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Sobre a televisão: educando pelo écran

Já reparei várias vezes que quando tento vender a ideia de que na diversão televisiva se pode e deve aprender alguma coisa, como no visionamento de um filme, sou confrontado com a posição de que o objectivo da diversão que se busca pode não ser compatível com essa tal aprendizagem. Isto tem muito a ver com a associação cultural dada à aprendizagem, como sendo algo maçudo, cansativo e entediante.
Ora sendo o meio televisivo uma via altamente especializada na comunicação sensível altamente aliciante, acho não é muito difícil estimular as aprendizagens pela via televisiva. Não será necessário explicar, antes referir, que a televisão é de facto uma peça privilegiada na transmissão de mensagens pelo que a sua utilização pedagógica é altamente valorizável. A título do que já existe, devo confessar que as telenovelas já conseguem introduzir mensagens pedagógicas e estimular aprendizagens pela inclusão de temas complicados como a droga ou os abortos, apresentando-os de forma nada aborrecida, no decorrer do enredo, sem penalização do espectador. Também nos filmes isso acontece de forma constante, com eventuais reflexões e estimulações de eventos históricos como guerras ou crises. Ao contrário de textos anteriores, não serve este para mostrar aquilo que está mal a meu ver. Ao invés disso, sirvo-me desta intervenção para louvar esse estilo pedagógico no universos televisivo, e para fazer votos publicamente para que mais tempo de antena e privilégio seja dado e conferido aos que procuram fazer da diversão um ramo possível para o conhecimento.
Um reparo final apenas para evitar confusões: quando me refiro a conhecimento, que não se pense, também, que estou apenas a incentivar programação do género de concursos de cultura geral, uma vez que o conhecimento a que me refiro, é sobretudo todo o conhecimento que não seja tanto na arte de catalogar e resgatar memória, mas sim o que se insere no âmbito do saber pensar e no que pensar.
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Sobre a televisão: o dever moral social

O apuramento da técnica e indústria televisiva empolou a sua diáspora e implementação, tendo contribuído para a criação de um espaço televisivo privilegiado do ponto de vista de visibilidade e alcance.
Tal alcance tem um valor acrescentado enorme, como comprovam os preços da publicidade nas horas de maior afluência aos canais, pelo que os anunciantes se digladiam por tempos de antena de grande repercussão.
Acontece que tal como estes, a própria televisão confere a si mesma um tempo de antena de igual poder comunicacional, não devendo descurar portanto a importância de preciosos minutos em que a transmissão de informação atinge o seu auge. O dever moral social, que escolhi como título desde texto, refere-se exactamente a essa importância que a televisão permite a si própria, e que deve conduzir a um respeito pelos conteúdos e pela transversalidade de público que tem.
Não é moralmente correcto que se abdique de certos esforços por agradar a todos, tal como não é moralmente recomendável que se despenda o precioso tempo de antena com massivos programas sem qualquer intuito cultural que não o de ocupar o tempo. A título que sugestão, gostaria que fosse criado um algoritmo de classificação quantitativa de conteúdos, a fim de que o consumir mais esquisito pudesse de facto constatar a linha de programação de determinada antena, ou seleccionar a grelha televisiva do seu interesse com base em mais parâmetros do que as sinopses, que conferem mais um traço descritivo do que escalar.
Julgo que a existir, semelhante estrutura de classificação, poderia quer determinar os níveis da televisão dentro de fronteiras, quer comparar a nossa televisão com a estrangeira, podendo até vir a servir de barómetro para a evolução do universos programático da televisão, apresentando-se então como uma ferramenta de forte utilidade para quem se interesse pela análise do dever moral e social a cumprir.
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Sobre a televisão: compromissos comerciais

A diáspora do capitalismo agressivo apoderou-se da televisão para mal de todos os que acumulam em si o direito a servir-se dela, consumindo-a. Acredito que larga culpa da desvirtuação da televisão enquanto ferramenta adequada ao progresso, passa pela necessidade de gerar lucros, mais-valias económicas que assegurem futuro.

Repudio e condeno veemente a forma irresponsável como convivemos com cadeias de televisão que prezam a subjugação dos seus espectadores às peripécias de manipulação de audiência para fins de proveitos publicitários. Divulgações de horários incorrectas, em que à hora indicada apenas há publicidade (muito comum nas transmissões desportivas), ou aliciamento de audiências com dinheiro supostamente fácil, cuja efectiva entrega é prolongada com exaustão, de que são exemplo os múltiplos programas vespertinos transmitidos diariamente.

