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Sobre o amor: o vácuo do seu fim

Todos os textos precedentes abordaram a questão do amor nas perspectiva da sua existência, havendo agora lugar à exploração do seu término e inexistência.
Quando ocorre, o fim do amor revela sempre um gestão complicada, porque dificilmente os dois participantes na comunhão de um relacionamento amoroso atingem o término do sentimento amoroso sincronizados, pelo que de um surgirá a acção de romper e o outro ver-se-á envolvido numa onda de choque, com duração variável. Um sinal transparente do poderio efectivo que o amor tem no estado anímico de cada um é mostrado pela mágoa, desgosto e amargura que sentirá aquele que se priva da concretização do amor que sente, devido ao romper da parte conjugante. Amargos são esses dias seguintes, conduzindo a pessoa a um desânimo sem paralelo no panorama rotineiro do dia-a-dia. Inúmeras perguntas são feitas, explicações racionais são exigidas, eventuais bodes expiatórios são identificados, tudo resultante dos efeitos da agonia sentida. A parte que encerra o vínculo sentirá naturalmente com a perda, mas não poderá comparar-se em dor à outra.
A dificuldade em lidar com a perda do amor, ou com a inutilização do mesmo, gera reacções diversas, podendo mascarar-se de comportamento agressivo como poderá, noutra perspectiva, dar lugar a uma fraqueza emocional de tal ordem que o sofredor se veja, com celeridade inesperada, envolto em novos laços amorosos com outra pessoa, numa resposta hábil mas imprevisível de anular o efeito negativo associado.
Com a preponderância do amor, a alma alimenta-se tão privilegiadamente dele aquando da sua existência que quando dele se vê privada faz exigir o seu regresso por não ser achar capaz de apreciar os restantes prazeres disponíveis. Claro que tudo se acaba por acomodar, não fosse a versatilidade uma característica humana. Pela forma como o amor ganha espaço e deixa a sua cratera para onde jorram todas as atenções quando cessa, ousei falar num vácuo, o vácuo do seu fim.
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Sobre o amor: a busca para a sua chegada

As novas gerações a par de outras de existência recente, têm vindo a notar-se pródigas na forma como no decorrer de idades outrora inconciliáveis com a busca do amor, lançam os primeiros passos rumo ao entendimento mas sobretudo experimentação do amor em primeira pessoa.
Paralelamente à madrugadora chegada do amor à vida de cada novo ser, há a referir que entre os mais velhos, a busca do amor passa por atribulações outrora estranhas.
As inquestionáveis facilidades introduzidas pelas tecnologias da comunicação, possibilitam hoje um contacto impessoal bem como um rol tremendo de informação sem precedentes. As buscas esbarram na fartura, a qual irremediavelmente tem como obstáculo incrementar a dificuldade de selecção de candidatos com potencial no meio de tanta matéria-prima e de tanta projecção em volta da imagem a exibir.
Por outro lado, nota-se que a política para a busca prematura do amor, cria uma ansiedade que cresce na mesma proporção em que uma pessoa vê os seus pares devidamente encaminhados nos respectivos percursos de busca e chegada do amor, e se dá conta do que aparenta ser uma estagnação naquilo que à situação homóloga diz a si respeito. O processo de busca ao amor perde a sua dignidade quando se permite que alguém viva sujeita a uma pressão externa no sentido de encontrar o amor para que acompanhe a tendência. Não mais há normalidade em toda a busca, passando a haver essencialmente um desespero de certo grau.
Aproveitando a abordagem feita no texto anterior, é digno de relato dizer que no passado talvez houvesse mais justiça ao falar-se de busca, porque no contexto de agora, ganha mais sentido colocar a questão no plural, buscas, pelos motivos já abordados. A facilidade com que podemos buscar o amor sem esforço, atendendo até que é possível manifestá-lo sem a coragem daqueles que o fazem verbalmente, longe de facilitar a busca, só tem adulterado o sentido da sua chegada.
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Sobre o amor: a tendência para o desamor

O mundo de hoje presta-se pouco a perdas de tempo, exigindo cada vez mais de cada um em termos profissionais e académicos, pelo que o amor, a par de outras situações do foro pessoal, sofre efeitos repelentes involuntários.
Por outro lado, o espírito científico, baseado na experiência, testagem, com posterior aceitação ou rejeição ou reformulação, parece transportar o método para o amor, que cada vez mais é por conseguinte impossibilitado de se implantar com prevalência no tempo e de sobreviver a quezílias ocasionais entre pessoas.
Do ponto de vista da cultura e sociedade, não há hoje fomento ao amor sustentado, cada vez mais incaracterístico nos pólos urbanos, havendo recorrência a tentativas de união que comungam de um amor do tipo descartável à mínima necessidade.
O crescimento das separações é consequência desse fenómeno. Não mais parece existir a operacionalidade amorosa, porque o mundo, pelo seu incutir de noções de economia de tempo e de atitude científica, dissemina uma mensagem de precipitação para o término e recomeço do processo amoroso, qual laboratório sentimental ambulatório personalizado a cada humano.
As estatísticas apontam para uma decrescente taxa de natalidade, também explicável por raciocínios similares, desaguando todas as ideias no mote de que a sociedade fomenta comercialmente o amor, porque é lucrativo, mas não o concede porque não é produtivo nem pactua com as filosofias de eficiência em vigor.
O capitalismo que nos faz matar por uma vaga profissional e nos faz matar pela conservação da mesma, tudo pela contrapartida dos cifrões, é o mesmo que priva o homem cada vez mais do amor e da calma natural para saber recebê-lo e cultivá-lo. Há passos e compassos a que o amor se sujeita, cada um como parte de um todo devidamente necessário para a concretização. O frenesi diário do qual discordamos sem nos esquivarmos, abona contra o amor logo, por efeito, contra a humanidade.
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Sobre a amor: as fugas à sua procura

