Relendo o texto inicial que prefaciou este espaço, dei conta de que esse autêntico prólogo permanece concordante com as linhas orientadores do que venho escrevendo ao longo destes mais de dois anos de actividade.Gostaria que o meu espaço tivesse mais leitores, mas não pretendo que o incauto leitor confunda tal ideia com uma ambição de mais sucesso, porque é devido ao sucesso que reconheço a este meu espaço e a esta minha actividade autodidacta, que me surge o desejo de mais leitores.
E se nesse vigésimo segundo dia do mês de Outubro de há dois anos atrás eu justificava o nome do blogue com a desesperante oferta que a rede permite, desesperante unicamente pela dificuldade em detectar algo bom no meio de tanta fartura. Não encontro diferente motivação para deixar de renovar essa mensagem.
Incluiria apenas uma breve explicação, inédita, sobre o título do blogue, em particular a combinação numérica do nome, que descodifica o título apenas pela sonoridade: trivial. Estando o meu percurso académico inequivocamente ligado à Engenharia, os números são uma constante na minha vida, hipotecados apenas pela escrita, de que não prescindo. Resulta daqui o título deste espaço.
A crítica tem-se-me revelado favorável e incentivadora, mas iludido é aquele que se agarra aos elogios como prémio de consolação: desconhecerá que os inimigos prestam-se mais à honestidade do que os amigos. Não é justo, porém, abdicar do agradecimento àqueles que incentivam o meu trabalho, reagindo aos textos com comentários.
O mundo da escrita é um mundo constantemente novo, continuamente por desbravar, mas o do escritor não, é antes um funil cujo gargalo suga o convencimento de que o seu trabalho é bom e de que não tem por onde melhorar, que é a sua escrita é superior e magnânima.
No ano que se avizinha espero poder continuar a reflectir por escrito o mundo que me rodeia, trazendo a este espaço questões muitas vezes latentes, de que os subconscientes se apercebem, mas que com dificuldade ganham autonomia para se firmarem como temas de discussão.
A todos os transeuntes deste blogue, um sincero obrigado, repleto de retroactividade.
