como excepcional.
O critério pelo qual se fixa o que se entende por excepcionalidade dos seres humanos deve ser devidamente debatido, sob pena de vivermos num mundo demasiado pré-formatado para um modelo único de selecção de talentos.
Custa-me bastante ver a forma como se desperdiça muitas vezes capital humano apenas porque se denota de difícil enquadramento no perfil de atributos criado colectivamente em sociedade como forma de distinguir as pessoas ditas notáveis.
A competitividade conduz a uma agudização do valor dos notáveis, pois leva a que se crie a noção de que o sucesso é para os melhores e que os demais sentirão certamente dificuldades porque não terão hipóteses.
Acontece que, como ouvi há relativamente pouco tempo, o mundo tem de estar preparado para todos os que não são notáveis, pelo menos no sentido aceite em sociedade, e como tal devem haver soluções para estes que não as de papel coadjuvante de fraca reputação.
As pessoas podem revelar-se notáveis de várias maneiras sem ter de valer em exclusivo pelos seus dotes naturais. O empenho, a motivação, a capacidade de trabalhar em equipa ou a facilidade de se colocar na posição de outrem para daí equacionar os problemas, são também algumas valências que certamente não constam no actual cânone da excepcionalidade, mas que acrescentam valor aos que as detêm.
O maior paradoxo disto tudo é que quando se passa da colectividade para a singularidade, qualquer sujeito é capaz de concordar ou mesmo sofrer com os efeitos do cultivo de um conceito de valor humano pouco real, dado que não tem em conta a pluralidade e diversidade das pessoas. Os excepcionais não são os que estão mais bem adaptados, são simplesmente aqueles a quem o modelo vigente, com as suas falhas e préstimos, confere uma notoriedade que chega a roçar o estatuto e peca por ser falseado pelo poder da imagem.
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Sobre a ilusão das marcas














Quando se pensa no significado de uma marca comercial, não menos importante deve ser a atenção dada a tudo aquilo que não é visível fisicamente numa etiqueta, adesivo ou placa.

O grande objectivo das marcas, e como tal motivo de grande esforço, é investir euros na criação e manutenção de uma árvore de conceitos que permita que se desenhe no subconsciente dos consumidores a noção do tipo de pessoas que cada marca pretende representar, o tipo de personalidade, mentalidade, estatuto, atividade.

Na última visita que fiz a um centro comercial, apercebi-me de como as marcas batalham essa relação com os consumidores. Uma vez conquistada a confiança do consumidor, surge uma situação peculiar mas bastante comum que é o consumidor deixar de questionar se determinada marca representa aquilo que este pretende ser, enquanto ser que reflecte e decide. Garantida a confiança do consumidor, as marcas rompem a barreira da crítica e ganham uma autonomia gigante para venderem a estes consumidores conquistados qualquer produto que proponham, sem que lhe tenham de relembrar que tipo de pessoas estão representar. Independentemente do padrão da roupa, do cheiro do perfume, das linhas do carro ou do feitio do relógio, a mera inscrição da marca é garantia de sucesso.

É por este motivo que se fala num mundo das marcas, que nada mais é do que um mundo de ilusão, no qual se troca a liberdade de decidir do que se gosta pela ilusão de se acreditar que se é aquilo que as marcas dizem que são os que consomem aquilo que vendem.

Torna-se pois imperativo para qualquer marca conceber bem o seu posicionamento no segmento, identificar perfeitamente o público que pretende representar e que ambições tem esse público, para assim trabalhar a forma como poderá dizer-lhes que se forem clientes da marca serão aquilo que ambicionam ser.