Sendo o amor um pilar da psicologia humana e tendo sido dito já que surge em cada ser de forma natural, espontânea e periódica na necessidade, toda a tentativa para o barrar tem a si associada um esforço racional.
O jejum do amor (falo implicitamente do amor sexual) além de utilidade confere também ganhos. Falando da utilidade comprovam-se os ganhos. A mais directa consequência é o aumento da liberdade. É uma limitação para o homem a prisão do amor. Claro que este tem os seus préstimos, obviamente comprovados pela quantidade daqueles que se aprisionam nele com felicidade. A perda de liberdade é o motivo mais forte para uma fuga ao amor, sobretudo porque há projectos que necessitam de determinadas doses de autonomia para as quais o amor não se presta. As constantes explicações para dar carecem de oportunismo não raras vezes.
Depois há ainda a referir que o amor, como crença profunda que também é, não é muito compatível com o pensamento igualmente profundo e exploratório em matérias diferentes, pois chama a si uma preponderância que suga tempo e que arrebata um espaço mental que compromete seriamente o sucesso das operações pretendidas por força de uma distracção induzida.
A fuga do amor pode surgir como estratégia temporária, ainda que se saiba ser árduo garantir a sua manutenção sem uma verdadeira aceitação desse estado, pois como dito, deve ser visto como um esforço por tal, naturalmente custoso.
Fará confusão a muitos falar-se numa política de adiamento, mas a verdade é que o motivo de muito acomodamento e alguma desilusão surgem da incompatibilidade de convivência do amor com metas cruciais como o ingresso num curso superior, o sucesso profissional em determinados casos ou o conseguir pensar com mais largura.
Acabo reforçando que as fugas de que falo são meramente sazonais e temporárias não as defendendo como projecto de vida, pois fogem aos princípios gerais da dita.
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Sobre o amor: a multiplicidade de sentidos

Há não muito tempo atrás, motivado por interesse no tema e aproveitando uma sugestão encontrada, adquiri um livro intitulado A Arte de Amar, da autoria de Erich Fromm. Longe de ser um manual, a obra explora os diferentes sentidos do amor, a forma como o amor está presente em diversos tipos de relação de maneiras bastante distintas. Quase a totalidade das abordagens ao tema do amor são prestadas no campo do amor sexual, aquele que nasce e vive para relações heterosexuais com vista à procriação. Este é o cerne de muitas historietas de amor, embelezadas de tal forma que parecem enobrecer o assunto divinizando a parte sexual do enredo.
Seria pouco honesto deixar de referir que também eu nestas breve passagens que vou produzindo subordinadas ao tema, me refiro privilegiadamente ao amor sexual. Todos os outros relego para futuras eventuais oportunidades, sabendo de antemão não angariarem a popularidade em busca. Ainda assim, devo dizer que acredito na existência de mais de uma forma de amor perante a mesma pessoa, o que determina em grande parte diferentes vertentes de uma relação. Tal aceitação facilita o entendimento daquilo que fora dita antes, quando sugeri que não se fragmentasse o amor em outros conceitos, porque todas as manifestações eram conciliáveis no conceito geral. Diferentes tipos de amor permitem que se temperem as relações com um misto de sentimentos e atributos que granjeiam toda a riqueza e diversidade existente nesse vasto universo que é uma relação pessoal.
Arrisco dizer ainda que o amor sexual é aquele que possui uma mais forte preponderância quando se faz notar no meio dos outros, mas é também mais sazonal e tende a dar lugar a outros formatos de amor à medida que a procriação parece estar garantida ou também à medida que a juventude se esvai, quando novos horizontes ganham espaço e notoriedade na relação.
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Sobre o amor: a incontornabilidade da sua necessidade