É evidente que as cadeias de televisão vivem acorrentadas às audiências, pois estas são o meio para gerarem o lucro, mas a partir do momento em que são abandonados princípios básicos que honrem as reais capacidades que uma cadeia de televisão pode ter em sociedade moderna, julgo entrarmos no tortuoso caminho da superflueidade dos meios televisivos.

Que se clarifique a ideia de quem manda na televisão! O consumidor precisa da televisão, mas ela precisa cada vez mais dele. O consumidor tem cada vez mais alternativas a ela, pelo que é altura de verdadeiramente reivindicar a si os plenos poderes de se achar activo no panorama televisivo. A maioria de nós, espectadores, julga-se escravo das grelhas televisivas, mas nada mais errado. Que tal proporem-se umas televisões desligadas por uns tempos? Há que prezar respeito e responsabilidade acima de viabilidade económica, pois se querem fazer dinheiro, que trabalhem para tal dentro das regras da civilidade e do dever assumido.
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Sobre a televisão: o poder de informar

No contacto diário com as pessoas, nem sempre nos apercebemos da forma emotiva com que temperamos as informações que cedemos. Este facto, que confere tanto mais subjectividade quanto mais sentirmos aquilo que pretendamos comunicar, é de tal forma intrínseco ao ser humano que adquire dimensões um pouco mais sérias quando é transportado para a imparcialidade pretendida no contexto televisivo, onde o objectivo mor é informar sem contaminar a informação quer no seu entendimento como também na emotividade e estrutura com que esta é divulgada.

As cadeias televisivas são mais, ou menos parciais, mas nunca imparciais de todo. Num ápice, por força de qualquer agudização de sensacionalismo, frieza ou repetição, por exemplo, dá-se o fenómeno da desinformação por  aposta na radicalidade da informação. Ao nível nacional, as produções informativas resumem-se excessivamente aos noticiários, reservatórios óbvios da actualidade informativa.

Os escassos e ocasionais documentários portugueses, tendem a ser mais imparciais do que os noticiários em si, ficando no ar a questão de saber se, afinal, são tão escassos e tímidos exactamente por força dessa maior imparcialidade garantida.

Também em língua portuguesa, os brasileiros, dão cartas na arte de documentar, sobressaindo nesse campo através da denúncia pela divulgação de realidades, sendo exemplos que recomendaria vivamente para o panorama televisivo nacional.

Intrínseca às premissas de como informar, surge a reflexão relativa ao que informar, visto existir um jogo de forças no qual a pertinência de cada notícia deve ser cuidadosamente avaliada com base na sua importância conjuntural.

A título de crítica, diria que vivemos com um meio televisivo que no campo da informação, tende a fundir informar com factos, com informar por opiniões, de que são prova as constantes presenças de comentaristas ocupando o espaço televisivo destinado às notícias, tornando-o um amplo fórum de debates camuflado.
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Sobre a televisão: a virtude da comunicação


Sendo a comunicação um imperativo da espécie humana, acabam por se suceder, ao longo da história, os esforços imaginativos e tecnológicos com vista à concretização do aumento de facilidade de comunicação. A electricidade propulsionou uma série de novos dispositivos, dos quais a televisão hoje se emancipa como uma indiscutível mais-valia para a humanidade.


O ritmo, frequência e abundância de informação revolucionaram o mundo, acabando por haver conseguido imprimir um hábito na cultura de distintas sociedades. Fácil é de concluir que a televisão garantiu a ampliação de cultura não apenas em pontos outrora remotos, mas também em locais antagónicos do mundo de práticas, hábitos e tradições desconhecidas que assim se viram enriquecidos.

De facto, não podemos excluir a noção de que a televisão garante um comodidade tremenda a quem procura saber o mundo, sem abdicar do seu lar. A virtuosidade de podermos saber o que mais preocupa uma nação de distante geografia ou explorar um matagal praticamente inacessível cheio de brutez natural, são simbólicos exemplos de como a televisão é uma aliada do homem.

Aproveitando o tónico das virtudes, como não apontar o cinema, como um dos rebentos mais notáveis da descoberta da televisão, capaz de ficcionar, reflectir ou espelhar, múltiplas preocupações, emoções ou pensamentos comuns a legiões de pessoas? Há quem aponte o dedo ao aprisionamento ao sofá que a televisão confere. Os ingleses, por exemplo, chamam-lhe caixa estúpida. 

