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Sobre a evolução dos mortos nas estradas

Aqueles que prestam alguma atenção à periodicidade das notícias, sabem que todos anos ou pela altura do Natal ou pela altura das férias de Verão ou por qualquer feriado que conduza a um fim-de-semana prolongado, as unidades de policiamento do trânsito lançam as suas operações de controlo tendo como mote a redução/minimização das mortes nas estradas. Essas mesmas pessoas certamente saberão que Portugal tem más prestações no domínio das perdas de vida por acidente, mas dificilmente se apercebem da evolução desta realidade, nomeadamente sobre as consequências das diversas campanhas de sensibilização e fiscalização que vão sendo lançadas.

Dificilmente nos é dado a conhecer, pelo menos com tanta avidez, a comparação do desempenho de Portugal neste domínio face a congéneres europeus, ou eventualmente face à média europeia, já que, independente do assunto a tratar, se nos dizem que somos os piores, pois que tratem de dizer o quanto piores somos que os outros, e não se fique pelos qualitativos.

Foi com este espírito que coligi dados do Eurostat, e representei a evolução do número de falecimentos nas estradas por milhão de habitantes, que convido o leitor a analisar.

Portugal tem estado sempre acima da média europeia, embora desde 96 tenha conseguido convergir para a média europeia, tendência que não se verifica com a Grécia, país tantas vezes comparado a Portugal por motivos económicos.

A Espanha esteve também sempre acima da média, mas sempre mais próxima dela do que nós. Por outro lado, a Alemanha, que tantas vezes é citada devido à inexistência de limites de velocidade na auto-estradas, tem conseguido manter-se bastante abaixo da média europeia, sinal de que o problema não talvez não passe pela velocidade de circulação.

Para concluir, gostaria de realçar que Portugal tem progredido extraordinariamente para contrariar uma realidade que se verificava lastimosa. Espero assim reconhecer os esforços feitos e para uma mais digna informação das pessoas sobre esta matéria.

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Sobre o Iraque e a democracia no Médio-Oriente

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A enriquecedora leitura do livro Benazir Bhutto – Reconciliação nos serões das últimas semanas tem-me conduzido para um patamar de estupefacção e aprendizagem que justificam um texto sobre parte do livro sem que tenha ainda concluído a sua leitura.

Até onde sei, o Iraque só tem sido notícia por maus motivos e como tal existe para encarnar o que é mau e o que pode ser o caos e violência numa sociedade.

Até ao meu recente texto Sobre os muçulmanos, seus países e o terrorismo, a confusão sobre este tema era total na minha cabeça, a ponto do resultado ser mais um esgar emotivo e reactivo do que uma tentativa ou esboço de compreensão e interpretação.

Veja-se: ao longo do século XX, Estados Unidos e a Grã-Bretanha controlaram como autênticos colonizadores países como o Irão, o Egipto ou o Iraque, impondo governantes-marionetas que apenas serviam para fazer cumprir interesses comerciais, exploratórios, estratégicos e políticos, dessas duas nações. No decorrer deste tempo a questão do estabelecimento da democracia nestes países esteve na agenda apenas quando interessou: diversos foram os casos em que as duas nações ocidentais referidas impediram o surgimento de partidos com ideais democráticos (opositores dos regimes vigentes), incentivando a mesma autocracia que noutros países condenavam.

Ora a recente guerra do Iraque, irrompida em 2003 sob um pretexto falso de armamento ilegal, irrompeu verdadeiramente para tentar fazer do Iraque o case-study do Médio-Oriente em termos de implantação da democracia, na esperança de gerar um efeito dominó sobre outras nações. Só que no Iraque estalou uma guerra-civil que resulta do conflito étnico sunitas/xiitas, o qual em muito se deve a ter sido imposto pelos britânicos um líder sunita num país esmagadoramente xiita, durante anos a fio.

Os resultados estão à vista, o absoluto caos instalou-se no Iraque, tornando-o na vergonha que é. Um povo já de si quezilento devido às etnias e sub-correntes religiosas, sente-se agora ultrajado pela manipulação que sente ter sido alvo.

