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Sobre o desempenho da comunicação social

Retomo um tema que já foi de alguma forma por mim explorado no fim de 2007, aquando de algumas reflexões sobre a televisão e os meios noticiosos.

Confesso que desde então ainda não consegui acalmar o assunto, embora seja incontornável acrescentar que a própria sociedade tem vindo a esbarrar no assunto periodicamente, devido aos sucessivos problemas que a falta de isenção nos órgãos noticiosos gera.

Dados do Pew Research Center, relativos aos EUA, chamaram-me a atenção na medida em que poderão conferir uma dimensão mais pragmática do desempenho dos órgãos de comunicação social norte-americanos. Embora não seja de todo legítimo olhar para estes resultados sob o ponto de vista português, estou em crer que por cá, pelo menos em termos de tendência, as coisas não serão diferentes.

Em primeiro lugar, chamou-me a atenção um índice que avalia a percepção que a sociedade tem sobre a comunicação social, relativamente a noticiar os factos correctamente, ou seja, sem truncar ou adulterar os factos noticiosos originais. De 1985 a 2009, a percentagem de pessoas que afirma que as notícas são noticiadas correctamente quase caiu para metade.   Comunicação Social Noticia Correctamente

Por outro lado, e tendo em conta as polémicas recentes sobre a interferência externa nas linhas editoriais da imprensa, importa registar que se já em 1985 a percentagem de pessoas que afirmava haver parcialidade nos meios noticiosos superava os 50%, em 2009 essa percentagem ronda os 75%. Comunicação Social é parcial

Estes dois resultados, embora digam unicamente respeito ao panorama noticioso norte-americano, registe-se bem, permitem pensar em como a comunicação social tem vindo a degradar os valores sobre os quais o código deontológico dos jornalistas foi elaborado. Enquanto cidadão, a sensação que tais resultados espelham já existia no meu íntimo, tendo ficado a faltar simplesmente uma expressão quantitativa da mesma.

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Sobre o uso indiscriminado de certas palavras

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Há alguns meses que vivo com uma sensibilidade inédita para os perigos do uso de palavras que invocam a perpetuidade do tempo e das coisas.

Por isso, ultimamente, quando escuto expressões como sempre, nunca, para sempre ou foi sempre assim, sou beliscado pelo desconforto que essas expressões me provocam, devido à natureza predominantemente falsa com que são usadas. Que sabemos nós do passado e do futuro para garantir que algo tenha sido sempre de um modo ou que passe a ser desse modo a partir de hoje? Acho que nem damos conta da quantidade de vezes que recorremos a estes aglomeradores de temporalidade e os usamos sem respeitar o seu significado, um significado tão intangível às escalas em que o cérebro processa, que o sempre ou nunca, podem perfeitamente simbolizar semanas ou meses, o que torna patético o recurso a tais palavras.

Mas se o recurso a termos que dependem da noção de tempo e temporalidade não está a ser brilhante no seio do que é o nosso hábito natural de as usar, o que dizer de palavras como tudo e nada, todos, ninguém. Estas aqui são a priori mais inteligíveis, visto englobarem o universo material, tema bem mais fácil de abordar que o do tempo. Contudo, quantas vezes se diz que correu tudo bem, nada ficará igual ao que era, ninguém gostou, com tamanha naturalidade que até acreditamos que de facto assim é.

Qualquer professor de português poderia rematar o assunto como afirmando tratarem-se de utilizações da hipérbole, enquanto recurso de estilo que é: exageros da realidade.

Não me compete proibir ou limitar o uso destas expressões, cuja força é comprovada pela naturalidade com que são usadas, mas confesso que este surto de sensibilidade sobre o seu uso aflige-me a ponto de ficar a pensar na legitimidade do seu uso na maior parte das vezes em que me apercebo da sua aplicação. No fundo, compete-me mais perguntar, por exemplo, se na raiz da utilização destes termos, não poderá residir a maior ou menor tendência para o radicalismo das observações.

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Sobre “Portugal, Um Retrato Social” : o emprego

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As gerações pós 25 de Abril caminham por um Portugal que, ora aqui ora ali, colecciona ruínas de antigos postos de trabalho, como sejam fábricas, equipamentos industriais emperrados e corroídos, barcos enferrujados, terrenos agrícolas onde o mato cobre aquilo que em tempos foram fontes de água, armazéns, silos. E ao caminharem, dificilmente compreendem o significado de tantos despojos votados ao abandono, habituando-se antes a contornar esses obstáculos à modernidade e a não sentir curiosidade por perceber a que se deve tanto encerramento, tanta desistência.

Houve uma altura em Portugal em que as pessoas abandonaram a vida do campo, que era dura e dava apenas para ambições modestas, e tudo o que pretendiam era entrar para as fileiras das empresas e indústrias que por cá se instalaram ou nasceram após adesão à Associação Europeia de Comércio Livre, onde facilmente poderiam auferir pelo menos o dobro do valor que a agricultura proporcionava.

Vendo imagens da altura, nota-se que o trabalho que os portugueses desempenhavam, era muito parecido com aquele que hoje se vê no continente asiático. A nossa mão-de-obra era barata pelo que havia interesse em produzir coisas em Portugal.

Os restos mortais de grandes empresas têxteis, de conservas, de metalo-mecânica, piscatórias, e por aí fora, é um exemplo duro mas objectivo, do que acontece quando não se procura melhorar e evoluir. Tais empresas ficaram presas no passado porque estagnaram tecnologicamente e não souberam desenvolver expeditamente os seus negócios para outros e novos mercados.

