Hollywood Hills - Richard Combes (2025)
Há pessoas que devoram colectâneas inteiras de filmes, dando lucro a uma indústria cada vez mais enriquecida e preponderante.
Sendo eu um cinéfilo medíocre, facto que não escondo pois não me envergonha, há algo que me descobri em conhecidos meus que fazem da sétima arte o passatempo quase predilecto. É de alguma forma estranho ver que muitos espectadores visionam imensos filmes sem intervalar o fim de um e o principiar de outro, criando assim uma película quase contínua. Mais grave do que isso, porém, é a ausência de posicionamento perante cada obra, ou seja, é o captar o sentido directo e fechar a mão aos temas abordados nos interstícios de cada enredo. Torna-se frustrante notar que a maior parte desses cinéfilos mais evoluídos socorre-se da sua experiência para citar realizadores, actores e actrizes, principalmente, sem que presenteiem os outros com as suas experiências pessoais no campo das temáticas, das políticas, filosofias, psicologias ou éticas associadas às obras.
Não é que seja obrigatório falar destes assuntos ou intervalar um tempo fixo entre cada sessão, apenas me é estranho não permitir à obra penetrar na consciência, pondo a nu argumentos nem sempre perceptíveis e mexendo com alguns pilares do cerne de cada personalidade.
Quem agradece toda esta balbúrdia impensada do consumo são os estúdios, que descobrem fórmulas mágicas de cativar, gravando sem parar aquilo a que se pode chamar um género de petróleo televisivo.
Gostaria de no futuro estar mais atento à indústria cinematográfica e ver mais do que os filmes tidos como indispensáveis, mas ainda assim, muito provavelmente manterei a minha vontade de intercalar cada nova obra com o devido tempo para a digerir. Ver por ver, só para recordar caras e explosões julgo que é perder tempo e fazer parte de um filme do qual não pretendo ser coadjuvante de qualquer natureza.
Publicação original: 29 / 07 / 2007
Modificação: 07 / 01 / 2026



