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Sobre a globalização e as oportunidades de sucesso


Instituiu-se uma alargada noção de que a globalização aumenta a competição entre os indivíduos, que passam assim a competir à escala global, uns com os outros.
Aquilo que é mais endógeno ao fenómeno da globalização, e que merece ser aquiescido quando se aborda as vantagens e desvantagens do mesmo, é que a globalização proporciona um traço muito importante e que outrora era de mais remota existência: com tanta oferta e tanta procura em causa, encontrar um local onde as nossas capacidades possam ser devidamente apreciadas torna-se mais fácil do alguma vez jamais foi. Num exercício de imaginação posso pensar que nos tempos da revolução industrial os operários se tivessem de cingir às suas funções e esquecer as suas capacidades, pois pouco serviam para o rotineiro trabalho fabril.
Nos tempos que correm, trabalhador algum tem de suportar passivamente a frustração de achar não conseguir desenvolver todo o seu potencial, em determinada local de trabalho, ou de achar que não lhe é atribuído o valor que sente ter.
A globalização trás consigo esta hipótese de o trabalhador poder ponderar mudar-se para onde possa espraiar as suas competências e capacidades. Aliada à forte dinâmica de comunicação e informação, um indivíduo consegue chegar às oportunidades que pretenda ter, as quais poderão ser detectadas com idêntica facilidade caso estejam no outro lado da rua ou no outro lado do oceano.
É importante ter esta noção, porque nos tempos de hoje ser escravo de um posto de trabalho está fora de questão. Desde que se revista a mente de espírito aventureiro, com algum empreendorismo poderemos mudar-nos para onde sejamos devidamente apreciados, para onde deixemos de ter de lutar diariamente contra a forma de ser que temos por natureza, para que cumpramos com o pretendido pelo empregador.
É que o tempo perdido em vãs disputas e discussões no local onde sejamos parte do problema, pode ser usado para encontrar quem aprecie o que temos para dar.
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Sobre o arranjar companhia e o deixar de estar só

Arranjar companhia, do ponto de vista ideológico, é uma filosofia distinta daquela encontrada naqueles que querem é deixar de estar sós.
Aquele que está só e quer inverter a situação, parte para o mundo com uma motivação muito mais pragmática do que o indivíduo que sinta precisar arranjar uma companhia.
As relações humanas são matéria de tamanha sensibilidade que nos detalhes é que se resolvem e definem as coisas.
No meu entender, quem procura arranjar companhia sabe o que tem no momento e sabe o que quer e o quer passar a ter. Quem quer abandonar o estado de solidão sabe o que tem no momento, também, mas não sabe o que o quer, nem o que quer passar a ter, porque centra a sua mente na anulação da sua condição de só.
No dia em que escrevo, o mundo acordou com tantas possibilidades e tantas alternativas, que arranjar companhia é processo deixado para planos menores. Tanta ocupação, tanto assunto em que gastar o tempo, tantas metas por que correr, que arranjar companhia não é mais algo óbvio como o foi décadas atrás.
Aos poucos somos mais facilmente acometidos a deixar de estar sós do que a arranjar companhia. Queremos poder responder aos estímulos do mundo, às metas e desafios, mas chegar a casa ou ao telefone e ter um alguém que oiça, ampare, se ria do que se diga. Não mais falamos em arranhar companhia, porque essa é uma batalha adiada anteriormente que derivou para a batalha de não estar só.
Podemos deixar de estar sós encontrando alguém. Podemos trocar de alguém com maior ou menor frequência e assim nos sentirmos sempre com companhia, nem que diferente a cada vez. Outras vias têm de surgir para a consumação do arranjo de companhia, porque mais do que precisar de alguém que rompa com a solidão, aquele que quer companhia, procura por quem lutar, por quem surpreender, numa postura activa e genuína de interesse, talvez vagarosa, mas selectiva sem dúvida alguma. 
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Sobre o querer e a satisfação

