Muito mal seria eliminado do mundo se o acesso à tecnologia não ocorresse de uma forma deliberada e nada restritiva.Tanto no Portugal como no mundo de hoje não raro acontece de se constatar que alguma tecnologia tende a ir parar a mãos de pessoas que não fazem respectivos usos da forma mais desejável.
Ao me servi deste modo para retratar o fenómeno, recordo-me logo das situações mais berrantes, que são aquelas em que tecnologias bélicas chegam às mãos de quem não tem ferramentas intelectuais e morais suficientemente amplas e sólidas para saber ponderar com respeito a recorrência à sua utilização. Estes são casos mais graves, que têm colocado enormes reticências na busca da paz mundial.
Contudo, acho que o exemplo mais corriqueiro passa pelos telemóveis e internet. Se nos telemóveis se assiste a uma competição pelo estatuto social que supera o reconhecimento da sua utilidade e quase a substitui; já a Internet tem sido usada de forma prevaricadora por todos os que prezam mais consumir uma música (não só música, filmes, jogos, etc.) do que respeitar o trabalho de quem a criou, recorrendo à pirataria descarada.
Parece-me, portanto, óbvio, que antes do acesso à tecnologia está o acesso à educação necessária para tornar a mente receptiva às novidades tecnológicas de maneira a que um indivíduo saiba servir-se da tecnologia para resolver problemas ou melhorar a sua condiçção, mas nunca para ameaçar os outros, criar conflitos ou alicerçar ganas de cariz anárquico que sublevem aquilo que precisa de existir no código moral e ético de um humano moderno.
Perante tais acontecimentos não preciso de muito para concluir que enquanto não se tentar partilhar a educação pelas gentes com a mesma facilidade com que se divulga a tecnologia, corremos o risco de poder viver melhor sem contudo o fazermos.

Com um pouco de abstracção, mas sem necessitar de muita vontade, é possível constatar que vivemos rodeados de escalas de uma tal forma que me pergunto se seríamos, de facto, humanos se as subtraíssemos das nossas vidas.