
Assim como ouvi de outros os dizeres “A religião é o ópio do povo” e “O futebol é o ópio da pátria” assim cheguei à minha versão desta frase: “Os resultados escolares são o ópio dos encarregados de educação”
Tem vindo a discutir-se se os exames nacionais do ensino secundário têm ou não sido alvo de um facilitismo que possibilita a melhoria das estatísticas.
Eu verifiquei que houve mais manifestações por parte dos encarregados de educação quando se falou nas aulas de substituição, e na polémica dos novos horários das escolas, do que propriamente agora relativamente aos resultados escolares dos exames.
Os pais carregam uma enorme vontade que os seus filhos tenham sucesso. Os resultados escolares são pois o defraudar ou comprovar dessas expectativas. Para os próprios alunos, a sensação de que se pode ser o melhor trabalhando para tal é bastante mais útil na sua formação futura e estado presente do que o sentimento de fracasso generalizada que assoma muitos estudantes quando confrontados com os desaires sucessivos.
É portanto tranquilizador para os encarregados de educação, constatar que os seus filhos estão encaminhados nos estudos já que independentemente de se tratar de um facto ou não, abona a favor da instauração de uma aura de confiança e dever cumprido benéfica para ambos.
A educação é altamente dependente da confiança dos que estudam e dos que ensinam no toca ao sistema de ensino, com todas as variáveis que intervêm a este nível.
Os pais confiam nas escolas cada vez mais não só o ensino como a educação, e esperam que pela via da avaliação das competências do ensino, o mesmo carimbo aprovador possa representar competências e educações dos seus educandos. As notas são o factor de relacionamento dos pais com a escola, sendo portanto a moeda que move a lógica escolar.
Nem todos podem ser excelentes, certamente, mas só se poderá arriscar a filtrar os alunos o estado que tenha soluções para os que ficam pelo caminho e não podem brilhar em família.

