A determinada fase, o ser humano cede ao acomodamento e deixa de se questionar.Deixa de questionar se o encontraria parceiro melhor do o que tem, se encontraria emprego melhor do que o possui, ou, em suma, se teria melhores soluções para os diferentes aspectos de sua vida, comparativamente aos que arranjou até ao momento.
O acomodamento dá tranquilidade, mas também constrói uma barreira que impede a evolução, embora por outro lado barre o medo de regressão.
Ser precavido e agarrar-se ao se tem é a atitude sensata dos não se sentem capazes de confrontar os padrões e de sustentar uma posição fracturante.
Dizer que sim, ainda que falsamente, parece representar uma solução mais apetecível e fácil do que dizer que não uma vez que seja.
O aumento de responsabilidades, que acompanha o aumento de idade, vai produzindo ondas de acomodamento, que subtraem aos poucos o jovem irreverente das suas arrojadas ideias e quiçá audazes princípios que nos primeiros tempos de adulto poderiam parecer dados adquiridos.
O próprio poder de mudar parcialmente, apenas alguns detalhes, se vai perdendo e diluindo com o passar dos anos. Acabam as pessoas por se habituar, por se anestesiarem do mal das suas vidas com vícios vários, com actividades recompensadoras.
O medo da desgraça move esta dinâmica de aceitação do destino, um destino que teve a nossa mão outrora, mas que se acha agora na sua própria mão, à solta para se governar enquanto nos vamos alienando com coisas para consumir, conversas banais para ter, factos irrelevantes em que pensar.
Assim é a vida que nos espera, que me espera também, e que não sabemos, como não sei, se não acabaremos por subscrever e aceitar com total desprendimento e solidariedade para com os sintomas inicialmente identificados pela nossa juventude.