Comparar aquilo que vislumbro como possível de ser feito quando estou ocupado e aquilo que efectivamente considero fazer quando tenho tempo livre, é um exercício vital para se justificar muito do comportamento humano.
Mais que uma vez tive este conversa para comigo: se o dinheiro é o que move e motiva as pessoas a não se confortarem com o que têm e ambicionarem mais, porque motivo estes milionários da vida não se mudam para um local remoto e paradisíaco e vivem suas vidas na plena das tranquilidades, longe dos problemas e desgastes?
Na busca de uma resposta para isto, consigo chegar a algumas pistas. Então se eu não consigo fazer aquilo que pretendo fazer, sobretudo quando não posso, porque no momento em que posso parece que pretendo fazer é outras coisas, talvez assim seja com essas pessoas e com todos nós, aliás.
Pergunto-me se, de facto, alguém se mudasse para um desses locais remotos, quanto tempo demoraria a mudar a sua forma de pensar, a dizer: mas afinal é esta a minha contribuição para o mundo?
Só tendo noção de que precisamos de um sentido que nos faça justificar a nossa acção ou falta dela, é que podemos apreciar a vida que temos e os esforços que se nos levantam. Eu posso chegar a casa e decidir que vou passar quanto tempo quiser sentado numa poltrona a sentir o tempo passar, olhando para as paredes e pensando no rumo da minha vida. Mas se o fizer, se facto conseguir chegar a este ponto, que, diga-se, seria uma superação, mais minuto menos minuto, a mente processaria ideias de forma diferente e aquilo que antes fazia sentido, o sentar-me na poltrona, como disse, passa a não fazer. O ser humano é inconstante no seu querer. Quero isto mas quando tenho isto, isto não me chega, quero novamente aquilo que tinha antes disto, ou então algo novo. E isto já nada tem que ver com o dinheiro, isto é a natureza humana a predominar, o vício da constante mudança e da constante insatisfação. 
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Sobre as oportunidades de diferenciação

Passamos pelas oportunidades de marcar e mudar radicalmente a nossa vida todos os dias. Temos ao nosso dispor esse poder de decidir em que tipo de coisas investir, se naquelas que já conhecemos e nos conferem tranquilidade, se nas que nos são estranhas e podem diferenciar o rumo, conteúdo e signiicado da nossa vida.
Consegui introduzir uma forte diferenciação da minha vida este fim-de-semana, integrando uma equipa de formandos e formadores que condensou em três dias uma actividade colectiva notável, um esforço conjunto de superação notável.
Mudei radicalmente a minha vida ao integrar espontaneamente e conscientemente este grupo, basta pensar quantos não foram os que tiveram apenas mais um fim-de-semana e que ganharam em tranquilidade aquilo que consegui obter em diferenciação.
Discutia muito recentemente isto num círculo de colegas, o facto de a juventude crescer em demasia assente no conceito de estabilidade do que no conceito de diferenciação. É lógico que o medo de investir e optar por algo que nos é novo e suscita dúvidas existe. Mas a existir existe para todos. Os meus colegas não podem esperar que as suas vidas se resolvam favoravelmente por si, sem que sejam donos dos seus destinos.
Pela mesma mesa onde parei, me informei e esclareci minhas dúvidas, muitos outros passaram sem prestar qualquer atenção ou mesmo reparar que poderiam marcar e mudar radicalmente suas vidas caso respondessem à oportunidade que aquela mesa representava para o futuro do que poderão ser enquanto pessoas e profissionais.
A vida faz-se de constantes oportunidades e inoportunidades, cabendo-nos passar por elas e mergulhar nas que nos suscitem compatibilidade com os nossos objectivos.
Não podemos garantir à partida o local de chegada a que cada oportunidade nos levará, mas podemos apontar genericamente para um caminho e esperar e que a oportunidade faça a sua parte. Num mundo tão repleto de gente interligada só pela diferenciação nos fazemos notar, mas para isso, à segurança da tranquilidade temos de dizer “até já”. 
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Sobre os actuais locais de instrospecção