Não é preciso ser estudioso dos mercados para perceber que este é o grande número das marcas no cenário do comércio. Alguma ilusão julgo que seja benéfica para o consumidor acreditar no produto, mas acho que hoje vivemos com demasiada pressão nesse sentido.
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Sobre a colectividade

A terciarização inerente às actividades colectivas, leva a que a responsabilidade individual dê origem a um código ético que se propõe a gerir toda a colectividade dos actos, decisões, comportamentos, ocorrências.
Fui despertado para o conceito num documentário onde se falava na forma como as empresas, devido a serem pessoas colectivas, como se designam, acabam por contornar muita coisa devido ao seu anonimato ou corporativismos.
Na altura o exemplo dado foi o de uma empresa do ramo petrolífero, cujo presidente foi alvo de manifestações ecologistas à porta da sua residência, devido a recentes decisões da empresa. O presidente convidou os activistas a tomarem um chá e começaram a conversar, do qual resultou o reconhecimento de que o presidente, enquanto pessoa singular, era contra a o prejuízo da natureza por parte da empresa a que presidida, mas que ele, enquanto presidente, não tinha como sentir-se mal por atentar contra esta, dado estar a caminhar no sentido do sucesso da empresa.
Ora, recorri a esta imagem que comigo retive, para chamar a atenção da quantidade de pessoas colectivas, quer sejam empresas, instituições, comunidades ou associações, que existem no mundo e que por força dessa colectividade, se consegue desprover as pessoas do seu sentido crítico e dos seus valores pessoais, unicamente porque se fantasia a passagem para o colectivo, uma existência desumanizada. Tal máquina serve os propósitos individuais de quem a gere, mas garante que os crimes não sejam cometidos por pessoas, além de ser um artifício psicológico para que se façam asneiras e não haja sentimento de culpa.
Não quero carimbar este texto como uma mensagem anti-empresarial ou anti-sociedade, gostava sim de trazê-la para um domínio mais largo, no qual também se verifica. Todos fazemos parte de comunidades, que embora não o sejam formalmente, acabam por ser pessoas colectivas, no qual se depositam as esperanças e as culpas, a meu ver com uma utopia desmedida. A culpa e o sucesso, é de homens e mulheres, a eles o mérito, a eles a responsabilidade, a eles a pena.
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Sobre o comentário nos meios de comunicação social

Revistas, semanários, diários, gazetas, folhas, telejornais, colunas, blogues, as erupções do comentário ombreiam com a própria informação, criando espaço nos meios de comunicação para uma etapa póstuma à da informação, que é a digestão, maturação, ampliação e clarificação das notícias e coberturas que vão surgindo.
Geralmente são chamados a comentar senhores e senhoras que reúnam proveitos experienciais vários oriundo de formações curriculares ímpares ou cargos de notoriedade. Esta é a principal razão pela qual se dá tanta atenção às pessoas que comentam. Em seguida vem o que dizem, mas só depois, para então nos dar-mos à absorção daquilo que tais pessoas dizem ou escrevem. Muito se aprende, diga-se, com a comunhão das considerações que gente instruída e experiente possa apresentar às comunidades, mas julgo começar a escassear espaço para tanta gente a comentar, sobretudo porque a certa altura são tantos os comentadores que os factos passam a ser escassos, e como tal satura-se a paciência para ler tanto do mesmo em comentadores tão diferentes, podendo até dar-se a efeméride de se assistir ao comentar dos comentários uns dos outros.
Mais do que retratar este panorama, o que me faz escrever sobre este assunto é que no meio de tanta acumulação de comentadores, extensível até a gente anónima nos tantos fóruns de discussão públicos, os frequentadores vorazes desses meios acabam por se tornar numa comunidade que é daltónica para a sua passividade e que acaba por ser altamente condenável por isso. Por muito boas que as ideias dos comentadores possam ser, nunca substituirão a actividade a que se referem, e como tal nunca perderão o seu cariz passivo de observação. Mais, por muito crispado ou indignado que possa ser o tom de quem comenta, só essa cegueira de satisfazer a vontade de comentar é que impede o comentador de ver que quem tem tanto interesse, tanto a dizer, a elogiar, a contestar, a problematizar deveria estar na linha da frente para contribuir para as situações abordadas com tudo aquilo que teria a dizer no comentário. O engarrafamento de comentadores pode ser um vício, parte dos problemas até.
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Sobre o retorno a assuntos já abordados