Eu, porém, acredito nas valências e vantagens da televisão, apontando o dedo a quem dela se serve, isso sim, para deturpar o sentido, significado, motivação e interesse de comunicar. É a velha questão de culpar determinado conhecimento ao invés de culpar quem dele retira proveitos perniciosos ou meramente interesseiros e como tal afastados dos propósitos naturais e imediatos que dele se podem extrair e usufruir.
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Sobre a religião: o ateísmo


Sirvo-me deste texto final para dar protagonismo ao ateísmo, como decisão de quem não se sente confortável com o leque de paradoxos e contra censos que é capaz de detectar nas premissas da religião e que portanto se vê na obrigação de se emancipar voluntariamente.


Julgo que nem sempre se tornam claros os motivos factuais que levam alguém a ser ateu, tal como nem sempre claras são as respostas às indagações dos outros sobre os motivos de tal assunção, por se tratarem questões de fundo, incomportáveis com respostas breves de conversa rápida. 

A pessoa que adere ao ateísmo tem, em relação à que não o faz, uma vantagem, que é pela decisão tomada comprovar que já reflectiu sobre o assunto da religião. O grupo dos crentes, não inclui unicamente aqueles cujo resultado de semelhante reflexão conduziu à crença (ou não ateísmo), mas também o conjunto de pessoas que nunca se questionou ou preocupou em reflectir com isso, mas que se deixou levar no inquestionável roteiro cultural da religião, que se embarca logo à nascença e que vai fazendo parte do contexto diário, sem grande esforço para o conseguir.

Não é função deste texto vender o ateísmo aos outros, dado ser o produto de uma conjunção de factores demasiado específica para que se deva querer generalizar.O ateísmo surge neste texto na tentativa simbólica de espevitar a atenção dos que o lerem para a necessidade de terem opinião sobre os assuntos pertinentes, de que a religião está longe de se excluir. Os textos que precederam a este, sobre o mesmo assunto, estão impregnados de uma perspectiva ateísta e mesmo acusatória da forma como vejo a religião, sobretudo os seus pontos negros. Há muito que ambicionava gastar algum tempo a esclarecer-me e expor a todos, com a clareza que só a escrita permite. Cesso deste modo este tema, escolhendo o ateísmo no fim, simbolizando o comum traço de nascer religioso e poder derivar para a descrença.
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Sobre a religião: o culto a deus


O culto assumido a Deus constitui a mais direta forma de abraçar a religiosidade, sendo para mim um campo em que posso, como venho fazendo, explorar os motivos que presidem à minha admitida areligiosidade.

Os fiéis, ao longo da história, encontraram maneiras variadas de cultuar deus, bem como todas as demais personagens religiosas alvo de referência e louvor. Não contesto o sentimento de serviço e de beatitude com que o fizeram, nem o que pode fundamentar tal prática (medo, gratidão, etc), mas dou comigo, hoje, a perguntar-me, porque continuamos a prestar culto a deus. Julgo que esta ideia do culto está presa por arames ao conceito de um deus humano que tantos têm para consigo. Por muito esforço despendido, só um deus caracteristicamente humano pode perceber o valor da materialidade, o sentido de sacrificar uma vida, ou dar uma esmola. Hoje em dia, acho inclusivamente que se presta mais tributo a santos e beatos do que a deus, gente, em suma, que se subiu na hierarquia religiosa foi por força de outros homens, mais do que por ingerência divina.

Porque quereria deus um culto? De que forma sacrificar um animal pode agradar a deus, se estamos no fundo a destruir o que ele criou? Porque terá deus a necessidade de culto? Terá ambição de poder, como nós? Não poderá deus ser uma mera força, a derradeira Força ou Energia, para lá da consciência humana, alheia sentimentalmente ao que produziu ou tornou consequência? Como poderemos prestar culto ao que desconhecemos quando nem sequer podemos tornar claro a lógica (as vias, os mecanismos) desse culto? Porque não celebrar a vida, ao invés, louvando-a pelo maravilhoso bem que é?

No fundo, por que não ver na naturalidade das coisas a melhor forma de cultuar deus? Não será o livre arbítrio uma forma pródiga de beleza e oportunismo para prestar culto à liberdade de todos e do universo natural em que vivemos, como produto desse deus? De que forma questionar a existência de deus, não será, também, um culto válido, honrado e amoroso?
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