No contacto com os outros, levado a cabo dia após dia, assim como sempre que sobre situações externas recai o olhar pessoal, a crítica assume-se como alternativa mais apetecível do que o elogio, por razões diversas.O hábito de elogiar dá conta de ser mais árduo de garantir, talvez por meras considerações de honra e poder. A pessoa que elogia, comparada à que critica, presta um tributo ao outro, indicando pelo elogio que aprecia o nível e provação afecta ao outro. Nem sempre estamos dispostos a mostrar ao outro a nossa apreciação positiva do seu trabalho, esforço ou resultado, criamos em nós uma teia de vergonha, um rancor mesquinho que nos leva acreditar nos estamos a inferiorizar ao outro, para mal do ego pessoal.
Também é verdade que o elogio é tanto mais efusivo e fácil na ignorância do que na sabedoria, apesar de haverem excepções, sobretudo porque quanto mais sabemos menos certos e seguros estamos do valor e utilidade de algo.
Não encontro na sociedade o hábito de elogiar, encontrando em excesso a mania de criticar tudo e todos. Muitos não se aperceberam, ainda, que um elogio pode temperar e abrir a porta à aceitação de uma crítica, ou pode ser feito depois de um crítica feroz para mostrar que os mesmos olhos que rejeitam são também capazes de apreciar, muito útil em alguns momentos.
Tal dificuldade em elogiar é expressamente notória não só pela frequência com que o fazemos, como pela forma com que o fazemos. Há elogios que surgem apenas para contrapor fraquezas, ou para arremessar críticas simultâneas por sua via.
Derivações à parte, aproveito para apelar ao elogio, para que se cultive o optimismo, mas essencialmente porque não raro eles surgem inesperadamente, tornando risonho algum momento da vida. Porque não juntar o útil ao agradável, engolir o ego, e surpreender o outro com elogios, para bem dum melhor e verdadeiro dia-a-dia?









Atento hoje a escrite para um erro, que surge da infeliz avaliação de que uma matéria só é avaliada pela sua complexidade técnica, descurando o factor tempo como elemento tão ou mais decisivo que esta.


Nenhum ramo de actividade é mais sacrificado pelo povo do que a carreira de político. Os próprios conhecem e reconhecem esses estigmas, devendo até concordar, nos seus íntimos, com algumas das alegações costumais.