Atendendo à irrefutável carência de tempo que já se pode considerar uma característica da era em que vivemos, a introspecção tem vindo a perder o seu carácter de rotina estabelecida na vida das pessoas, para se espremer e encaixar algures num momento em que seja menos desconfortável e inoportuna.
Os locais de culto estão tornar-se inadequados porque as pessoas não têm tempo para ir a um desses sítios pensar na vida e no mundo que as rodeia.
Ao invés, nota-se cada vez mais que os grandes locais de culto das pessoas surgem pura e simplesmente aonde tenham de parar ou quedar-se por algum tempo. O trânsito é o principal responsável pela introspecção diária que se vai fazendo. Julgo que as pessoas, aprisionadas em filas perturbantes de veículos sem ter para onde ir, acabam por se ver reféns daquele embaraço logístico e como tal são obrigadas a fazer uma coisa que começa a ser contranatura: parar. Uma vez paradas, podem então fazer as suas introspecções. Os meios de transporte são, portanto, o principal local de culto dos tempos de hoje. Em verdade, uma larga fatia dos textos deste blogue corresponde a ideias que foram desencadeadas por introspecções nos transportes públicos.
As viagens são o grande aliado das pessoas para que consigam ter alguma apetência para se pensarem e se reflectirem cabalmente.
É que a chegada a casa é sinónimo de um rol de estímulos e tarefas a executar que levam ao adiamento por tempo indeterminado da introspecção caseira, e o que dizer da introspecção em locais de culto.
Permanece no entanto uma dúvida, que é a de se esclarecer se as pessoas estão tão introspectivas como dantes, quando tinham na sua rotina a ida aos locais de culto.
Talvez agora se assista a uma introspecção mais auto-didacta e menos orientada para determinados caminhos, o que é um voto de confiança na autonomia individual, mas que consiste num enorme desafio de coerência, imparcialidade e persistência. 
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Sobre os parabéns!*

Isabel Pinto não se fez rogada e escreveu o primeito texto na qualidade de Amiga do 3vial:

“Parabéns a você / nesta data querida….” são versos que constituem o início de uma música que é familiar a toda a gente. Mas quando eu comecei a prestar a devida atenção à letra percebi que ela não expressa os sentimentos que eu gostaria quando quero desejar um feliz aniversário a um amigo ou familiar.
As primeiras três palavras “Parabéns a você” sempre soaram estranhas. As pessoas a quem mais frequentemente dirigimos estas palavras são aquelas que nos são mais próximas uma vez que fazemos sempre questão de estar presentes no seu dia especial. São raros aqueles que quando se dirigem ao melhor amigo ou a um irmão lhe chamam “você”. Então, porquê esta frase?
Uma pequena pesquisa sobre a origem dos parabéns demonstra que a música é americana e foi composta por duas professoras da escola primária que queriam arranjar uma maneira divertida de desejar um bom dia a todos os seus alunos. A melodia foi registada, mas uns anos mais tarde surgiu uma versão que, a substituir o Goodmorning to all , nos presentava com Happy birthday to you.
No Brasil resolveram fazer um concurso para encontrar uma letra em português e Bertha Celeste Homem de Mello ganhou com os versos actualmente bem conhecidos. Ou seja, “Parabéns a você” tem aquele sotaque quente do nosso irmão do hemisfério sul. Porém quando colocado nas nossas vozes desprovidas desse mesmo sotaque a letra perde um pouco o seu sentido pois a palavra “você” não é utilizada tão habitualmente em Portugal.
É possível detectar outros problemas na letra escolhida pois provavelmente alguém já se apercebeu do estranho que é dizer “para o menino …” quando estamos a cantar os parabéns aos nossos avós.
Só para concluir é importante salientar que as royalties  pagas pela utilização desta canção são um grande negócio, portanto se alguém quiser arriscar uma nova versão… 
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Sobre a adequação do esforço à necessidade

Como resposta às requisições de participação a que cada um pode ser submetido, o ser humano vê-se na necessidade de se adequar à exigência e detalhismo que a demanda requere, para que consiga superar todas as participações gastando o mínimo de energia e desgastando-se o mínimo possível.
Costumamos falar da exigência como sendo uma característica positiva no modo de proceder de alguém, como um passaporte para qualidade. A qualidade, embora desejável em qualquer situação, tem um preço, e na vida não podemos ser obsessivos com a qualidade quando esta possa cair no âmbito do supérfluo.
Embora possa apresentar-se como uma discussão aparentemente vaga, o saber adoptar uma resposta em conformidade com os objectivos pretendidos é crucial para a desenvoltura e saúde psíquica.
Num mundo tão pródigo em estímulos, o pragmatismo recomenda-se vivamente, sobretudo tendo em conta que raramente temos ao dispor o tempo que gostaríamos para executar as actividades necessárias.
Nas actividade de grupo, esta questão pode assumir proporções preocupantes, porque a dada altura pode parecer que um elemento do grupo não esteja tão empenhado ou interessado em produzir o trabalho quando na realidade apenas se verifica um desfasamento de adequações do esforço de cada um às metas do trabalho.
Isto torna-se crítico quando um dos elementos está em grande tensão para conseguir concretizar aquilo que tem em mente para o trabalho, e o outro, que sinta ser necessária menor exigência, não pareça estar a desgastar-se tanto.
A frustração também tem uma palavra a dizer neste assunto, porque acontece por vezes de uma pessoa se esfalfar por um objectivo e depois verificar que não valia a pena tanto empenho, atendendo ao que valia. Pois bem, para os nada pragmáticos, só o fim dita uma percepção próxima da real necessidade do seu esforço, via resultado. 
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Sobre os produtos biológicos

