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Sobre a religião: a comercialização da fé

Os grandes propósitos espirituais das religiões, esbarram na impossibilidade de sobreviverem alheias ao mercado capital que confere poder de compra como via para a aquisição dos produtos pretendidos.
O obstáculo da dimensão material que a religião tem, pela via humana, faz com que esta tenha de se submeter à necessidade de gerar fundos de sustento do edifício religioso, e como tal, cria uma aura comercial em torno da religião.
No nosso país, acaba de ser inaugurado o novo santuário de Fátima, obra colossal, em grandeza e custo, constituindo a 4ª maior igreja do mundo. Saber que uma Igreja pregadora da pobreza decide pelos seus líderes edificar monumentos de culto de alto valor comercial e motivo de propaganda da fé, e que esta manobra é conseguida usando os fundos caritários dos crentes que no fundo ficaram, esses sim mais pobres para enriquecer a sua religião, só abona a favor desse paradoxo existente entre a crença e a realidade.
Toda a riqueza da Igreja poderia ser dispensada ao próximo, como de facto prega a sua doutrina. Necessitamos de um Vaticano, de um santuário ou de uma capela para que haja fé. Quem quiser trabalhar para a pureza da religião, pois que trate de descobrir formas de libertação material do dinheiro e dos bens imóveis sem sacrificar o  credo a esses elementos. A comercialização da religião só confere comodismo aos seus servos, porque elimina a necessidade de mostrarem como se pode praticar a religião da maneira mais perfeita: pela via da virtude. Quem não achar um escândalo, que visite então Santiago de Compostela, na Galiza, e repare como até já existe um aparelho para se ouvirem orações, mediante a introdução de uma moeda. Tudo isto dentro da igreja, supostamente local de culto e respeito pela fé nas escrituras. Que gente é esta, que aceita ver os pregadores em desrespeito ao que pregam e ainda assim se firma na sua crença de que tudo está bem e faz sentido de tal forma?
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Sobre a religião: o laicismo do estado

Sabendo da separação do organismo estado, da instituição religião, concretizada algures num passado recente da nossa história, não me conformo com a forma expedita com que se apregoa um estado português laico, quando ao alcance de qualquer observador estão provas de como é fantasia assumir esse laicismo.
Num primeiro momento, devo dizer que constitui um problema maior, discernir sobre quanto o que é que pertence à história do país daquilo que à história da religião diz respeito. Um exemplo disso é a chamada Cruz de Cristo, emblema que embora de cariz religioso, sedimentou-se como símbolo da nossa nação lusa. A única forma de não cair nesse paradoxo de sem querer ser, sê-lo, passa por não promover este tipo casos dúbios, de que o exemplo é esclarecedor. Por isso, quando dou comigo a olhar para uma moeda de Euros, do nosso país, que se dá ao esplendor de aproveitar-se da letra “t” da palavra Portugal, para cunhar um símbolo semelhante à Cruz de Cristo, não tenho motivos para acreditar no laicismo do nosso estado. Podem parecer insignificantes aos olhos de muitos, mas são estas pequenas provas que derrubam uma tese. Não querendo ficar por aqui, remeto também para a gestão pública, mais precisamente para os cemitérios, os quais sendo por tradição locais de forte prática e intensidade religiosa, embora não haja obrigatoriedade, são locais ao cargo das autarquias. Acabo não perceber a fronteira de se ser sepultado num cemitério, mediante todas as práticas religiosas, para depois ficar ao cargo das autarquias, as campas, as inumações e a gestão global dos cemitérios. Servem estes dois casos comprovar uma certa dubiedade estado-igreja, que aparentemente desprovida de intenção, acaba por confundir e sugar a linha de separação que pode certificar o laicismo do estado. A própria aversão a mudanças desta natureza, sinalizada pela inércia de desenvolvimentos nesta matéria tem como único propósito mostrar que pela força cultural que a Igreja sabe cultivar, o laicismo real é miragem nacional.
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Sobre a religião: a impregnação da cultura