Como resultado, hoje a fatia de pessoas de trabalha na indústria é reduzida, tal como o é o número de pessoas que se dedicam à agricultura. A maior parte de nós, portugueses, trabalha nos serviços: saúde, turismo, educação, comércio.

Após visualizar o capítulo 2 deste cativante documentário, reforcei para mim mesmo que a formação das pessoas foi e é um dos problemas mais graves de Portugal.

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Sobre “Portugal, Um Retrato Social” : a velhice

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No Portugal de hoje, tão bem contrastado e exposto por António Barreto na série de documentários “Portugal, Um Retrato Social”, a velhice surge na nossa sociedade como um problema inédito que se coloca às famílias, em tantos anos de história.

O aumento em cerca de 30 anos da esperança de vida da nossa população, em apenas meio século, soma à imediata constatação do notável progresso que esse número representa, um conjunto que aspectos novos. Sabendo que a extensão da vida conduz a idades avançadas que se caracterizam por uma maior fragilidade e uma progressiva dependência, a velhice actual é um centro de preocupações devido à dependência tida pelos mais idosos relativamente aos filhos, netos ou familiares, mais novos.

Para os próprios idosos, o tédio que seria expectável para a inexistência de morte, ou seja, para a condição de imortalidade humana, faz-se notar na forma como preenchem o seu tempo, ficando muitas vezes sem objectivo de vida, ou encontrando num jogo de cartas ou na contemplação do mundo num banco de jardim, os objectivos principais de suas vidas.

Acima de tudo, a estrutura funcional da nossa sociedade puxa os jovens e os adultos para o trabalho e empurra os velhos para a solidão. No documentário, a determinada altura, alerta-se para o receio de que as crianças vejam os lares de idosos como parte do processo natural da vida humana, o que prenuncia a habituação a esta solução que tem tanto de útil como de controversa.

Pergunto-me, também, se não estaremos ao invés numa etapa de transição entre o modelo de família dos anos 60,70,80 e modelo de família que vigorará nas próximas décadas. A devoção religosa, coesão familiar, tipo de emprego, local de habitação, objectivos de vida, etc, são tão distintos, que talvez vivamos ainda num misto do que as coisas e pessoas serão e do que as coisas e pessoas foram. A velhice é hoje uma questão central que exige respostas políticas revolucionárias para bem do nosso futuro.

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Sobre alguns políticos e sua interacção

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Nos últimos dias, Portugal tem assistido à campanha eleitoral para as eleições legislativas que se avizinham. Ao assistir a um dos vários debates promovidos, creio eu, com vista ao esclarecimento do eleitorado, dei conta de diversos aspectos que gostaria de realçar e referir.

Existe uma intensa e objectiva procura pela identificação de diferenças, quandos estas não são óbvias, de forma a que os candidatos não acabem por se esgotar um no outro. Em alguns momentos, a sede de distanciamento é de tal modo procurada, que os candidatos avançam para a prova dessa divergência sem saber bem o que querem dizer ou em que medida essa diferença de facto existe. Embora se perceba que quem se quer apresentar como alternativa, numa dada eleição, pretenda mostrar características e ideias distintas, é praticamente impossível evitar semelhanças em algum ponto ou ideologia. Preferia que se confirmassem as semelhanças, quando elas existem, do que que se desvie a conversa e fuja a esses assuntos em que os candidatos e suas propostas se intersectam.

Depois, outro aspecto que caracteriza certos candidatos, é que quando convidados a falar sobre a Saúde, a Justiça ou a Política Fiscal, enquanto temas gerais e que exigem projectos gerais, se centrem exageradamente em situações particulares. Chega-se a investir o tempo todo a falar de casos particulares que em nada servem para justificar um projecto para a área em questão, mas que pela via da dramatização consegue atingir um mediatismo que desvia totalmente as atenções para o que seria essencial: o âmago das suas propostas gerais.

Finalmente, dizer apenas que as análises que se fazem das pessoas com ligação à política, por qualquer candidato ou mero político, são predominantemente condicionadas pela cor política associada à pessoa visada, o que imprime uma extrema previsibilidade nas opiniões e dissemina falsidades amiúde.

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Sobre a globalização nas plantas

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É curioso como no seio dos apreciadores de plantas, em particular de árvores de fruto, flores e culturas de vegetais, existe uma apaixonada procura por exemplares que ainda não têm.

É comum encontrar em cada região espécies que se poderiam dizer autóctones e características de determinados ambientes, assim como o é haver gente empenhada em compilar num mesmo local, com ambiente e localização fixos, as formas de diversidade que vão encontrando um pouco por todo o lado.

Esta sede por conseguir ter êxito no desenvolvimento de espécies que por vezes são dependentes de microclimas ou condições muito particulares para vingarem, como é o caso das cerejas ou das bananas, arrasta consigo o conceito de globalização que tem tanto de familiar ao ouvido, como de pouco definido ou explicado ao cidadão comum.

O cenário de agregação de formas de diversidade vegetais, existe a outros níveis: na música, na roupa, na comida, desaguando na noção da partilha de recursos culturais e naturais que tendem a homogeneizar as sociedades exactamente porque se reconhece o valor da diversidade.

Pegar numa mangueira e procurar obter em pleno Marão, mangas como as brasileiras ou africanas, seria como convocar para junto de nós o Brasil ou Moçambique, por exemplo. Esta é claramente a consequência da globalização, a aproximação dos países a ponto de cada um reconhecer as outras em si.

Posto isto, é curioso notar como, no âmbito das plantas, a globalização já começou há tantos anos, de que são exemplo a batata ou o tomate, hoje disseminados e existentes em todo o mundo.

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