Quiçá por fantasia ou impressão despreocupada, a quem escreve pode eventualmente reinar uma sensação de que uma vez redigido certo facto, argumento ou opinião, naturalmente não se sentirá necessidade de reiterar o produto escrito, ou seja, que o tema fica à partida resolvido face ao sujeito que o enfrenta.
Suponho que possa ser da natureza emotiva da escrita que se volte aos temas, esquecendo o valor racional do que se produziu, estático do ponto de vista temporal. A verdade é que o emocional, por ser mais prendado no exigir do presente, acaba por sobrepor-se com frequência à solidez do valor lógico daquilo que fora dito, culminando numa nova exposição sobre o tema.
Note-se bem que falo do campo da escrita pessoal, não da leitura pessoal, pois aí o resgate de textos antigos nada tem que ver com o impulso de retornar a abordar um conteúdo já exposto.
Para quem escreve, ergue-se então um problema de memória: não ficar preso à repetição temática nem a uma mensagem desprovida de novidade e imprevisibilidade, isto a menos que se trate de uma consentida e intencional campanha.
O que o pensamento me devolveu, foi precisamente a noção de que posso ser acometido para a escrita com vista a aliviar um impulso pontual de escrever sobre um qualquer assunto, embora de cada vez que o faça sinta que o assunto ficou resolvido, desde que me contente com o produto do esforço de redacção.
Também no jornalismo, na política, na educação, no desporto, nas conversas do dia-a-dia ou no pensamento contínuo de cada um, este fenómeno é vulgar, perceptível na forma como se regressa às mesmas conversas, ideias, memórias, argumentos, assuntos, factos, opiniões, temas e perturbações, instigados por uma carga emotiva que ganha à frieza da teia lógica, que tudo faz para fingir definitiva uma incursão plena de redundância.
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Sobre o desiquilíbrio das áreas do conhecimento

As áreas do conhecimento estão longe de possuir idênticos níveis de apuramento e tal facto reflecte-se de uma forma nem sempre imediatamente perceptível no ensino, desde o básico ao superior.
De facto, os fracassos a matemática e a física, que fazem muitos alunos adquirirem anticorpos contra as disciplinas em si, são reflexo da impreparação dos alunos mas devem ser ressalvados salientando que essas áreas do conhecimento não são equiparáveis às outras, na medida em que embora sejam englobadas num mesmo ciclo de estudos, não significa isso que partilhem igualmente o desafio e o grau de dificuldade.
Não tenho dúvidas de que se o ramo do Português, da Biologia ou da Psicologia alcançassem semelhantes patamares de desafio intelectual devido à matéria em si mesmo exposta, os resultados da Matemática encontrariam irmandade nos das outras disciplinas. Não se trata de menosprezar a dificuldade das outras áreas do conhecimento, antes de honrar devidamente o facto de que nas ditas ciências exactas, o esforço de superação alcança expoentes máximos que só poderiam ser equilibrados ou por uma suavização das mesmas disciplinas ou então por um elevar da fasquia nas restantes, mas nunca pela sua simplista comparação que acaba por ser discriminatória.
Seria bom que se pensasse também neste tipo de questões, porque poderão ser eventualmente menosprezadas face à ilusão das estatísticas mas que na sua raiz poderá potenciar a desacreditação das ciências exactas como passaporte para o ensino superior, unicamente porque desmotiva os alunos devido à sua mais apurada complexidade, que exige dos alunos a aprendizagem de ferramentas desafiadoras mais cedo que outras disciplinas. Há que tratar da saúde à desigualdade injusta dos ramos de conhecimento a ministrar nas escolas, para que a saúde não se apodere das perspectivas de estudos todas devido à sua aliciante potenciação de resultados.
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About music and personality