Vivendo hoje num mundo particularmente avesso a fixações culturais, fértil antes no confluir de perspectivas, práticas e tradições de que a globalização tratou de disseminar por todo o lado, questiono veemente o aprisionamento cultural ainda vivido em Portugal, onde a cultura está tão impregnada de religião, que é impossível não tropeçar nela.
Causa-me particular afrontamento a forma como é árdua a fuga a resquícios da religião. Gente que vive à margem da religião, efectivamente, parece ter de recorrer a ela para concretizar certas formalidades da vida, como o casamento ou sepultamento. De facto, embora existam formas alternativas de se fazerem as coisas, é absolutamente raro o caso de autonomia, sendo essa aparente dependência um obstáculo sintomático da forma como Portugal ainda é um estado aprisionado a uma Igreja. Esta situação é aliás previsível, se tivermos em conta que este país, comparado a outros, ainda é um paraíso monocultural, alheio às outras gentes do mundo, e como tal perspectivas diferentes.
Muitos poderão dizer que realmente só segue as práticas quem quer, mas a verdade é que noto vivermos num meio muito tradicionalista, muito adepto do arcaico, que se vê amarrado e servo de uma concepção única da vida, e da forma de estar do mundo.
Não há condições aliciantes à diversidade, há antes, uma cultura que marginaliza práticas alternativas. Ora religião e cultura não sendo sinónimos à partida, tocam-se exageradamente no contexto português, caindo numa esquizofrenia preocupante, quanto mais não seja pelo formato que páscoa e natal adquiriram em termos de sentido meramente económico e lúdico, conservando, contudo, as designações religiosas, ou pela maneira como os cidadãos menos ariscos a se assumirem, vão vivendo as vidas pincelando o seu percurso com momentos de fraca ou nenhuma prática religiosa e outros de conveniente recorrência à mesma.
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Sobre a religião: as falhas da católica apostólica romana

Quanto mais leio sobre aspectos da religião Cristã, mais desemboco no reconhecimento da sua desprovenção de lógica e sentido.
Começando pela severidade com que pautam o mundo, sempre desalegrados perante tudo, parecendo em constante agastamento, sem esboçar alegria ou sorrisos, coisa que o Dalai Lama faz, para grande gáudio meu, dado que a felicidade está dentro de nós, na capacidade de ver o positivo de tudo, e não no mundo em si.
Depois, abarcando toda a obstinação com que tomam decisões e estabelecem fundamentos, é de uma presunção assustadora tendo em conta que aqueles líderes são apenas homens que decidiram dedicar-se a explorar a religião em que acreditam. A igreja não admite erros e esse é um pecado capital. Admito que o deus não os cometa, mas os que se chamam deus na terra, pela sua condição de homens, erram e devem assumir. Como pode viver uma instituição religiosa a pregar o que não pratica? O passo inicial para qualquer perdão sério, é o reconhecimento do erro, logo quando este não sucede, tudo não passa de fantasia.
Finalmente, por mais que tente, acho injustificável a existência de um estado religioso, o Vaticano. É tortuoso o trilho que divide a igreja do estado, quanto mais aquele que permite justificar uma igreja como estado. Acho que ao definir residência oficial, cria-se um rol de complicações no que toca à ambição de espiritualidade. Quanto mais se premir a tecla do crescimento material, pela condição de propriedade de bens, mais se torna contraditória a crença na pobreza, tão bonita e simbólica da história do famoso Jesus. Não se entende a luxúria do culto, a ostentação das jóias, arte, vestes ou edifícios. Peço que não afirmem que é para exaltar deus, porque sou avesso a falácias. Finalmente, peço que me expliquem que formato é este o de os crentes serem alheios à selecção de líderes, cabendo aos próprios elegerem-se entre si e viverem, portanto, em circuito fechado.
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Sobre a religião: necessária ou supérflua?

Quando falamos em religião, é comum surgir o Bem e o Mal algures no decorrer da conversação. Acontece que julgo residir nessa dualidade a grande chave das religiões, na medida em que é a ponte para transitar da ordem do divino para a o nível terreno e daí começar a reinar. A religião surge pela necessidade de dar sentido à existência, mas de repente damos com ela a pronunciar-se sobre os capítulos vividos na terra. De facto, aquilo que se processa é que a religião, pelas escrituras a que se socorre para difundir-se geograficamente, inventou um código de conduta supostamente a preceito do criador, no qual se pronuncia sobre as decisões e comportamentos humanos. Pelas escrituras a religião abandona o divino e parte à descoberta de um controlo de massas dissimulado pela crença de que é o divino que assim o pretende e que é ele quem institui as normas do bem e do mal.
Basicamente pode-se considerar que a religião passa a ser supérflua a partir do momento em que abandona o divino e passa a olhar para os povos, em vez de para os deuses. Admito que seja necessária pela impossibilidade de todos a dispensarem das suas vidas, mas julgo que quando se apodera dos códigos morais passa a dispersar a sua utilidade. Não precisamos da religião para perceber que matar é mau, que roubar é mau ou que ajudar é bom. A prática do pensamento confere um alcance fácil a essas considerações, como claramente mostram os tratados de ética publicados ao longo da história da filosofia. Esta é a ideia essencial que gostaria de vincar neste texto, porque no meu observar, dou conta que existe uma noção de que precisamos da Igreja para distinguir o bem e o mal, canalizando a distinção em termos de pecado ou não. Ora quando assim é, vejamos como é perigoso acreditar no pecado em vez de no bem ou mal da ética humana: nos muçulmanos o matar é pecado, mas o matar em nome de Deus deixa de o ser, sendo motivo de regozijo. Agora pensemos só se a morte não é de facto a mesma e portanto igualmente condenável?
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Sobre a religião: a obstrução do livre pensamento