Por muito alienado que se permita estar ou por mais atarefado que alguém se encontre, não há como impedir o surgimento da necessidade de sentir crepitar o sentimento de amor palpitante, tão característico nos humanos.
É bem verdade que o adiamento da sua chegada, pela redução das chances de aparecimento, têm a si associados benefícios de natureza apreciável, dado que permitem um enveredar concentrado por matérias diversas, sem admissão de fronteiras ou limites que aprisionem de alguma forma o ser.
Qualquer esforço por conseguir adiar, quanto a mim bem mais custoso do que a mera aceitação da inevitabilidade da presença do amor em cada um, será sempre uma luta contra a biologia, pelo que finda a chama racional correspondente ao ímpeto, surge nem que pela corrente hormonal, em crescendo, a faceta da necessidade do amar e acercar o espírito dos préstimos amor, para bem da tranquilidade sentimental.
A caracterização do sentimento de nostalgia do amor, presente não só naqueles que se ausentam da submersão por algum período mas ainda em todos os que viram as suas relações sofrer mutações face à arquitectura inicial, pode ser produzida multifacetadamente, com recorrência frequente à poetização do acto, com vista a criar visões elaboradas e elegantes de algo cuja definição é inglória e cuja manifestação é ainda de maior desafio para quem procura afirmações.
A todos cabe reconhecer que a validação do sentimento de amor é periódica, atendendo a momentos de maior vulnerabilidade do ser, comummente concordantes com fins de ciclos nas vidas de cada um e possíveis interregnos de actividade mental, quando a concentração se perde na objectividade e há lugar a maior introspecção.Que se acredite portanto numa predisposição natural para a presença do amor, pois só assim se fará jus à realidade humana das epopeias rumo à sua concretização e o condizente aparato que isso gera.
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Sobre o amor: a sectarização do sentimento

Acredito que a origem da fragmentação de noções sobre o amor está relacionada com a vastidão conceptual que se ergue perante o entendimento do fenómeno do amor.
Costuma ser imediato seccionar do assunto amoroso uma fracção correspondente à paixão, havendo lugar a uma espiral rumo ao entendimento dos limites de uma coisa e de outra, de consenso árduo de obtenção. A verdade é que no âmbito do amor, surgem conceitos como sedução, ciúme, dominação, posse, saciedade, sexo, perdão, tolerância, êxtase, e por aí fora, que como produto das divisões que se criam ao sentimento aparecem então como peças a ser encaixadas no meio dos recortes que vamos produzindo ao retirar a amor toda a sua generalidade e dimensão. Outrora também andei numa de classificações e enquadramento dos conceitos, havendo retirado disso a noção de que torna tudo ainda mais complexo de entendimento e leva à perda do fio condutor da temática do amor.
Defendo que se conviva com as diversas vertentes possíveis ao amor, e que todas elas possam convergir e divergir entre si, sem que se deixe de falar no mesmo assunto. É por demais subjectivo lançar ávidas discussões sobre se o ciúme ou a posse são mais do foro amoroso ou mais do lado da paixão, pois isso fragmenta o sentimento base, esse que se manifesta como um todo capaz de arrebatar o espírito. Esta é a ideia chave deste texto. Acreditemos num sentimento base chamado amor, permitamos que ele seja amplo o suficiente para permitir conjuntos de possibilidades que ainda que contraditórias ou inconjungavéis não atrapalham a busca pelo entendimento de amor pela imposição de limites ao sentir humano, esse que é tão rico em aspectos e detalhes. A cultura é quem gosta de emancipar certos conceitos do conceito de amor, para que se dê azo a ideais de beleza e perfeição que ganham à realidade em tudo menos na naturalidade e simplificação.
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Sobre o amor: a apetência para o tema

Escrever sobre amor é certamente mais árduo do que ler sobre o assunto. Embora seja um tema universal, que abarque ambos os sexos por igual, residindo no admitir quaisquer atribulações, é necessária uma certa dose de confiança para arriscar retratar por escrito este grande tema sem cair no erro de o limitar a um único entendimento entre os demais possíveis e igualmente válidos.
A começar, nada como referir a familiaridade que cada um tem no seu íntimo, quiçá nunca desvendado a outros, no que toca à temática amorosa.
Depois, porque não mencionar o paradoxo de conceber um amor que se faz notar e ofertar socorrendo-se da materialidade do corpo, o físico, sem contudo depender dele para existir e persistir.
A presença do assunto nos variados formatos de manifestação artística é um facto consolidado, podendo ser passaporte para a popularidade (e consequente sucesso) , dado existir uma boa receptividade ao confronto com noções, experiências e orientações relativas ao tema, ou seja, ao contacto com a existência do amor. Multiplicam-se nas músicas, nos livros, nas esculturas, nas pinturas, bem como em outros reservatórios sentimentais, referências ao amor e à noção dele que cada autor está disposto a partilhar, impregnando parte de si nesse desiderato.
Quem contacta com tais referências, encontra-se no meio de antíteses múltiplas que resultam dos inúmeros autores perante a amplitude conceptual que o assunto sustenta, e encontra certamente voz para um qualquer sentido que tenha para si no momento em que lê, não cabendo a ele ou a qualquer outro ajuizar a veracidade ou licitude desse entendimento. O tema vive sem peritos capazes de impor as suas formulações, pois é autónomo em cada um, partilhando apenas traços comuns. Produzo a minha sequência de textos sobre o assunto com o explicitado entendimento em mente, buscando participar nessa virtuosa partilha de sentidos.
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