Nos últimos anos temos assistido a uma avalanche do uso e abuso da palavra “biológico”, ou mesmo do prefixo bio.
Motivados possivelmente pela realidade da poluição, os produtos naturais criados sem recurso a técnicas explorativas que recorrem aos adubos e químicos preventivos de pragas, viram o adjectivo “naturais” perder força, e o surgimento do seu substituto, o termo “biológico”, esse sim temperador do sentido desse tipo de produção agrícola.
Ora parece-me que esta questão dos produtos serem designados biológicos no lugar de serem simplesmente naturais, termo este que contrapõe à possibilidade se serem artificiais, é uma questão do foro das marcas e da gestão das imagens de marca.
Os produtos que são alvo de químicos, de tratamentos, e que como tal crescem de forma produtiva e rentável, não deixando de ser produtos naturais, levaram a que fosse necessário conceber um termo para destacar de entre esses produtos naturais, aqueles que crescem de modo mais selvagem e descontrolado.
Só que o termo biológico, levado à letra, acrescenta muito pouco a esta discussão e diferenciação dos produtos. Ao fim e ao cabo, assim como os produtos naturais são aqueles que levando químicos ou não, dependem da natureza para se desenvolver, os produtos biológicos, devem ser aqueles que provêm da biologia, que são espécies da natureza. Tal dístico é ainda pior na promulgação da diferença que se pretende realçar, na medida em que direccionar a questão para ser espécie da natureza ou não, acaba não só por cair na questão de ser natural ou artificial, como acaba por subtrair à selecção aquele que parece ser o argumento principal em toda esta trapalhada: o recurso a produtos artificiais para optimizar o desenvolvimento natural.
No meu entender, usar e abusar do termo biológico, não só retira realidade ao tratamento dos produtos, como exige à pessoa um poder de abstracção sobre possível sentido da nomenclatura usada, tão à moda do senso comum.  
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Sobre a ostracização em sociedade

Um pouco por todo o lado, mergulhados nesse grande universo de pessoas que constitui a sociedade civil, constata-se a presença de um  grupo de pessoas ostracizadas, que se destaca pela sua fraca alegria, pelo seu timbre de sofrimento, pelo seu ar de meter dó.
Tais pessoas parecem arrastar-se pelos lugares públicos como sendo portadores de uma desmotivação para a vida, de uma passividade que consegue torná-las notoriamente desfasadas da normalidade, pela negativa.
Julgá-las tende a ser imediato, mas dificilmente se chega a perguntar, com a mesma avidez com que se julga, que realidade familiar poderá condizer com tais pessoas.
A nossa forma de pensar e sentir o mundo, não só reflecte bem o tipo e quantidade de problemas pessoais com que somos confrontados, como limita as outras formas de entendimento. Um eventual positivismo pode ser suficientemente avassalador para impedir que se compreenda e respeite que haja estados de alma diferentes deste.
Geralmente, as condições de menor fulgor anímico, pródigas quase a tempo inteiro em muitas pessoas deprimidas, têm como consequência o distanciamento ainda maior, porque aqueles que estejam mais activos e se sintam bem tenderão a aproximar-se de mais indivíduos nas mesmas condições e a evitar prender-se com gente que contraria os seus estados.
Ora é um problema sério este, o da ostracização, visível em muitas crianças com problemas de integração e motivação, mas também detectável em adolescentes e jovens adultos, que depois são como que canalizados pela sociedade para condições de exclusão, e percursos menos comuns, como os cultos e seitas que os transportam para condições de ainda pior reversibilidade.
Mesmo nos adultos mais seniores, é possível encontrar quem que se feche numa concha e viva seus dias numa incapacidade para o optimismo tremenda, certamente insalubre. 
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