Não concordo com as religiões porque elas restringem o entendimento e barram o livre pensar pela imposição de esteios com vista à demarcação de um caminho.
Mais grave que isso, não gosto delas pela forma como se apoderam da verdade, a presunção com que se julgam fadadas a conduzir as vidas das pessoas, pronunciando-se para além dos seus propósitos. Lembro-me dos tempos de infância que o discurso de freiras e catequistas era de uma obstinação tremenda, vagueando por conceitos que quando misturados produziam cápsulas de confusão capazes de circunscrever o entendimento e de aturdir tudo e todos. Milénios de história mostram-nos que a qualidade de vida de hoje se deve mais à exploração de novas ideias e perspectivas, do que ao retraimento de espírito constante. Não são conhecidos os esforços da religião por educar, mas por ministrar as suas crenças e julgá-las alimento suficiente. Reparemos que durante séculos a igreja nunca fez nada para que o povo se instruísse. Se hoje a educação está na agenda da religião, que se diga também que não é subsidiada por ela, mas como forma de negócio, sempre alicerçada pelo condicionamento do pensamento dos discente às suas fés e práticas.
A minha experiência pessoal mostrou-me que a educação ministrada através da religião peca pelo bloqueio de alternativas, pela anulação do espírito curioso e pela mistura da catequese com o mundo real, domesticando a natureza à dubiedade e subjectividade das escrituras.
Como não notar que a religião é um estorvo ao futuro? Ela esforça-se por refrear sempre os ânimos, ela presta-se ao passado e fixa-se à única temporalidade impossível de comprovação intelectual: a que nos precedeu.
Por negar em mim o bloqueio às minhas conclusões, às minhas críticas, às minhas teorias e às minhas dúvidas, repudiei a religião da minha vida. Tenho a porta aberta para ser deus da minha vida, para responder por mim, para acreditar em mim.
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Sobre a religião: uma questão de saúde?

Em virtude de uma racionalidade que emancipa os humanos dos demais seres terrestres, os pensantes estão fadados a conceber o mundo numa perspectiva causalista, a qual se perde ante a imensidão do universo e a vastidão lógica desvendada e ainda por fazer.
Milénios de bulício não nos capacitaram de respostas objectivas para inquietações intelectuais naturais como o sentido da existência, da vida e funcionamento do mundo. É neste contexto que a religião surge, como uma resposta consequente à necessidade de explicações, servindo-se da capacidade criativa e imaginativa da mente para construir sustento espiritual à civilização.
Num primeiro momento, parece-me que a religião é uma inevitabilidade face à urgência de significado da criação e manutenção da vida, podendo afirmar-se, sem reservas, que se trata de uma questão de saúde, sim.
A minha discórdia para com as religiões, tendo como muleta a Católica com a qual convivo de perto, não se centra tanto nos primórdios da sua génese, persegue antes a estagnação das premissas assumidas e a obstinação com que se nega à evolução e superação. Os fiéis vivem e cultivam as suas fés com graus de entendimento, esforço ou provação distintos. Pactuam não obstante na certeza de que ao assumirem a sua crença, comungam de uma paz colectiva muito dada a vergar o medo do vazio da existência. À parte, agora, da perspectiva beneficente, ouse-se problematizar uma existência sustentada por crenças valorativas. Temos religião, temos a saúde necessária a viver cada dia, mas seremos tão débeis ao ponto de remeter permanentemente para planos secundários assuntos tão cruciais? A dinâmica cívica e organizacional ao longo de séculos tem vivido apartada de novas perspectivas e caminhos, impregnada de frivolidades por força desse apaziguamento provocado pela religião, cuja presença aproxima-se da imposição e contradiz-se.
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Sobre o amor: a timidez vital à sua presença