I found an article in a magazine in which were explored some recent results and ideas concerning to music preferences and its relation to the personality of each listener. The text made me reflect about the problematic tendency to assume linearity across matters so subjective as those including man and his choices.
It is a really danger floor the one of linearity, where the risk to fail or fraud keep a suspicious presence beyond the featured conclusions.
I am afraid we can not assume that a person who listen a particular style of music shows a specific personality because agreeing with that would conduct to the assumption that every person has a unique style of music, like a unique personality that is expected to have. To study relations between music styles and habits or incidence of illnesses or problems in life of listeners seems to be, in my opinion, a tricky work that tries to extract formal and serious conclusions from a net of complexity that is far from being just a question of photographing brains or treating statistical results towards a scientific result.
Maybe the investigators are not the responsible for that information based in linearity, but the journalists use the data available to sell articles that implicitly want to say that if you listen rock and jazz you are like this, or if you listen R&B and hip hop you are like that, leaving the reader free to think that if he wants to be like that instead of like this, he just needs to turn the tune and magically his life changes automatically.
Searching relations of the kind presented based in the scientific method can be very hard to do, but I think people must be very careful while interpreting the results and even more when extracting information from clues. Tendencies are not pure relations and that is the key for understanding that it is not fair to leave the readers thinking that maybe they are the same, with all the possible consequences.
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About self motivation process

Personal motivation is definitely a key for success and improvement.
Why not start with that classic image of a donkey pulling a cart because of seeing a carrot that a man intentionally tries to catch donkeys attention by using a stick attached to the carrot. This image despite simple and of easy understanding, can be used as a metaphor to our own lives and motivation aspects.
Although in the case of the donkey the animal needs a human to let the work be done with the motivation of a fresh carrot, if we abstract from the connotation of donkey so that comparing is not a problem, I would say that each person can be the donkey and the human of that image on personal life.
To explore that I call some moments of life in which a motivating activity that will occur later acts in the precedent activities as a source of motivation, producing by that a motivation otherwise difficult to get. This is the case of being the donkey and the human, while the carrot is the later activity and the cart the such moment.
A person that has an encounter with friends, a play to watch, or any pleasured activity planned to have or do, will be a case of self motivation based in the principles of the donkey, the human, the cart and the carrot.
Because lives tend to be monotonous during the week as a result of job compromises, people lose quality of living by having no tricks like that to reach higher level of motivation during boring or predictable tasks.
In the same way people plan weekends, I suppose weeks should deserve a certain planning to. Films, plays, dinners, meeting, receiving visits, walks, games, phone calls to family and other things could improve the will of facing a whole week of stress and activity.
It is true the we all survive without interfering in motivation process, but will be a slave of donkey position and the stick with carrot will hardly be in own hands.
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About lists of contacts

Today I bring to discussion a fact that was object of my attention although seeming very obvious and simple.
Despite knowing that a catalogue or list is a product of human need to have an order of any kind that allow a quicker dealing with information, based in organization principles, it is however interesting to realise that people so different can be put together just because of name or birthday.
One such case of that can be found on cell phone contacts list. There, the danger of contacting the wrong person can be a question of an incorrect press. The list of contacts based on names do not include profoundly crucial things like the kind of relation the person has to you, so it has a consequence of allowing a random combination of family, friends and work contacts. Grandfather, girlfriend and your boss are one improbable but possible sequence combination. We have to remember that sometimes the names of contacts assume other words than the real names, what helps to develop a higher random predominance in our expectations.
The fantastic thing about that rather than the danger of wrong message sending or phone call try, is that we accept that order established by lists, because they seem to make sense according to names and designations, but if we experience reading them in sequence, our thoughts are conducted in such a path that some of them may be in opposite positions of your brain, according to feelings towards them.
In addition it is also funny to realise how a so diverse sort of people have a connection in particular list that serve as a criteria to join them together. A rule that means nothing in practical terms since those elements of the group may even be unknown to each other for a whole life.
More than a try to extract a conclusion this is a text of observation, aiming to bring up the fact from the cabinet of known but unthought things of human life.
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About radicalism