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Sobre a candidatura a uma AE*

*Gonçalo Melo escreveu um texto na qualidade de Amigo do 3vial e é o sétimo participante desta iniciativa:

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Após ter passado por um período eleitoral numa escola secundária apercebi-me de várias atitudes interessantes por parte das Listas envolvidas na corrida eleitoral para a Associação de Estudante (AE).

Uma delas é a facilidade com que a crítica fundamentada às propostas eleitorais para o mandato cai numa crítica pessoal e na maior parte das vezes infundada. Aparte dos presidentes das Listas envolvidas, todos os outros elementos não tinham papas na língua no que toca a falar mal da Lista oponente e até diriam impropérios referentes a certos membros em particular. Tal verificou-se no debate, enquanto os presidentes e vice-presidentes das listas se debatiam sobre assuntos relacionados com o actual funcionamento da AE e com as propostas de cada lista fazendo-se valer de argumentos na sua maioria válidos e verdadeiros, os restantes membros, de ambas as listas preferiam apostar em ataques pessoais tão mais fáceis de proferir e tão mais ignorantes da natureza de um debate. Mas o mais curioso é que nos debates políticos a nível nacional também existe esta tendência para cair na crítica pessoal, nomeadamente na crítica relativa ao passado dos intervenientes do debate.

Outro facto curioso da corrida eleitoral numa escola secundária é a facilidade em angariar votos nas camadas mais jovens, que são muito mais manipuláveis e ligam menos aos aspectos formais, nomeadamente às propostas e à capacidade dos membros da lista de as cumprir. É uma questão complicada numa campanha, a de optar por uma campanha mais vocacionada para as propostas ou para a imagem, e tudo depende da forma de actuar.

No rescaldo da semana eleitoral verifiquei que o aspecto mais importante da campanha foi o diálogo com os alunos da escola, expondo os membros da listas, as suas propostas, a vontade e a capacidade de zelar pelos interesses comuns aos alunos da Escola Secundária de Ermesinde.

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Sobre os muçulmanos, seus países e o terrorismo

Se alguém na rua me surpreendesse há coisa de duas semanas perguntando-me quais os 3 países com maior comunidade muçulmana no mundo, estou absolutamente certo que falharia as 3 hipóteses que ousasse arriscar. (Desafio o leitor deste texto a pensar para si mesmo na resposta que daria e a guardá-la para si.)

É curioso sentir que o ocidente sente interesse pelos muçulmanos não pelo valor intrínseco desta religião e dos culturas dos países em que esta é mais difundida, mas porque o islão passou a ser, em certa medida, uma pedra no sapato da segurança do ocidente. Nas cabeças de muitos europeus e americanos, os muçulmanos são sinónimo de ameaça, já que é estabelecida uma correspondência emocional entre estes e o terrorismo ou o radicalismo e ainda com o Médio Oriente, de onde diariamente se ouve falar de mortes e caos.

Ora é precisamente neste contexto que achei interessante ficar a saber, através de um estudo do PEW Reseach Center, que no Médio Oriente residem menos de 20% do total de muçulmanos existentes no mundo inteiro. Convido-o a analisar a imagem abaixo, e a confrontá-la com a resposta que havia guardado para si alguma linhas acima.

Muçulmanos in the World

Serve este exercício fazer notar a falta de conhecimento generalizada sobre o mundo islâmico e sobre as nações que mais simbolicamente o representam. Numa abordagem simbólica, para muitos de nós, não haja dúvidas de que o Irão, o Iraque ou o Afeganistão surgem como os países que parecem melhor representar a comunidade muçulmana. São o rosto geográfico das ameaças ao mundo Ocidental e isso é capital para o senso comum sobre a matéria.

Embora os noticiários diariamente nos reportarem notícias que envolvem muçulmanos, a nossa ignorância parece só ser comparável em dimensão ao medo que o terrorismo nos provoca, e que nos faz confundir um universo muçulmano sem o qual o mundo não seria o mesmo, com um bando de criminosos manipuladores e mentecaptos.

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