Aproveito para encerrar esta sequência inédita de intervenções acercando um tema único, com uma abordagem de um aspecto que muito me fascina no capítulo do amor, para o qual, refira-se, parcas são as minhas palavras.
Por se tratar de muito mais do que um escasso sentir, o amor impregna-se de timidez, sendo a libertação dela o primeiro passo rumo ao seu cessar. Nada acalenta tanto o espírito como o poder atribuir respostas a impasses ou a cenários ricos em sinais dúbios o suficiente para não serem factos. A timidez gera mistério. O mistério é um provecto pai do interesse e do cultivo de imaginação.
A timidez afecta ao amor, é, quanto a mim, o verdadeiro motivo para o nascimento, cultivo e concretização do amor. O acto sexual não é em si um fim do amor, pelo menos não o é aquando órfão do revestimento próprio capaz de audaciosamente gerar na mente uma vontade para a sua consumação.
É da inexistência de timidez que irrompe a tendência possessiva para invadir todo o espaço do objecto amoroso, pretendendo-se ser dono de todos os achares, todos os suspiros, todos os pensares e os quase pensares do amante. No âmago de um querer confluir totalmente para a fusão espiritual e corpórea do amor, sepulta-se a timidez e avança-se com rapidez exagerada, alheia a pequenos sabores, dispersos por pequenos detalhes afectos à conquista, convencimento, informação ou execução. A perda do mistério, cada vez mais realidade, atenta contra o estado superior dos humanos, outrora comprovado pela forma condigna com que entre amantes reinava o respeito pelo manancial de riqueza condensado na pessoa de cada um. Dificilmente encontro resquícios desse amor com timidez, aglutinado perante o despropósito da nova corrente do amor rápido e sem rodeios, motivo suficiente para distanciar os mais cépticos. Ainda haverá quem pense na façanha do amor a roçar a racionalidade? Ou não há coragem para o procurar?
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Sobre o amor: a timidez vital à sua presença

Aproveito para encerrar esta sequência inédita de intervenções acercando um tema único, com uma abordagem de um aspecto que muito me fascina no capítulo do amor, para o qual, refira-se, parcas são as minhas palavras.
Por se tratar de muito mais do que um escasso sentir, o amor impregna-se de timidez, sendo a libertação dela o primeiro passo rumo ao seu cessar. Nada acalenta tanto o espírito como o poder atribuir respostas a impasses ou a cenários ricos em sinais dúbios o suficiente para não serem factos. A timidez gera mistério. O mistério é um provecto pai do interesse e do cultivo de imaginação.
A timidez afecta ao amor, é, quanto a mim, o verdadeiro motivo para o nascimento, cultivo e concretização do amor. O acto sexual não é em si um fim do amor, pelo menos não o é aquando órfão do revestimento próprio capaz de audaciosamente gerar na mente uma vontade para a sua consumação.
É da inexistência de timidez que irrompe a tendência possessiva para invadir todo o espaço do objecto amoroso, pretendendo-se ser dono de todos os achares, todos os suspiros, todos os pensares e os quase pensares do amante. No âmago de um querer confluir totalmente para a fusão espiritual e corpórea do amor, sepulta-se a timidez e avança-se com rapidez exagerada, alheia a pequenos sabores, dispersos por pequenos detalhes afectos à conquista, convencimento, informação ou execução. A perda do mistério, cada vez mais realidade, atenta contra o estado superior dos humanos, outrora comprovado pela forma condigna com que entre amantes reinava o respeito pelo manancial de riqueza condensado na pessoa de cada um. Dificilmente encontro resquícios desse amor com timidez, aglutinado perante o despropósito da nova corrente do amor rápido e sem rodeios, motivo suficiente para distanciar os mais cépticos. Ainda haverá quem pense na façanha do amor a roçar a racionalidade? Ou não há coragem para o procurar?
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Sobre o amor: razões para a sua desfiguração

Pouco no amor pode chamar a si o qualitativo de estático, pois ele vive multifacetadamente quer em concepção, quer em concretização, quer em planificação, quer em extinção ou em conjuntura. O amor resvala do idealismo com que cada um o adorna porque exige do externo uma participação para a qual ele próprio não estando avisado, esbarra na própria concepção que o parceiro possui em si como resultado do mesmo processo formulativo de idealismo aplicado à sua pessoa. Logo à nascença, o amor encetado com outrem nasce desfigurado do amor pretendido como perfeição, pois a acção exercida pelo outrem distorce e anula o controlo de variáveis que se afiguravam como garantidas aquando da projecção em mente. Desse choque de idealismos é gerado um amor intermediário de ambos os projectos, sendo portanto um terceiro formato que ganha vida. Assumindo a continuidade e prevalência do formato no período experimental do amor, o do contacto com esse referido terceiro, o amor muta-se ao sabor do tempo e de cada facto que influi de alguma maneira na relação, podendo evoluir em consistência e certeza, ou derivar para inércia sentimental ou agressividade e rejeição, entre outras legítimas manifestações possíveis.
A desfiguração do amor apresenta-se como consequência da temporalidade da vida e da sua irremediável contextualização. Acima de tudo é uma oportunidade para incrementar valor e profundidade, sendo por isso uma prova da capacidade de alcançar consenso e construir novos esteios sobre aquilo já edificado.
Pode ainda ser visto na perspectiva do tédio da repetição inerente ao entendimento humano, sendo uma resposta a esse problema pela criação de novas soluções para o sentimento do amor, ludibriando a mente do cansaço de ver sem novidade.
Entender a desconfiguração do amor é um passo importante rumo ao cerne do amor, já que cabe a cada um ambicionar crescer no sentimento mais do que se contentar.
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