Every time I watch religious radicals on television, my upset grows in the same way my incomprehension does.
If we keep those images in our minds it is very probable that rather than trying to understand we will be conducted to a situation of combating violently such evil.
I believe that radicalism is far from being just a religious or political problem. Each person has a disposition to be radical in a specific type of questions. We can find it in football, in justice, in food preferences or in musical preferences, for example.
I don’t feel prepared to discuss the fundaments of radicalism, but my guess is that radicalism origins in one out of two possibilities. Firstly it can be a consequence of having no possibility to known different perspectives, like trying to think as if in the head of the opposite side. Secondly it is possible to justify radicalism as a consequence of being lazy in terms of searching and become instructed about the things in a more neutral way, what can be easily done if the search for knowledge centres in the opposite perspective of the same question. This second possibility is independent of interest, in that it resides uniquely in the will of subjecting the perspective defended to some contradictory discussion.
It is important to refer once again that we tend to see radicalism as a distant thing, only present in people seen on television. In fact, that is a result of having little sense about our own radicalisms. They are born small but can become a monster and destroy even the question that was in the base of its purpose, inasmuch it becomes an uncontrolled walk into somewhere sometimes worse than the initial problem.
Finally I want to say something about radicalism according to its effect on personality. Despite its badness, radicalisms define easily a person as a proper individual and not as a vulgar one in many, than the constant neutral behaviour.
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About abstract skills and their worth

For some people it might be a bit incomprehensible the importance of developing abstract skills. One question I used to make while in high school was about the pertinence of learning some subjects, since I couldn’t find any practical use for that information. Once at university, I have discovered a text containing an explanation for my doubt: the practical relevance of some matters is not the potential applicability, the goal is achieving the mental elasticity that allow you to deal with that questions, a mental path that once discovered and improved can increase the power of the mind towards more complex thinking.
Keeping this present on my memory for a while, I return now to add something new. Some proofs of this lack of abstract skills are becoming very obvious to me when I reflect about people that need sensible stimulus to be touched by some questions of life. Knowing previously that the reasons are not only the ones I will mention, I can not avoid saying a part of our insensitiveness about the world, particularly about violence, poorness, hungriness or pollution and planet warming come from this absence of virtue concerning to abstract thoughts. A big slice of population need a documentary like “An inconvenient truth” or a strongly televised campaign about people suffering around the world to turning on the solidarity existing somewhere inside. The floods in Indonesia, that killed thousand of people were other evident example of such need to contextualize the problems.
The physical distance to problems, that let us primitively believe the problems are not of our concern, is the same mental distance that I used to question when dealing with some abstract surveys: if people do not develop mental tools to solve problems that may or may not have a connection to personal reality and context of life, this only will make that people even more dependent of external stimulus in order to correct the lack of abstract touch about problems existence.
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About quotations and their use

My attention was caught in the realisation that some people abuse of bringing into their conversation the quotations of distinct known personalities.
After thinking about it, my thoughts hold in the idea that the habit of overusing quotations can be understood by some different perspectives.
It is possible to have a person that in the same way his friends use to repeat specific words or expressions, develop a tendency to bring to conversations parts of discourses from known people that he or she have read or listened to. In this case, that practice is not offensive, despite a considerable period of time being needed to realise it perfectly.
Other possibility is seeing the habit as a subtle and opportunist way that may be assumed by someone to create an impression of knowledge and erudition. If true this is the malefic use of quotations, since it can be seen rather than a respect for author rights, a use of their own words, sometimes work, not to praise them but for personal attributes.
Finally, a last understanding can be taken to consider cases in which the feeling of inferiority encourages the recurrence to quotations. To be clear, this practice might be use in a dinner where a guest feels his audience is richer in terms of culture, so that expressing own ideas can be dangerous to pride and imprudent. By abusing the references of famous people’s words, the technical problem of sharing own ideas can be hided and the conversations will not be a serious problem.
Personally, I do not use quotations often, despite seeing it as good tool for some moments that those specific words or expressions of quotations seem to match perfectly in the meaning and clarity wanted. As mentioned, only time of interaction with a person allow the perception of the kind of use given to quotations. However, a trivial idea can fill as conclusion: moderation is the key for a good use of it.
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About being a citizen of the world

