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Sobre as relações de conceitos

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Dificilmente somos confrontados com a ideia de que é necessário saber ligar conhecimentos para se chegar algum dia à sabedoria absoluta.
Um homem que conhecesse todos os aspectos do mundo em que vive, nunca poderia ser um homem absolutamente sábio na medida em que apenas constituía uma base de dados suficiente para ressuscitar, através de exercícios de memória, informações avulsas. Existe algo superior à catalogação de conhecimentos, que é a relação dos conhecimentos. Um relacionamento do total de conhecimentos passíveis de catalogação traria um rol infinito de novos conhecimentos, que, por sua vez, poderiam ser outra vez sujeitos a novo cruzamento por relações, de forma ciclicamente infinita.
A falta de entendimento da veracidade deste processo mostra de forma clara a nosso distanciamento da sabedoria absoluta. Tendemos a relacionar corriqueiramente de forma viciada, culminando cedo de mais em conclusões a que ousamos chamar de conhecimento. Se o mundo se resumisse ao peixe, ao tomate e às batatas ninguém seria sábio absoluto apenas por conhecer estes 3 dados base: faltaria pelo menos a noção de caldeirada.
Temos então sabedoria como um processo duplamente árduo, de catalogar as premissas do mundo, passo pelo qual ficamos quase sempre, e a etapa de relacionamento total para a obtenção do verdadeiro conhecimento racional, o único que faz a diferença, pelo potencial criativo e inovador.
Fico tentado, posto isto, a atestar que tendo, cada vez mais, a apreciar aqueles que são capazes de fazer asserções espontâneas de conceitos de menos óbvia conexão; em detrimentos dos que se revelam autênticas enciclopédias ambulantes. Farto do estereótipo de sabedoria actual, começo a procurar ser eficiente no relacionamento aleatório de conceitos, pois aí reside o verdadeiro desafio da natureza humana.

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