When I started writing in this blog, I was trying to keep feeding my writing skills so that my ideas could be well organized and become public in the structured way I was intending to express them.
After many posts where I had opportunity to explore very different aspects and perspectives of either abstract or concrete subjects, I decided that it might be doubly interesting to open my words to the whole world, meaning this to start writing in English. This option, for a student of English as I am, is worthy to achieve higher levels of vocabulary and written expression.
The aim of choosing this title was to emphasize that my attitude is just an example of the globalization effects. In fact, my feeling of opening doors to world by writing in English is a proof that our minds, nowadays, are becoming more global and less restrict to our countries, cities or neighbourhoods. Of course that internet plays a fundamental role in all this changing.
I hope now more people can access this blog and be in touch with a perspective of a 20 year-old-chemical-engineering student, that far from wanting to impose his ideas has just an interest to share them with people searching for open discussions. Please feel free to comment and to criticize, I don’t feel comfortable when the answers are often favourable to my ideas.
I’ll try to keep with the diversity of subjects like I’ve tried to do while writing in Portuguese. For my readers in Portuguese language, my sincere wishes are that this structural changing in this blog don’t promote your disinterest. Feel serene, I will not stop Portuguese language. You’ve been good readers!
My final words are dedicated to my future errors. As mentioned, I’m just a student of English language, so mistakes are a consequence of my effort to improve and reach an acceptable quality.
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Sobre a televisão: a qualidade da notícia

A qualidade de uma notícia é um tema altamente susceptível de divergências na prática, embora seja acessível do ponto de vista dos princípios e pressupostos.
O mais fácil a dizer, acercando este assunto, é formalizar em palavras aquilo que sucede no dia-a-dia. Aí talvez seja oportuno dizer que o processo de análise da qualidade das notícias é profundamente subjectivo devido às convicções de cada pessoa, que sendo variáveis em intensidade e alcance, constituem quer por presença quer por ausência um ruído notório o suficiente para perturbar a análise.
As pessoas dão com elas a acreditar que as notícias do partido que apoiam são mais oportunas e meritórias de divulgação, ou que os seus clubes de futebol são prejudicados pelas notícias, ou ausência delas. De facto, basta não haverem opiniões ou posições no assunto da notícia para que se perca motivação para a receber, conduzindo isto a um possível acusar de fraca qualidade a uma notícia em que a ausência de qualidade está unicamente no receptor que desconhece o assunto. Tal facto é verificável se atentarmos um pouco ao que se passa com o serviço meteorológico ou de trânsito.
Não parece difícil, então, que semelhantes retratos levem a dúvidas sobre se a qualidade da notícia é intrínseca à mesma ou se haverá fracção de legitimidade para a qualidade no receptor, sem o qual a notícia não faz sentido.
Ao não haver resolução deste critério, poderemos assistir a uma de duas situações. A primeira é ao populismo televisivo, não totalmente desconhecido na actualidade, no qual as notícias de qualidade são as que o receptor gostaria de receber, pois acompanham o seu estado de espírito, anímico e ideológico. A segunda, presente de alguma forma também na programação de um canal nacional, é identificarmos uma cadeia transmissora de sinal que elege qualidade sem procurar encontrar-se com o receptor, e que vive transmitindo um conceito de qualidade diverso do citado primeiramente. Tais mundos não são comparáveis, embora sejam alternativos



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